Prevenção ao suicídio

Neste mês de setembro, salvar vidas é falar sobre Prevenção ao Suicídio.

Para o Freemind e ISSUP Brasil, salvar vidas é a nossa missão e o caminho para isso é a Prevenção.

Nossos jovens e até mesmo nossas crianças estão cada dia mais vulneráveis a ideações suicidas e tentativas de suicídio.

Precisamos estar atentos aos sinais. Por isso, compartilhamos um material da Campanha Setembro Amarelo 2020, da ABP e CFM voltado aos pais, responsáveis e educadores.

 

Carta aos pais, responsáveis e educadores

Como sabemos, os jovens estão suscetíveis às mudanças fisiológicas que são características da fase de amadurecimento físico e psíquico. Quem convive com um adolescente, sabe que as mudanças nem sempre são fáceis. Nós sabemos que tudo isso vai passar, mas para isso precisamos trabalhar juntos em prol da criança ou do jovem que está precisando da nossa ajuda.

 

Como identificar que o jovem está precisando de ajuda?

Nossos jovens e até mesmo nossas crianças estão cada dia mais vulneráveis a ideações suicidas e tentativas de suicídio.

Sabemos que essas mudanças fisiológicas podem ser um dos fatores que levam ao desencadeamento de doença psiquiátrica, um gatilho para a pessoa que tem predisposição genética para desenvolver doença mental.

Por isso devemos ficar atentos a alguns sinais. Em primeiro lugar, é necessária a observação.

Os pais precisam perceber as mudanças de comportamento dos filhos, os sinais que crianças e adolescentes emitem quando estão passando por algum problema.

Alguns destes comportamentos são isolamento, impulsividade, tristeza constante, distorção de imagem corporal, dificuldade de relacionamento com pessoas da mesma idade, insegurança, queda no desempenho escolar, crises de raiva, baixa autoestima, atração por comportamentos de risco, dentre outros.

 

Precisamos falar sobre automutilação?

A automutilação é definida como qualquer comportamento intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo sem intenção consciente de suicídio, mas que é considerado fator de risco para o suicídio.

Ao lidar com as frustrações ou quando estão vivendo situações extremas, os jovens podem recorrer a comportamentos de risco e agressivos, sejam com outras pessoas, sejam consigo mesmos.

Por isso, devemos ficar atentos aos seguintes comportamentos: consumo de álcool e outras drogas, começo de vida sexual precoce e, principalmente, as lesões que nunca cicatrizam, arranhões, falta de cabelo em locais específicos da cabeça, mordidas, manchas, queimaduras que sempre surgem sem explicação.

Mas atenção, muitas vezes essas lesões ficam em locais escondidos, nem sempre são nos braços ou pernas.

A intensidade, repetição e continuidade também são importantes para o diagnóstico.

A automutilação é muito grave, por isso nunca deve ser considerada exagero ou “frescura”. Os comportamentos autoagressivos precisam ser tratados com médico psiquiatra e terapia sob o risco de, se não tratados, podem levar ao suicídio.

 

Como abordar o jovem?

A informação correta com orientação especializada é sempre o melhor caminho.

Os pais, responsáveis e educadores precisam estar atentos para debater essas questões em casa e no ambiente escolar.

Ter doença mental diagnosticada é o mais importante para avaliar a automutilação, mas existem dois fatores de risco da automutilação que podem ser observados e combatidos, como o uso de drogas e o bullying.

Portanto, esses temas podem e devem ser presentes nas conversas em família e também nos debates nas escolas.

Os professores, caso percebam que a criança e ou o adolescente apresentem sintomas de doenças psiquiátricas, é importante que alertem os pais para que possam buscar ajuda profissional adequada.

 

Sugerimos abaixo algumas perguntas para guiar a conversa em casa ou na escola:

Você já sentiu vontade de se cortar?

Quando fez esses ferimentos, você pensava em quê? O que sentia?

Você já sentiu vontade de desaparecer ou morrer?

Quantas vezes você repete esses ferimentos por semana, dia?

A automutilação, assim como todas as doenças psiquiátricas, tem tratamento. Por isso, busque um psiquiatra.

 

Este material foi desenvolvido pela ABP – Associação Brasileira de Psiquiatria e CFM – Conselho Federal de Medicina para a Campanha Setembro Amarelo 2020 e está disponível no site: https://www.setembroamarelo.com/

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?time_continue=44&v=CffOIfX9VbQ&feature=emb_logo

Alguém Perguntou às Crianças como Elas Estão se Sentindo?

Quais os direitos das crianças?

Um deles é o direito a brincar, uma vez que o brincar se apresenta como ferramenta essencial para a sua saúde durante seu crescimento, já que ela se descobre na brincadeira, bem como apreende o mundo de forma lúdica, vivenciando as experiências de forma adequada à sua idade. A criança que brinca constrói uma estrutura psicológica e emocional resiliente e muito mais preparada para enfrentar os desafios do mundo adulto no futuro.

Já é comprovado que grande porcentagem das crianças que se encontram em situação de vulnerabilidade busca nas ruas atividades que lhe proporcionem brincadeira, diversão e lazer, sendo as drogas um instrumento que permite atingir tal objetivo. Logo, se esses jovens fazem uso das drogas buscando - entre outras coisas, mas principalmente - o lúdico; então a garantia do direito ao brincar representaria uma forma de prevenção ao uso das drogas na infância e juventude.

Outro direito que as crianças têm garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente é o direito à liberdade, e tal direito compreende a liberdade de opinião e expressão (art. 16, II). Em outras palavras, a criança e o adolescente podem e devem emitir opinião.

Mas será que as crianças estão sendo ouvidas neste momento de pandemia? O quanto isto interfere na sua saúde mental e na prevenção ao uso de drogas?

Neste brilhante artigo, Dr. Luiz Antonio Miguel Ferreira, Dr. Luiz Gustavo Fabris Ferreira, Dra. Lygia T. Durigon e Dra. Clarice Krohling Kunsch, trazem uma abordagem crítica a respeito da atual situação vivenciada por toda a população, em especial as crianças. Muitas vezes as ações tomadas não estão realmente beneficiando as crianças e os adolescentes, os quais podem e devem ser ouvidos para que as metas e os planos sejam devidamente traçados.

Leia o artigo na íntegra:

01.

As crianças, até há pouco tempo, eram ignoradas ou sem relevância social ou legal. Seus desejos, opiniões e sentimentos tinham pouca ou nenhuma importância. Não deveriam se manifestar e sequer eram ouvidas.

Foi com a entrada em vigor da Constituição Federal e depois do Estatuto da Criança e do Adolescente que ocorreu uma ruptura legal deste paradigma. Passou-se a considerá-las, de maneira correta, como verdadeiros sujeitos de direitos e de garantias. Direitos iguais aos dos demais cidadãos, como, por exemplo, direito à vida, à saúde, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre outros.

Em razão desta mudança, novos horizontes se descortinaram para as crianças e adolescentes, posto que reconhecendo-os como sujeitos de direitos, ganharam voz. Nesse sentido, o Estatuto da Criança e do Adolescente, ao tratar do direito à liberdade, deixou expressamente consignado que tal direito compreende a liberdade de opinião e expressão (art. 16, II). Em outras palavras, a criança e o adolescente podem e devem emitir opinião.

Para determinadas situações, como, por exemplo, a colocação da criança ou adolescente em família substituta, a sua manifestação de vontade é extremamente relevante. Diz a lei: “sempre que possível, a criança ou o adolescente será previamente ouvido por equipe interprofissional, respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as implicações da medida, e terá sua opinião devidamente considerada” (ECA., art. 28, § 1º).  Ato contínuo, o § 2º do mesmo artigo ainda ressalta, indo além: “Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de idade, será necessário seu consentimento, colhido em audiência”. No mesmo sentido, o Estatuto na parte que trata sobre a adoção estabelece, novamente: “em se tratando de adotando maior de doze anos de idade, será também necessário o seu consentimento (ECA., art. 45, § 2º).

