O Modelo de Habilidades de Vida

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Habilidades de Vida são capacidades para comportamento adaptativo positivo, que possibilitam-nos negociar eficazmente as demandas e desafios do cotidiano. Envolvem habilidades pessoais que potenciarão as relações interpessoais. A OMS sugere que programas sejam desenvolvidos para reduzir comportamentos de risco e aumentar cuidados com saúde física e mental. Adolescentes são uma população especial para estes programas, pela sua maior vulnerabilidade.

O modelo de habilidades de vida consiste em favorecer o desenvolvimento de um conjunto de dez competências, sendo agrupadas em categorias que se complementam: habilidades sociais e interpessoais, habilidades cognitivas e habilidades para manejar as emoções. O conjunto de habilidades psicossociais proposto é o seguinte:

1. Autoconhecimento: Esta habilidade pode ser entendida como a busca de perceber e reconhecer em si próprio pensamentos, sentimentos e comportamentos de maneira realista, sendo fundamental no desenvolvimento dos adolescentes. Esta habilidade relaciona-se ao conhecimento e aceitação de nossos pontos fortes e fracos, gostos e interesses.

2. Empatia: Pode ser conceitualizada como a capacidade em compreender as pessoas, sendo capaz de entender o que leva um indivíduo a comportar-se de determinada maneira. Trata-se de não julgar, antes aceitar a diferença, implicando em uma ação de solidariedade e aceitação.

3. Comunicação eficaz: Habilidade em se expressar, verbalmente ou não, de maneira apropriada diante de diversas situações. A comunicação assertiva está relacionada a um conjunto de pensamentos, sentimentos e ações que auxiliam o jovem no alcance de seus objetivos pessoais de forma socialmente aceitável.

4. Relacionamentos interpessoais: Trata-se da capacidade em iniciar, manter relacionamentos de forma satisfatória, os quais são importantes para o nosso bem-estar mental e social, além de ser capaz em terminar relações de maneira construtiva.

5. Tomada de decisões: Esta competência é compreendida pela capacidade em avaliar e deliberar as consequências, riscos e benefícios que uma situação pode apresentar, sendo possível escolher a melhor alternativa que propicie um maior estado de bem-estar, em detrimento daquelas que colocam em risco a integridade do indivíduo.

6. Resolução de problemas: É a capacidade de lidar com situações que causam tensão e/ou conflito de maneira construtiva, utilizando os recursos do próprio ambiente sem provocar danos aos demais. Trata-se de uma competência importante, pois permite enfrentar de maneira construtiva os problemas da vida, uma vez que os dilemas não solucionados podem se converter em fontes de mal-estar físico e mental.

7. Pensamento criativo: É a capacidade do indivíduo em buscar alternativas viáveis, através da flexibilidade de pensamento, com o objetivo de facilitar o manejo de situações diversas. Consiste na habilidade em utilizar a experiência, os recursos próprios do ambiente, sendo possível manejar os recursos do próprio pensamento como imaginar, inventar, recriar e observar. 

8. Pensamento crítico: Pode ser entendido como a habilidade de refletir, analisar e examinar as situações da vida pessoal e social a partir de diferentes ângulos, perspectivas e opiniões. Esta competência contribui de certa maneira para o bem-estar de cada um na medida em que permite reconhecer os fatores positivos, negativos, internos e externos que influenciam nossas atitudes e comportamentos, o que aumenta a capacidade para se resolver de maneira assertiva as dificuldades encontradas. O indivíduo crítico é capaz de fazer perguntas e não aceitar os acontecimentos sem desenvolver uma análise cuidadosa em termos de evidência, razões e suposições.

9. Lidar com os sentimentos e emoções: Esta habilidade auxilia no reconhecimento das emoções, perceber sua origem e identificar a maneira como estas influenciam os comportamentos, além de identificar melhores maneiras de expressá-las.

10. Lidar com o estresse: Trata-se da habilidade em reconhecer, avaliar possíveis fontes de estresse, encontradas em diferentes cenários da vida, além de identificar possíveis alternativas para reduzi-las, como realizar mudanças em relação ao ambiente ou ainda ligadas ao estilo de vida. Implica ainda a capacidade em solicitar auxílio familiar, de amigos e, caso necessário, apoio profissional, na tentativa de resolver as situações geradoras de tensão.

O ensino de habilidades de vida possibilita que os adolescentes tenham a oportunidade de adquirir novos conhecimentos, além de influenciar diretamente na formação de seus valores e atitudes.

Fonte:

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812008000300009

Country
Brasil