UNODC realiza treinamento sobre uso de substâncias psicoativas para formuladores de políticas

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), deu início na segunda-feira (21), à capacitação sobre natureza, prevenção e tratamento de transtornos relacionados ao uso de drogas, em uma reunião fechada para autoridades, em Brasília. O encontro se estenderá até o dia 24 de outubro e reunirá representantes do governo federal envolvidos na prevenção, no tratamento, na reinserção social e no combate ao tráfico. Até a próxima quinta-feira, representantes dos Estados e do Distrito Federal, além de entidades parceiras, participam da formação, no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

A capacitação foi organizada em parceria com o Ministério da Cidadania e a Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas (Senapred) com o apoio da Embaixada dos Estados Unidos, por meio do Bureau Internacional de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL, na sua sigla em inglês).

Abertura

A mesa de abertura, nesta terça-feira (22), contou com a presença de Quirino Cordeiro Junior (secretário nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas), Kristian Hölge (representante do UNODC para Peru e Equador), James Laverty (adido do Drug Enforcement Administration (DEA, na sua sigla em inglês).

Para Quirino Cordeiro "este evento representa uma grande oportunidade para se discutir o trabalho conjunto na prevenção do uso de drogas". Aproveitou para agradecer a presença e o compartilhamento de experiência por parte dos participantes.

Prevenção e tratamento valem a pena

Segundo Kristian Holge, o Relatório Mundial sobre Drogas do UNODC de 2019, aponta que  275 milhões de pessoas, entre 15 e 64 anos, consumiram drogas, ao menos alguma vez em 2016. O relatório diz ainda que as mortes causadas diretamente pelo uso de drogas tiveram um aumento de 60%, entre os anos de 2000 a 2015. "Por isso, há que se buscar mecanismos de combate ao uso de drogas, baseados em evidências científicas e que sobretudo coloquem as pessoas em primeiro lugar. Não deve existir lugar para improvisação", afirmou.

"As convenções internacionais de controle de drogas foram criadas para proteger e promover a saúde pública, particularmente de grupos vulneráveis, como crianças e adolescentes em risco, pessoas marginalizadas, excluídas, ou pessoas com uma história de trauma emocional, problemas psicológicos e distúrbios de saúde mental concomitantes", salientou.

"Precisamente, durante a "Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o Problema Mundial das Drogas (UNGASS), realizada em Nova Iorque, em abril de 2016, a comunidade internacional reconheceu que o problema das drogas segue sendo uma responsabilidade comum compartilhada que exige enfoque integrado, multidisciplinar, equilibrado, amplo e baseado em evidências científicas", acrescentou.

Já o adido da DEA, James Laverty, mencionou o aumento do número de usuários de cocaína e a diminuição do preço. "Na década de 90 havia 14 milhões de usuários regulares de cocaína e, atualmente, existem 21 milhões. A produção de cocaína mais que dobrou na Colômbia, no Peru e na Bolívia. Nos últimos anos, as apreensões de cocaína têm sido crescentes. Como resultado, o preço da droga no mercado diminuiu em cerca de 60%", pontuou.

A coordenadora de Programas Globais de Tratamento para Dependentes Químicos do UNODC, Elizabeth Saenz, reforçou a soberania dos países na condução das políticas de combate às drogas. No entanto, o foco central das ações deve ser no público que vem sendo afetado pelo uso das substâncias. "O nosso papel é acompanhar os governos no sentido de proteger a vida dos seres humanos, proteger os direitos das pessoas que estão afetadas pela dependência das drogas ou são vulneráveis a desenvolver um problema pelo uso das substâncias", pontuou.

Em seguida, Mariano Montenegro (Plan Colombo América Latina) e Elizabeth Saenz realizaram uma dinâmica introdutória, com todos os participantes do evento, com a finalidade de verificar sua experiência e seu trabalho na área de drogas.

Sobre a capacitação realizada pelo UNODC

O UNODC utiliza de seu manual de treinamento para orientar a criação de ações eficazes de prevenção e tratamento do uso de drogas com base em evidências científicas. Essa ferramenta visa a apoiar os Estados-membros no desenvolvimento de políticas, estratégias, programas e intervenções adequadas para prevenir o uso de drogas e aumentar a disponibilidade e acesso à rede de atendimento por parte de pessoas afetadas pelo uso de drogas e transtornos associados.

Desenvolvida especialmente para formuladores de políticas, o objetivo é melhorar o conhecimento, a compreensão e o alcance intersetorial do controle de substâncias psicoativas e, assim, melhorar a qualidade de vida das pessoas em risco devido ao consumo de substâncias psicoativas. Além disso, pretende-se avançar na apropriação e implementação das diretrizes e desenvolvimentos que o Brasil atualmente possui nessa área. 

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