Todo este procedimento tem uma lógica, ou seja, medidas que serão tomadas em relação à criança e ao adolescente, precisam levar em consideração a sua manifestação de vontade, a sua opinião, o seu consentimento. Dessa maneira, será devidamente valorizado o seu “superior interesse”, que é o princípio que norteia todas as relações infanto-juvenis.  É necessário perguntar à criança e ao adolescente o que estão sentindo em relação a sua situação pessoal, familiar, cultural, social etc.

 

02.

E essa manifestação de vontade, de liberdade de expressão e opinião deve ser colhida, dentro da esfera jurídica, com as cautelas necessárias, visando, sempre, preservar os direitos fundamentais da criança e prevenir a ocorrência de violência.

Nesse sentido, foi editada a Lei n. 13.431/2017, que estabeleceu procedimentos para oitiva de criança e adolescente vítima ou testemunha de violência. Apontou-se como direitos das crianças e dos adolescentes, entre outros, ser ouvido e expressar seus desejos e opiniões, assim como permanecer em silêncio; ser ouvido em horário que lhe for mais adequado e conveniente; sempre que possível, prestar declarações em formato adaptado (isto, para crianças e adolescentes com deficiência) ou em idioma diverso do português.

Define ainda a referida legislação duas formas de ser realizada a oitiva da criança ou do adolescente:

Art. 7º Escuta especializada é o procedimento de entrevista sobre situação de violência com criança ou adolescente perante órgão da rede de proteção, limitado o relato estritamente ao necessário para o cumprimento de sua finalidade.

Art. 8º Depoimento especial é o procedimento de oitiva de criança ou adolescente vítima ou testemunha de violência perante autoridade policial ou judiciária.

Constata-se do exposto, que a legislação demorou, mas finalmente reconheceu o direito da criança e do adolescente se manifestar e emitir a sua opinião, estabelecendo até um rito especial para esse procedimento, quando se revela notícia de ilícito da qual foi vítima.

A criança e o adolescente foram, enfim, reconhecidos como sujeitos de direitos. No entanto, apesar da legislação em vigor e da mudança de paradigma, indaga-se, diante do contexto atual, a real concretização desse direito fundamental “à consideração da opinião das crianças e adolescentes”. Estaria ele sendo efetivado? A oitiva deste grupo da população está realmente ocorrendo e sendo considerada? Alguém perguntou às crianças como elas estão se sentindo?

Se, no aspecto jurídico, o lugar das crianças e adolescentes foi efetivado, cabe enfatizar a importância da escuta de seus anseios, preocupações, medos e sentimentos, na vida e nas relações cotidianas. Em um momento atípico da história, no contexto da pandemia do novo Coronavírus, a saúde mental de crianças e adolescentes deve ser objeto de atenção e, para tanto, é necessário ampliar o olhar para enxergar o que elas estão sentindo ou o que conseguem demonstrar ou expressar.

03.

Com a pandemia, que estamos enfrentando, as crianças de todo o mundo tiveram suas atividades escolares interrompidas abruptamente. Interromperam processos de aprendizagem escolar, encontros afetivos, desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais. Muitas perderam a rede de apoio e de convivência extra núcleo familiar. Perderam a liberdade de ir e vir – juntamente com seus pais, familiares, conhecidos e desconhecidos. Direitos, como o lazer e o brincar, foram restringidos. Escancarou-se a desigualdade. Desabou sobre nós a quebra de nosso cotidiano rotineiro.

Na realidade desigual do Brasil, vemos cenários bem distintos entre a rede pública e a rede particular de educação. Por um lado, a escola pública com inumeráveis dificuldades para garantir que o ensino chegue aos alunos, porque, em se tratando do básico para o ensino à distância, faltam internet, equipamentos tecnológicos e formação adequada aos professores. Alunos, professores e famílias da rede pública perderam muito. Perderam uma importante fonte de alimentação (muitas faziam a principal refeição na escola), além de viverem em situação de grande vulnerabilidade econômica, social e afetiva. O acesso ao ensino ficou limitado e o contexto social e familiar em que vivem nem sempre oferece às crianças e jovens oportunidades de desenvolvimento. E, com tudo isso, alguém perguntou a uma criança da escola pública, de baixa renda, exposta a um contexto social de vulnerabilidade, como ela está se sentindo?

Nos bastidores da rede particular de ensino, há um movimento de preocupação excessiva de escolas e famílias. Ambos os grupos ficaram perdidos entre tudo aquilo que deveriam cumprir como ideologia, metas de ensino e as obrigatoriedades previstas pelo Ministério da Educação – MEC e pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Educação do país. De modo geral, o movimento das escolas particulares foi de continuar tentando cumprir programas e cronogramas. O ensino remoto foi improvisado, com professores procurando estratégias de todos os tipos para engajamento dos alunos. Começou-se uma infinidade de exigências de prazos, de presenças em aulas online, entregas de trabalhos e tarefas, entre outras. O modelo se transformou, mas as exigências se mantiveram. A regra da presença em aulas e o cumprimento de tarefas continuaram valendo para crianças de qualquer idade, o que, obviamente, ignora diversos aspectos importantes da pedagogia, psicologia e do próprio direito à educação. Neste novo formato de escola, alguém perguntou às crianças como elas estão se sentindo?

Muitas das famílias se desorganizaram afetiva e emocionalmente. A convivência se intensificou e a privacidade se perdeu. O que fazer com os filhos, o que fazer com o trabalho, como cuidar da casa e como acompanhar as atividades escolares? A maioria das famílias, independentemente da realidade socioeconômica, não faz ideia de como criar condições de ensino apropriadas, simplesmente porque não tem formação e nem experiência para tanto. Os pais se estressam, exigem que os filhos realizem as tarefas e/ou que estejam atentos às aulas. As crianças resistem a realizar as tarefas pelo simples fato de estarem sendo exigidas em um contexto completamente diferente daquele em que estão acostumadas. E, principalmente, porque todos (adultos e crianças) estão emocionalmente vulneráveis.

As crianças percebem que não cumprem com as exigências impostas e se frustram. Algumas manifestam o desconforto abertamente outras, se calam. E, em algum momento, todas adoecem ou adoecerão (emocionalmente). As crianças estão irritáveis, intolerantes, ansiosas. As crianças estão com tiques, roendo as unhas, mordendo as pessoas, dormindo mal, comendo pior, infantilizando comportamentos, etc. Elas encontraram formas alternativas de expressarem o mal-estar e sofrimento. E, quase sempre, são punidas pelos novos comportamentos que apresentam.

O contexto gera sofrimento e expressá-lo de forma apropriada depende de uma série de habilidades cognitivas e não cognitivas que muitos indivíduos não desenvolveram ao longo de todo uma vida. Por que esperar isso na infância?

Escolas e famílias entraram em conflito. Na rede pública a exigência é para o mínimo, a oportunidade de manter os estudos. Na particular, o aspecto financeiro torna-se mais um motivo de preocupação. Como continuar pagando uma escola que já não é a mesma? Como manter a qualidade do ensino ou a própria instituição sem recursos? A escola cobra conteúdos para manter o cronograma, os pais exigem que os filhos cumpram e mantêm a demanda para a escola.

Após meses de ensino remoto veem-se professores estressados, alunos desmotivados e gestores ansiosos. A saúde mental de todos em alerta. É urgente, portanto, a necessidade de refletir sobre o que nós, adultos – pais, familiares, professores e gestores – estamos impondo e, sobretudo, sobre o que de fato é importante neste momento.

Se o mundo mudou, se tudo mudou, faz sentido mantermos as mesmas práticas? Se tudo mudou, se tanto se perdeu, faz sentido que as crianças simplesmente cumpram atividades e prazos? Faz sentido que as famílias cobrem os mesmos conteúdos da escola e o padrão de desempenho dos filhos num modo de aprender totalmente novo? Qual o sentido de as crianças serem avaliadas em formatos tradicionais de provas? Ainda mais pensando que a interação dos alunos com os professores ficou limitada, distante. Sem afeto é difícil que haja aprendizagem. Sem bem-estar, a relação ensino-aprendizagem é totalmente comprometida.

Se a escola tem um papel fundamental na formação dos indivíduos, faz sentido manter a rigidez do programa curricular previsto na pré-pandemia, cumprir cronogramas, e, com isso, ensinar a não flexibilizar? Faz sentido oferecer um modelo onde falta empatia, compreensão e solidariedade? Faz sentido que os professores sejam expostos a um volume maior de trabalho, mesmo estando em isolamento? Sem que tenham sido preparados adequadamente com o novo modelo de aulas virtuais/remotas/interativas/domiciliar? Faz sentido que as famílias tenham que transformar suas casas em escolas apesar do trabalho de cada um, com as intensas atividades de home office diárias e dos afazeres domésticos?

O que deve permanecer depois que tudo isso passar? Crianças com sinais de depressão, ansiedade e com outras possíveis variações de comportamento. Crianças com experiências de aprendizagem negativas. Crianças sem notas ou com excesso de notas por atividades feitas por fazer, crianças devendo atividades, projetos. Relações desgastadas entre escolas e famílias, entre pais e filhos. Professores esgotados física e emocionalmente. Sem professores saudáveis, como será o retorno?

A pandemia irá passar e o conteúdo que hoje possa estar perdido, mas que é importante, será e deverá ser adequadamente ensinado e aprendido. Há tempo para isso. Pode-se afirmar que, do ponto de vista da aprendizagem de conteúdos acadêmicos, não haverá perda irreparável. Isto é fato: uma vez que se criem oportunidades de aprendizagem, a aprendizagem ocorre. O mesmo, infelizmente, não ocorre com a saúde mental. Experiências estressoras e traumáticas geram danos, estes sim podem ser irreparáveis. E o que resta são problemas que precisarão ser remediados.

04.

Diante de um cenário que pode possibilitar o retorno às aulas presenciais, indaga-se como será a adaptação das crianças, principalmente as mais novas. As crianças querem voltar para as escolas porque querem reencontrar os amigos, professores, afetos e não porque acham que o seu aprendizado está prejudicado. O conteúdo tão valorizado precisará necessariamente ser colocado em segundo plano. Não há aprendizagem sem saúde mental preservada. Não há aprendizado sem bem-estar. É fundamental buscar-se o equilíbrio. Um novo período de adaptação deverá ocorrer, pois não ocorrerá uma continuidade de onde se parou.

O momento exige escuta. Escutar os anseios, medos, angústias e preocupações, de todos os envolvidos. Abrir espaço para conversas e expressão de sentimentos. Incluir as crianças e jovens no debate sobre como continuar. Abertura ao novo, criatividade, flexibilidade, manejo de estresse, são algumas das habilidades socioemocionais necessárias para o enfrentamento deste mundo em transformação. Incorporá-las ao contexto da escola nunca foi tão necessário.

É dever de toda a sociedade cuidar das nossas crianças e adolescentes. Começar por ouvi-los é um passo importante. Experimente perguntar agora a uma criança: “como você está se sentindo?” A resposta poderá surpreender.

 

Luiz Antonio Miguel Ferreira - Advogado e consultor. Promotor de Justiça aposentado do Estado de São Paulo. Mestre em Educação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Membro do Conselho Consultivo da Fundação Abrinq e Sócio Efetivo do Todos pela Educação.  Sócio do Instituto Fabris Ferreira.

Luiz Gustavo Fabris Ferreira - Advogado. Sócio do Escritório Luiz Antonio Miguel Ferreira Advogados. Sócio do Instituto Fabris Ferreira.

Lygia T. Durigon - Psicóloga (CRP 06/84744). Mestre e Doutora em Análise do Comportamento, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Coordenou o curso de Especialização em Análise do Comportamento Aplicada ao TEA no Centro Paradigma de Ciências e Tecnologia (SP), onde, atualmente, atua como orientadora de pesquisa e docente de cursos livres.

Clarice Krohling Kunsch - Psicóloga (CRP 06/83697) e Pedagoga. Mestre em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano, pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Some effective tactics for preventing drug use

National and international drug prevention networks, community leaders and strong community coalitions are the key to changing public attitudes and reducing the availability of illicit drugs worldwide. Some effective tactics include promoting drug demand reduction principles and raising awareness of the social consequences of drug abuse and addiction. Below you will learn about many other strategies that have been implemented and have successfully reduced drug use from a global perspective to the site.

How can we prevent drug use around the world?

- We need to make people aware that drug use is not normal and is not part of their ripening process.

- We can increase funding for prevention and education efforts to raise awareness of the dangers of drugs at all school levels - from elementary school to higher education.

- We must work to keep our laws strict against the use of marijuana and other drugs at the federal and state levels to ensure that more people do not fall into addiction.

- The establishment and funding of courts for drug addicts - the only chance some have of getting the help they need - should be supported to help dependents.

- We need to seriously consider how implementing drug testing can help identify those who need treatment in the workplace and in schools.

How can we help prevent drug use in our communities?

- We need to ensure that drug prevention includes schools, workplaces, community centers, places of worship, and families that come together to communicate a healthy abstinence-based lifestyle.

- Youth should be an essential part of prevention efforts.

- The treatment that leads to the elimination of drug use allows the addict to know that we have not given up on his life; as a community, we care enough to help them achieve their goals.

- Communities should work together to increase activities that are an alternative to drug use, especially for our young people.

How can we help our schools be drug-free?

- Drug education curricula should present a clear and unused message.

- School administration, parent groups and student organizations should consistently support healthy, drug-free lifestyles and reject "safe" or "responsible" use messages.

- The random drug test with students gives students an easy way out of pressure from colleagues and an indisputable reason to say no.

- The school community should encourage positive reinforcement for good choices and support the consequences for inappropriate behaviour.

- School administrators should promote an open dialogue and listen to concerns about drug use in their schools.

- Drug or alcohol abuse is not a rite of passage or inevitable; in fact, most students don't do drugs.

What are some proven ways for parents to help prevent drug use?

- Talk to your kids - start the conversation about not using drugs, use current events as examples, be honest about your story to encourage your confidence, come up with a plan on how to rescue your child from a risky situation, establish ground rules for expected behavior, and enforce these rules consistently.

- Make family dinners - children who eat with the family less than 3 times a week are 2 1/2 times more likely to use tobacco and marijuana.

- Monitor your teen's activities and internet use - prescription drugs are easily obtained without a prescription over the web and have proven to lead to the use of illegal drugs.

- Be an example - children do what they see.

- Be active in your house of worship - a teenager who is religiously involved is half as likely to use marijuana as a teenager who is not.

- Recognize your role as the most influential factor in your child's life and face the challenge.

- Educate yourself about the most commonly used drugs and their effects.

Source: https://www.dfaf.org/drug-prevention-qa/

What is prevention science?

Do you know what Prevention Science is?

The partners of Freemind and ISSUP Brasil, Rodrigo Flaire – State Coordinator of Drug Policies of São Paulo – and Claudemir dos Santos – Technical Director of Prevention of COED-SP, in this video, explain and give examples of what is and how prevention science can be used to make decisions based on scientific evidence. Here's what they say:

Science is a branch of knowledge of empirical* nature, logical and systematic, in which it is possible to validate and demonstrate the data and results, with methodology.

In the science of prevention, despite a knowledge of an empirical nature, a methodology is respected and the results are proven.

So science escapes from "achismo", from simple assumptions and is based on validated data that can really be proven. So how is the link between science and prevention science done?

The science of prevention is a set of several studies and scientific findings that have been validated for actually working and that shows us what knowledge is needed to build truly effective prevention initiatives.

The science of prevention takes great account of the study of epidemiology and etiology.

Epidemiology is one of the studies aimed – in the human population – to understand the spread of diseases, evolution, what are the determinants and how often they present themselves in society.

Etiology seeks to understand the causes and origins of this problem. This is very important because it helps the science of prevention to understand what are the risk factors and protective factors associated with substance use.

Logically, the science of prevention is linked to the prevention of any type of disease, whether mental or behavioral, in general.

Protective factors can be biopsychosocial and environmental factors.

Prevention science seeks to understand which prevention and protection initiatives can have large-scale impact, outcome and effectiveness.

So, this is a challenging subject: when we talk about prevention science, we are talking about science, drug use prevention and abuse and we have a relationship with many bases: we have to talk about psychology, medicine, social sciences, services, social, education, economics, public health and others.

Thus, the science of prevention is a very complex and systemic science too much with these medical relationships and these social relationships.

It is important to respect this perspective of science, to respect the methodologies for making decisions.

One of the great objectives of prevention science and influence programs and public policies. We can't make decisions based on achismos. Decisions need to be made according to scientific evidence.

One of the most common examples is that the science of prevention has already been able to demonstrate that it does not take former users to talk, giving their testimony and their life story to children and adolescents. This attitude, more than generating a fear or a revulsion for use and abuse, generates a curiosity. This has an iatrogenic effect - an effect contrary to what was desired. This has already been proven!

We have to understand what the evidence is, what the methodologies are and what the results of our actions are. The science of prevention is here for this: to generate data and influence, mainly, new programs and public policies.

We follow this challenge: Always prevent!

* For science, empirical is a kind of initial evidence to prove some scientific methods, the first step is observation, to then do a research, which is the scientific method. In science, much research is carried out initially through observation and experience.

What is the target of the marijuana industry?

According to a new study,unlicensed marijuana dispensaries in California are opening in black and Latino neighborhoods at a disproportionately high rate, following a similar pattern taken by alcohol and tobacco retailers.

Researchers say this trend could worsen existing health disparities for minority and poor communities because highly potent products sold in unlicensed dispensaries are less likely to be tested for safety, have no safe packaging for children, and are often cheaper than highly regulated products found in licensed dispensaries.

The study also found that California neighborhoods with licensed dispensaries tend to be wealthier and less diverse, suggesting that regulators are neglecting industry monitoring in poorer communities.

"The marijuana industry likes to paint legalization as a social justice issue, but in reality minority communities are being disproportionately harmed by legalization. Young blacks and Hispanics are still arrested at much higher rates for marijuana-related crimes in states where marijuana is legal," said Dr. Sharif Mohr of the Drug Free America Foundation.

"In addition, it is minority communities that will suffer a much greater burden from cannabis use disorder and addiction as unlicensed dispensaries proliferate in these communities."

Read the full study:

https://www.dfaf.org/new-study-finds-marijuana-industry-targeting-black-and-latino-communities/

(Source: Brook Staggs, Orange County Register, August 27, 2020)

Brazilian experts speak out about the poisoning cases and deaths from diethylene glycol present in Brazilian craft beers

Dr. Zila M. Sanchez, Camila L. Oliveira, Dr. Ronaldo Laranjeira and Dr. Raul Caetano had a Letter to the Editor published in the Journal of Studies on Alcohol and Drugs, where they talk about cases of poisoning and deaths from diethylene glycol present in Brazilian craft beers. Read the letter in full:

Dear editor:

Since December 30, 2019, Brazil has had several cases of intoxication due to beer intake (State Department of Health, 2020a), the alcoholic beverage most consumed by Brazilians (World Health Organization, 2018). An ongoing investigation, coordinated by the Center for Strategic Information on Sanitary Surveillance of Minas Gerais (CIEVS-Minas), the Brazilian state where the poisoning occurred, detected diethylene glycol (DEG) in a specific brand of craft beer, the "Belorizontina" produced by Cervejaria Baker, a small company founded in 1999 (State Department of Health, 2020a).

DEG is an odorless, colorless, viscous and hygroscopic liquid with a sugary and extremely toxic taste (Winek et al., 1978). The substance is not used in the regular formulation of beer, but can be applied industrially in solvents, resins, antifreezes, paints and glues (Snellings et al., 2017). Historically, since 1937, the DEG has also been involved in other cases of mass poisoning in several countries. However, almost all documented cases involved contamination of pharmaceutical preparations or medications, most of which occurred in low- and middle-income countries (Schep et al., 2009).

The victims of poisoning in Brazil had acute renal failure, neurological symptoms (facial paralysis, visual blurring, amaurosis, sensory alterations, descending paralysis and convulsions) and gastrointestinal symptoms (nausea, vomiting and / or abdominal pain) (Secretary of State for Health, 2020a), all clear indicators of DEG poisoning (Alfred et al., 2005). The first death was recorded on January 8, 2020.

Brazil is a country with a limited set of policies for alcohol, most of which are poorly implemented (World Health Organization, 2018). However, Law 8.918 / 1994 and Decree 6.871 / 2009 guide the standardization, classification, registration, production and supervision of beverages [all types], assigning to the Ministry of Agriculture the responsibility for the supervision of the production of alcoholic beverages (MAPA; Brazil, 1994, 2009).

After a month of investigation, MAPA still finds new batches of contaminated Backer beers, totaling 41 lots (I.e., 2020), which led the company to disclose on its website the court decision to remove the distributed beers and encourage its customers to avoid any consumption of the collected product (O Globo, 2020).

On February 5, 2020, 30 suspected cases of exogenous DEG poisoning were reported. Of these, 26 patients are male and 4 female. Four cases have been confirmed and the remaining 26 are still under investigation because they present signs and symptoms compatible with DEG poisoning and beer exposure. Six patients died. One of these deaths was among the four cases in which the presence of the DEG substance was confirmed in the blood. All cases are located geographically in Minas Gerais (State Department of Health, 2020a).

Despite all the evidence obtained during the investigation, Backer continues to state that he does not use DEG at any stage of the manufacturing process of his products, and does not recognize the presence of the substance in his beers. The company's production remains paralyzed and the products are prohibited from being marketed throughout the national territory, as determined by the National Health Surveillance Agency (ANVISA) (State Department of Health, 2020b) of the federal government.

Published in July 2020 in: Journal of Studies on Alcohol and Drugs, 81(4), 522–523 (2020).  Posted online August 18, 2020 at: https://www.jsad.com/doi/full/10.15288/jsad.2020.81.522

Poisoning and deaths from diethylene glycol contamination in Brazilian craft beers

Webinar: The risks of marijuana use and emerging tobacco products in adolescence

The risks of marijuana use and emerging tobacco products during adolescence will be the subject of the next webinar of the Federal Council of Medicine (CFM). Next Friday, August 28, the eveof The National Day to Combat Smoking, the event will be held through the CFM YouTube channel, promoting an online debate. The meeting will target doctors and lawyers.

Organized by the Cfm's Lawful and Ilic drug control commission, the webinar will also discuss the challenges faced to control tobacco use and devices such as electronic cigarettes, hookah and heated tobacco, as well as the losses associated with consumption by adolescents.

In Brazil, the number of smokers has reached a significant reduction over the last decades, from 32% of the population in 1989 to 9.3% in 2018. Smoking, however, continues vigorously around the world, thanks to aggressive industry strategies for promoting new products.

During the CFM webinar, Alberto José de Araújo, president of the Commission against Smoking of the Brazilian Medical Association (AMB) and coordinator of the Working Group (WG) on Licit and Illicit Drugs of the Regional Council of Medicine of Rio de Janeiro (Cremerj) will discuss the points presented at the event with the public defender of the State of Paraná, Bruno Muller Silva.

The event will take place this Friday, from 18h, on the CFM channel on YouTube.

Participation is free of charge. Just access the link: www.youtube.com/user/cfmedicina

Webinar CFM

The risks of marijuana use and emerging tobacco products in adolescence

Moderator:

Christina Hajaj Gonzalez, federal counselor and coordinator of the Commission for The Control of Licit and Illicit Drugs of the Federal Council of Medicine (CFM).

Exhibitors:

Theme The risks of marijuana for young people - João Paulo Becker Lotufo, pneumopediatrician, member of the Cfm's Commission for The Control of Licit and Illicit Drugs and Responsible for the Drug Prevention Gt of the Brazilian Society of Pediatrics (BpS).

Theme: The risks of the use of hookah for young people - Maria das Graças Rodrigues de Oliveira, pediatrician of the Medical Association of MG and member of the Commission to Combat Smoking of AMB.

Theme: The risks of electronic cigarettes and heated tobacco for adolescents - Gustavo Zabert, pulmonologist, president of the Asociación Latinoamericana del Tórax (ALAT) and member of the Board of Directors International Respiratory Societies (IRS).

Debaters:

Alberto José de Araújo, member of the Cfm's Commission to Combat Licit and Illicit Drugs, Coordinator of the WG – CREMERJ on Licit and Illicit Drugs and President of the AMB Tobacco Control Commission.

Bruno Muller Silva, public defender of the State of Paraná.

Uso de cannabis aumenta a incidência de psicose?

Será que a legalização e comercialização do uso de cannabis aumentam a incidência e prevalência de psicose?

Há uma tendência mundial política de liberalização e comercialização da cannabis. Uruguai legalizou a cannabis recreativa em 2013, assim como o Canadá em 2018, assim como 10 estados dos EUA. Outros países descriminalizaram o medicamento. Na Holanda, a cannabis pode ser comprada em cafés designados, e em Portugal, a polícia encaminha aqueles que regularmente usam cannabis para aconselhamento. Os psiquiatras desempenharam um papel proeminente no debate sobre as consequências para a saúde da legalização em muitos países, especialmente no Reino Unido, mas o debate público nos EUA tem sido notável pela ausência de contribuição de psiquiatras.

O tetrahidrocanabinol é responsável pelo “alto” que aqueles que adoram cannabis gostam. A proporção de tetrahidrocanabinol em cannabis aumentou de 3% ou menos em muitas formas tradicionais de ervas para uma média de 10% para 15% na Europa e América do Norte. No Colorado, o primeiro estado a legalizar o uso recreativo, a potência disparou acima de 70% com conteúdo de tetrahidrocanabinol em quebra (extrato de cannabis sólido) e salpicos de cera (extrato de cannabis macio e semelhante ao mel).

Naqueles estados dos EUA que legalizaram a cannabis, o preço caiu e tanto o uso quanto a dependência de cannabis aumentaram entre os adultos. O risco de dependência entre aqueles que usam cannabis foi estimado em 9% no início da década de 1990, mas aumentou junto com a potência, com 1 relatório sugerindo que agora está mais perto de 30% . Overdoses não intencionais e dirigir embriagado aumentaram significativamente. Há preocupação sobre os efeitos da cannabis no feto, particularmente porque muitas mulheres parecem usar cannabis durante a gravidez para neutralizar as náuseas. Aqueles que ativamente usam cannabis mostram deficiência cognitiva enquanto estão intoxicados, mas não está claro se os efeitos persistem depois de parar de usar cannabis.

Existem alguns relatos de que o consumo de cannabis aumenta o risco de depressão e suicídio, mas de longe a evidência mais forte diz respeito à psicose. Numerosos estudos perspectivos têm mostrado que o uso de cannabis carrega um risco aumentado de psicose semelhante à esquizofrenia tardia. Sideli et al afirmam que “… revisões sistemáticas e estudos metodologicamente robustos confirmaram o importante papel do uso de cannabis na iniciação e persistência de transtornos psicóticos. ” De fato, de 13 possíveis estudos longitudinais, 10 mostraram que aqueles que usam cannabis tinham um risco significativamente aumentado de psicose em comparação com aqueles que não, enquanto 2 dos 3 restantes mostrou uma tendência na mesma direção.

A potência da cannabis é considerada alta se contiver acima de 10% de tetrahidrocanabinol. Há uma resposta à relação dose-resposta em quem usa cannabis de alta potência moderadamente (o risco dobra), fortemente (aumenta 5 vezes) e diariamente (aumenta até 9 vezes). O último risco relativo é semelhante ao risco de câncer de pulmão em quem fuma 30 cigarros por dia. Aqueles indivíduos que têm uma história familiar de psicose e aqueles que começam a usar cannabis na adolescência (o que é muito comum) parecem especialmente vulneráveis. Pacientes com diagnóstico de psicose que continuam a usar cannabis têm um prognóstico pior do que aqueles que deixam de usá-lo, com episódios mais frequentes e períodos mais longos de hospitalização para suas doenças.

Os críticos propuseram uma série de explicações alternativas à hipótese causal, mas um por um, estes foram refutados.  Confusos pelo uso de outra droga uso ou por desvio psicológico anterior não negam o efeito da cannabis. Foi levantada a hipótese de que os pacientes podem usam cannabis para neutralizar os sintomas de psicose, ou mesmo acalmar a ansiedade no pródromo, mas dados empíricos não confirmam esta hipótese.

Uma crítica mais pertinente à hipótese causal é que aqueles que são geneticamente predispostos à esquizofrenia pode ser mais propensos a usar cannabis do que o resto da população. Alguns estudos sugerem que uma pequena proporção da variação no início do uso de cannabis pode ser explicado por tal predisposição genética - outros discordam. No entanto, se houver algum efeito, é pequeno e não pode explicar a forte associação entre o uso diário de cannabis de alta potência e psicose posterior.

Muitas vezes esquece-se que o tabaco foi inicialmente considerado uma planta natural e inofensiva. Os problemas de saúde apenas vieram à tona depois que a indústria do tabaco inventou cigarros para facilitar o uso, produzidos em massa e comercializou-os usando publicidade persuasiva. Os preços dos cigarros despencaram e os governos foram seduzidos pelo emprego e pelos rendimentos fiscais gerados. Uma habilidosa campanha até convenceu muitos psiquiatras de que fumar cigarros poderia neutralizar a deficiência cognitiva na esquizofrenia.

Da mesma forma, a legalização da produção de cannabis e a venda criou uma indústria em rápido crescimento com grande interesse financeiro na promoção do uso da cannabis. Como resultado, a comercialização de cannabis é agora desenfreado, e uma variedade deslumbrante de produtos de cannabis em forma de sorvete, bolos e doces está disponível. Um recente relatório de vendas legais anuais de cannabis projetam $ 66,3 bilhões até 2025. Empresas de Tabaco e de álcool estão comprando na indústria. Lobby sofisticado e marketing da indústria de cannabis destacam a receita tributária para os governos e os benefícios para a saúde do “uso médico". Tal como acontece com os primeiros relatórios, há mais de 60 anos, de uma associação causal entre o tabagismo e câncer de pulmão, a indústria da cannabis nega ou minimiza a evidência de que o uso de cannabis aumenta o risco de psicose.

Os efeitos adversos de longo prazo do tabaco e do álcool rastreiam a extensão de seu uso, sendo que ambos são fortemente influenciados por seu preço e disponibilidade. Câncer de pulmão atingiu proporções epidêmicas após a propagação do tabagismo, e a frequência da doença hepática alcoólica aumenta e diminui em proporção às mudanças no consumo de álcool da população.

Evidências crescentes sugerem que este também é o caso da cannabis e da psicose. Boydell e cols. mostraram que a incidência de esquizofrenia dobrou em Londres, Inglaterra, entre 1965 e 1999 e atribuiu muito disso ao aumento do uso de cannabis. Hjorthøj et al demonstraram que a incidência de psicose induzida por cannabis mais que dobrou na Dinamarca entre 2006 e 2016. Gonçalves-Pinhoet al relatou que as taxas de hospitalização por transtornos psicóticos em Portugal aumentaram 29 vezes nos 15 anos após descriminalização; a porcentagem de pacientes com transtorno psicótico e uso documentado de cannabis aumentou de 0,87% para 10,60%.

Di Forti e colegas descobriram que a taxa de incidência de psicose em 11 áreas em 5 países na Europa foi altamente positivo-correlacionado (Pearson r = 0,8; P = 0,01) com a prevalência de uso diário de cannabis na população geral em cada local. Eles calcularam a fração atribuível à população do primeiro episódio de psicose atribuída à cannabis em 12% em seus sites como um todo. No entanto, a fração atribuível à população foi maior nas 2 cidades com a cannabis de maior potência, Londres e Amsterdã, onde foi estimado que 30 e 50% dos novos casos de psicose, respectivamente, seriam evitados se ninguém fumasse cannabis de alta potência.

É inevitável que a legalização da cannabis recreativa resulte em mais dependência e psicose? Em teoria, é possível legalizar a cannabis de maneiras que não aumentem a potência e a prevalência do uso, mas, até agora, a experiência com a comercialização na América do Norte não é encorajadora. Os governos que decidem legalizar a cannabis devem usar parte da receita tributária para monitorar o preço, o consumo e os níveis de potência da cannabis e para avaliar cuidadosamente as repercussões de longo prazo para a saúde mental em diferentes estados dos EUA e Províncias canadenses. Tal monitoramento permitiria que as políticas fossem desenvolvidas para minimizar os danos. Na ausência de tal abordagem, parece provável que a comercialização atual de cannabis recreativa na América do Norte será seguida em alguns anos por um aumento na incidência de novos casos de psicose e na prevalência de pessoas com psicoses mais crônicas.

Artigo traduzido do inglês pelo Google tradutor.

Anexo abaixo o artigo original.

Fonte: JAMA Psychiatry Published online April 8, 2020 E1; © 2020 American Medical Association. All rights reserved.

Downloaded From: https://jamanetwork.com/ by a Paris Sud University User on 04/08/2020

Autores:

  1. Robin M. Murray, MD Institute of Psychiatry, Psychology, and Neuroscience, Department of Psychosis Studies, King’s College, London, United Kingdom.

 

2) Wayne Hall, PhD Centre for Youth Substance Abuse Research, The University of Queensland, Brisbane, Australia

Putting a touch of Eternity into our lives

Father Haroldo Rahm lived and died at the age of 100 opening doors or building bridges to save lives. He was freemind's great inspiration and spiritual mentor. He left a legacy of living and written works that made him immortal. In his book "Every Day - 365 - Drugs - Prevention - Solutions" tells us about putting a touch of eternity in our life.

"There are moments, in the succession of hours and days, when life itself is made song... A silence. One word. A little gesture. A simple look or the timbre of the voice.

It's a letter or a phone call we got. The poetry of the rising sun or the nostalgia of the sunset. The wings of a butterfly, the smile of a child, the serenity of an adult, the patience of an elder.

The fragrant language of flowers. The phrase in a book. The tenderness of a song that touches our sensitivity or awakens in us old experiences. These are moments of indescribable simpleness that give us to drink a little sky, green and blue. The green of hope. The blue of infinite space. Flashes that are of eternity."

"Father, help me to desire forgiveness from You and to admit my mistake to those I have harmed. I beg you to eliminate my fear of doing so."

"Afraid of nothing! Only love!" And now, more than ever, to dear Father Harald, our eternal gratitude!

A mídia como instrumento de mobilização social para a prevenção

🎯Quer aprender mais sobre o uso da mídia para a prevenção do uso de drogas?

📍Na Formação continuada deste mês, a Terra da Sobriedade contará com a participação de Paulo Martelli, Coordenador do Movimento FREEMIND e Presidente da ISSUP Brasil.

🗣️Ele falará sobre "A mídia como instrumento de mobilização social para a prevenção"

 

🗓️22/08/2020

⏰15 às 17horas

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A mídia como instrumento de mobilização social para a prevenção

Drogas colocam em risco toda a coletividade

Avolumam-se discussões sobre a descriminalização da posse de drogas para consumo pessoal, inclusive com recurso extraordinário ainda pendente de julgamento na Excelsa Corte acerca deste tema (RExt. 635.659).

No entanto, é assustador ver um membro do Ministério Público defender abertamente em artigo publicado em site jurídico, não a liberação da droga para uso próprio, com o que, aliás, não concordo, mas que o comércio ou mesmo a entrega gratuita de drogas, entre parte maiores e capazes, não gera lesão ou perigo concreto de lesão ao bem jurídico tutelado, que é a saúde pública.

Com efeito, para aquele articulista, tanto a posse para uso, quanto o tráfico de drogas, devem ser liberados, uma vez que as normas que punem essas condutas, para partes maiores e capazes, são inconstitucionais por violarem os princípios da legalidade e da lesividade.

Ledo engano.

Se, é certo, que o uso de drogas prejudica a saúde do usuário, o que ninguém coloca em dúvida, também é certo que ele não é o único prejudicado. A coletividade como um todo é colocada em risco de dano. A saúde pública é bem difuso, mas perceptível concretamente. E cabe ao Estado proteger seus cidadãos dos vícios que podem acometê-los. O vício das drogas tem o potencial de desestabilizar o sistema vigente, desde que quantidade razoável de pessoas for por ele atingida.

Não há levantamento do número de mortes por overdose ou por doenças causadas pelo uso de drogas ilícitas. Também não há estatística confiável do número de crimes que são cometidos por pessoas sob o seu efeito. E, também, não são sabidos quantos crimes são praticados pelo fato de a vítima ser usuária de drogas.

Mas uma coisa não pode ser negada, o malefício das drogas, seja de forma direta ou indireta, é muito grande.

Bem por isso esse crime é considerado de perigo abstrato, ou seja, o risco de dano não precisa ser provado, sendo presumido de forma absoluta.

Quem milita na área penal, notadamente no Júri, sabe que boa parte dos crimes de homicídio é cometida por pessoas que se encontram sob o efeito de drogas, sejam lícitas ou ilícitas. Muitos crimes são praticados contra os usuários de drogas por algum motivo relacionado ao seu vício (desentendimentos, pequenos crimes, dívida com traficantes etc.).

Um dos motivos que inibem o uso da droga é o fato dela ser proibida. Liberando o seu uso e o comércio, como aparentemente pretende o DD Promotor de Justiça, que é o que a descriminalização irá fazer, certamente vai incentivar a dela se valerem aqueles que têm medo das consequências, seja na área penal ou na social. Se, é permitido, porque não posso fazer uso social da maconha, da cocaína, do crack e de outras drogas? Essa indagação passará pela cabeça de inúmeras pessoas, mormente das mais jovens.

E pior, defende o membro do parquet que “… a criminalização da venda de drogas, entre pessoas maiores e no gozo de suas faculdades mentais, é inconstitucional, por violar princípios penais como os da legalidade e da lesividade, além de ser incapaz de proteger a “saúde pública”, pois não há demonstração de que a conduta possa lesá-la ou colocá-la em perigo concreto”, o que me leva a crer que, caso atue na área criminal, poderá promover o arquivamento de inquérito policial que apure o tráfico de drogas ou pedir a absolvição do traficante.

Uma das mais importantes funções do Membro do Ministério Público é a proteção da sociedade contra o flagelo do crime, que tem como um dos expoentes máximos o tráfico de drogas, que movimenta o crime organizado e destrói vidas, seja pelo uso e dependência da droga, ou de forma de indireta, já que dele derivam outros delitos tão ou mais graves, como o homicídio, lesões corporais, corrupção, lavagem de dinheiro e até mesmo o terrorismo.

Esquece, ainda, o DD Promotor de Justiça, que há obstáculo intransponível para a declaração da inconstitucionalidade do tipo penal de tráfico de drogas em todas as suas formas. Isso porque existe mandado de criminalização expresso no artigo 5º, inciso XLIII, da CF, determinando que a lei o considere como crime de especial gravidade, equiparado a hediondo, ensejando a seu autor, coautor ou partícipe, severas consequências penais e processuais penais. Nem mesmo por emenda constitucional referido dispositivo pode ser alterado ou revogado, por se tratar de cláusula pétrea, núcleo intangível da Constituição Federal (art. 60, § 4º, IV, da CF).

Por isso, o tráfico de drogas deve ser coibido e punido de forma severa, fazendo valer as finalidades preventivas (geral e especial) e repressiva da pena.

*César Dario Mariano da Silva, procurador de Justiça – SP. Mestre em Direito das Relações Sociais. Especialista em Direito Penal. Professor Universitário. Autor de vários livros, dentre eles Manual de Direito PenalLei de Execução Penal ComentadaProvas IlícitasEstatuto do Desarmamento Lei de Drogas Comentada, publicados pela Juruá Editora

Fonte: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/droga-prejudica-nao-apenas-o-usuario-poe-em-risco-toda-a-coletividade/

Parent participation and prevention at school

In another video of the channel Prevent Always, Rodrigo Flaire and Claudemir dos Santos end the series that deals with life skills, talking about the importance of parents' participation for prevention in school,about how parents can prevent risky behaviors by simply participating more actively in the school life of their children.

But have you ever heard of Life Skills? Do you know how they can help us?

The term "Skills for Life" has its origin in the publication of the guidelines of the Mental Health Program of the World Health Organization (WHO). Defined as skills that facilitate adaptive and positive behavior, they enable the individual to deal effectively with the demands and challenges of everyday life.

Who divided them into 10 classes: self-knowledge, interpersonal relationships, critical thinking, creative thinking, empathy, problem solving, decision making, emotion management, stress management and effective communication.

These skills are related to the promotion of psychosocial competence, assisting the individual in their own understandings, and facilitating relationships, which directly influences mental health, quality of life and prevention of drug use.

These skills can be taught and improved at any time in life. However, the earlier learned, the more coping resources the individual can acquire. Thus, if developed in childhood and adolescence, they can facilitate healthy development and assist in the demands of adulthood.

Participation of Parents

In mid-2016, some studies with society and some councils were initiated to write a Common National Curriculum Base (BNCC), linked to education.

This BNCC highlights some of these skills, which should be developed with the support of educators, managers and with the support of families also, in students from kindergarten to high school.

Therefore, the participation of parents with the school tends to further strengthen the learning of these skills. This is what is called multicomponent: what the school strengthens, you strengthen at home and this is very important!

Not to mention that studies show that if this prevention initiative comes from inside the house, its effectiveness and effectiveness is much greater.

Here are three questions:

  • Did your parents participate in your school life?
  • What difference did it make to you?
  • Do you do the same to your kids?

Watch the video in full and be sure to strengthen the prevention and protagonism of this care. Prevent, always!

Lições para uma vida sem drogas no futebol

Quando pensamos em fazer uma live para falar sobre Álcool e outras Drogas no mundo do Futebol, tínhamos a intenção de saber como um mundo cheio de glamour, regado a festas, mulheres e carros de luxo pode ser responsável pelo uso abusivo de drogas.

Uma vez definido o tema da próxima Live com Especialistas, fomos pesquisar o assunto e descobrimos que este mundo “maravilhoso” dos jogadores de futebol que ganham salários astronômicos só está acessível a cerca de 3% dos poucos atletas que conseguiram passar por uma peneira tão difícil quanto é a seleção destas crianças, segundo um relatório da Ernest & Young.

E, então, fizemos o convite a dois parceiros e amigos do Freemind e da ISSUP Brasil: Silas e Zé Elias.

Silas é Paulo Silas do Prado Pereira. Iniciou sua carreira no futebol no início da década de 80 como jogador, foi técnico de vários clubes e atualmente atua como comentarista da ESPN Brasil.

Zé Elias é José Elias Moedim Junior. Foi um dos mais jovens jogadores de futebol a vestir a camisa do Corinthians e atualmente é comentarista da ESPN Brasil.

Mas falar sobre drogas no futebol com dois ex-jogadores que nunca usaram drogas e nunca estiveram envolvidos em nenhum escândalo poderia ser um tiro no próprio pé ou deixar a desejar na questão do aprofundamento da questão que se queria debater.

Mas o que vimos acontecer durante a live do dia 05 de agosto de 2020, foi uma lição surpreendente de vida e de prevenção ao uso de drogas. Tanto Silas quanto Zé Elias falaram da importância da família e da educação no caminho certeiro que traçaram e seguiram em suas vidas.

Falaram do quanto é importante os pais passarem valores para seus filhos, desde muito pequenos e do quanto isso favoreceu o desenvolvimento pessoal e o crescimento de cada um deles.

Lembraram que, apesar de virem de famílias simples (como a maioria das crianças que tenta entrar para o mundo “fantástico” do futebol), os valores e a educação recebida em casa fizeram com que eles aprendessem a valorizar as coisas mais importantes e não as coisas mais supérfluas.

Comentaram que, na época em que eram crianças, os pais tinham autoridade sobre seus filhos e a utilizavam para dar um direcionamento correto na vida de cada um deles. Hoje, muitos pais terceirizam seu papel, delegando a outros a missão de educar e ensinar valores aos seus filhos.

Na vida da criança que quer ser um atleta conhecido e famoso, muitos pais entregam seus filhos (crianças, às vezes, com apenas 12 anos de idade) nas mãos de empresários e clubes que não estão preocupados em formar bons homens e mulheres, mas bons jogadores.

Dessa forma, as crianças que passam por esse funil tão estreito que seleciona os mais promissores, acabam crescendo sem uma estrutura básica familiar que poderia prepara-los para tomarem decisões corretas, como no caso da escolha entre usar ou não drogas.

As pressões neste meio são enormes: desde a difícil seleção (quando a maioria vê seus sonhos “ruírem” e se frustram ao não serem escolhidos), até a cobrança por resultados cada vez melhores. Nesse meio tempo, houveram vitórias e derrotas (essas, quase sempre a maioria).

Chegar no “topo” também exige do atleta um preparo imenso para suportar a vida longe de suas casas e famílias, a rotina estressante de treinos e partidas e a cobrança acirrada.

Sem uma estrutura familiar de base e sem uma educação voltada a ter valores éticos e morais, o atleta fica à mercê de comportamentos abusivos e destrutivos, de vícios como o uso de drogas e de violência.

Outro fator importante lembrado por nossos convidados, foi que a carreira de um atleta é muito curta: em média 15 anos. Por isso, é importante que ele entenda que estudar é importante e que aprendam a cuidar de suas finanças, porque muitos gastam todo o dinheiro que recebem e que, em muitos casos, apenas 2 anos após se aposentarem de suas carreiras podem estar completamente falidos.

Isto seria mais um fator que poderia leva-los ao uso de drogas...

Então, após uma hora de uma conversa surpreendente e agradável, podemos concluir o quanto a família (e o exemplo de seus membros) é primordial na decisão dos filhos de não usar drogas e seguir numa vida de sobriedade e sucesso.

Sim, sucesso! Porque, mesmo não sendo um dos 3% dos atletas que ganham salários astronômicos e que são reconhecidos no Brasil e no mundo, como disse o Silas logo no início do bate-papo: “Eu fico feliz de falar que hoje, depois de tantos anos em que fui feliz no futebol, a maior de minhas vitórias é ser feliz como pai, como filho e como esposo”.

Assistam a live na íntegra e surpreendam-se. Ajudem a divulgar. Vamos mostrar que uma vida de sucesso é possível e que a prevenção deve começar desde cedo, dentro de nossas casas, com o ensino de valores através do exemplo de nossos pais.

https://www.youtube.com/watch?v=Ko9r_lzDy6c

Perdeu ou quer rever a Live Álcool e outras Drogas no mundo do Futebol?

Drink in moderation. A non-preventive message

Drink in moderation. A healthy, well-meaning and responsible advice, transmitted by the alcoholic beverage industry in all its advertisements, aimed at preventing the problems of excessive alcohol consumption. Right?

I'm not so sure.

The first time I stopped to reflect on this was in my master's research in which most 15-year-old students agreed with the statement "it's okay for someone my age to drink as long as they know when to stop".

I wondered where this idea came from, since everyone knows that the consumption of alcoholic beverages is prohibited for children under 18 years and that this is not by chance. Science has known for a long time that the brain is developing until about 21 years of age and that the sooner there is contact with psychoactive substances such as alcohol, the greater the likelihood of damage and the development of future problems.

That's when it occurred to me that this perception of the students was related to the fact that they absorbed the message of beer advertisements rightly: it's okay to drink, as long as it's in moderation.

Let us take a closer look at this message. The verb drinking is conjugated in the imperative: drink. An order. Just missed completing: drink in moderation, but drink. A message perfectly inserted in our alcoholic culture (and promoting it) in which alcohol consumption is given as a certain, unquestionable fact.

Is this supposed preventive warning not a subtle message that is part of advertising aimed at stimulating consumption?

The best advice that the industry gives to its public, in order to prevent problems with alcohol excesses, does not even consider the possibility of not drinking. If you considered this possibility, your preventative message would probably take a different form: "if you drink, be moderate", "do not drink if you do not know how to have sober fun", "not drinking is the only safe way to have fun", "drinking excessively can prevent you from enjoying good times",and how many more warnings creativity can create considering the possibility of not drinking.

But no, according to the industry, it is necessary to drink. For her goals, it is important that young audiences receive the message so that they drink moderately, because this is the best way to get around the "radical orientation" of not drinking before 18, which is not at all interesting for business.

But isn't the beer advertising audience an adult?

I remember controversial advertisements from the beer industry (which were banned) clearly directed at children, through mascots and animations. The sooner there is brand identification and consumption, the greater the chances of having a loyal customer in the long run. And wouldn't that be exactly the goal of the alcohol industry: to increase the number of customers who are faithful throughout their lives? So the younger the audience is hit, the better.

Therefore, advertisements are expected to address (in)directly to the young audience. Elements such as irreverence, fun contexts, groups of friends, humor, puns, among others, make it easier for young people to identify themselves with the situation presented in advertising and with the consequent consumption of alcohol. Until you come to the natural and subconscious conclusion that the message "drink in moderation" is meant for him.

Perhaps this "healthy, well-meaning, and responsible" advice contributes to young people's perception that it's okay to drink before they're of age, "as long as it's in moderation." And once again it seems that the dollar sign speaks louder than any real concern for prevention and social welfare. Unfortunately.

* Text written by Raphael Masters and published in:

http://raphaelmestres.com/blog/beba-com-moderacao/

Students with disabilities and the Pandemic

Students with disabilities, almost forgotten in times of pandemic, need to be included in order to guarantee their right to education.

The pandemic collapsed our routine daily life and opened up the inequality that exists in society, and, consequently, of the educational system. The inequality of access to information and technology, as well as that of opportunities were presented in the educational agenda.

All who have a connection with education were affected - teachers, students, principals, pedagogical coordinators, parents - and the intensity was not uniform, since some were more severely.

Within this scenario, we highlight the situation of students with disabilities, who ended up receiving a significant impact in view of the abrupt closure of schools and the absence of an educational system that could respond to their demands.

It also deserves special attention in this pandemic scenario, the role of the school in this unusual situation, and what actions to develop for the effectiveness of an inclusive educational system.

With regard to students with disabilities, it is verified, once again, that it has been forgotten. There were several articles, publications and lives that dealt with education as a whole, but did not give proper attention to students with disabilities.

It was as if he did not exist or did not need and/or suffered from the closure of schools. This pandemic represented a setback in the treatment to be given to students with disabilities, as it referred their daily lives to an outdated paradigm of isolation.

Similarly, the school, which already had difficulties to deal with the student with disabilities in a situation of normality, due to the pandemic experienced now, made evident its unpreparedness.

However, the school is recognized as the "locus of equity", so it should provide all children and adolescents, including those with disabilities, equal access to culture, avoiding measures that accentuate eventual inequality. It must work to make the Inclusive Educational System effective, even in times of pandemic.

In view of this situation, doctors Luiz Antonio Miguel Ferreira, Luiz Gustavo Fabris Ferreira,of the Instituto Fabris Ferreira, together with Carlos Roberto Jamil Cury and Ana Maria Samuel da Silva Rezende,elaborated this article that focuses on the issue of students with disabilities in the face of the pandemic, and portrays not only the current situation with the interruption of classes and social isolation, but also their return and the difficulties that should be faced.

It is a very complete document that covers issues such as the right to education in times of pandemic, specialized educational care aimed at students with disabilities, protocols for a safe return to face-to-face classes and an opinion issued by the National Council of Education (its implications and questions) that deals with educational guidelines for conducting classes and activities in person and non-face-to-face in the context of the pandemic.

The document is annexed in its entirety. It's worth reading!

Marijuana: what the doctor needs to know

Marijuana is the most widely consumed illicit substance worldwide, with an estimated 192 million individuals reporting its use in the last 12 months in 2018, according to the 2020 World Drug Report of the United Nations Office on Drugs and Crime (UNODCP).

An article by Dr. Sergio Nicastri, a psychiatrist in the clinical staff of the Hospital Israelita Albert Einstein sought to summarize some relevant issues related to marijuana and its consumption.

Important points to highlight include the increase in THC levels over time in available marijuana preparations, as well as new forms of administration (vaporizers, synthetic products) and lasting, sometimes irreversible consequences, which are associated with the use of this substance, particularly among adolescents.

It should be considered that the potential for dependence exists, as well as that of accidents involving even individuals who use marijuana without being dependent.

And that, although there is a therapeutic potential of substances derived from marijuana, this fact cannot be used as a pretext for the release of recreational or indiscriminate use of marijuana, with all the social and public health impact potentially involved in this process.

Read the full article.

Alcohol and Immunity: Drinking can affect the body's defense

Abuse of alcoholic beverages can weaken the immune system and leave the body more exposed to diseases.

Staying healthy and adopting habits that strengthen immunity are recommendations of health professionals since the beginning of the pandemic of the new coronavirus - being important measures for the body to be better prepared if it comes into contact with the virus. In this context, alcohol abuse becomes a relevant point of attention.

According to several studies, excessive alcohol consumption can weaken our immune system, making the body an easier target for diseases. This is because defense cells are affected by over-drinking.

Impact of alcohol on immunity

Chronic and heavy use of this substance reduces the number of peripheral T lymphocytes and also seems to cause the loss of peripheral B lymphocytes - both related to the body's defense and which play an important role in the recognition and destruction of infectious organisms such as bacteria and viruses.

These changes end up compromising the ability to respond to pathogens (disease-causing agents) and contributing to increased susceptibility to infections, including viral infections, such as COVID-19.

Other studies also suggest that the harmful use of alcohol affects pulmonary defense systems, causing changes in the immune function of local cells. It could also weaken epithelial barriers in the lower airways and lead to lung and respiratory problems such as tuberculosis, acute respiratory distress syndrome (ARDS) and pneumonia - which is even more severe in this pandemic period.

According to the National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA), a world reference in the subject, chronic abusive drinkers are more likely to contract diseases such as pneumonia and tuberculosis than people who do not drink abusively.

Although research explores the damage associated with heavy alcohol use, especially chronically, it is necessary to make a warning: drinking too much on a single occasion - known as Heavy Episodic Drinking (BPE)* - also decreases the body's ability to avoid infections up to 24 hours after consumption.

Alcohol consumption in quarantine

This alert makes sense especially in times of quarantine, when the increase in alcohol consumption was reported by 18% of respondents in the ConVid survey, conducted by the Oswaldo Cruz Foundation (Fiocruz), in partnership with the Federal University of Minas Gerais and the State University of Campinas.

Associated with the frequency of feeling anxious or depressed, this growth had a higher record among people aged 30 to 39 years (26%). And the use of alcohol as a tool to deal with sadness, stress or anxiety in this period is dangerous.

Finally, it is important to reinforce that the effects of alcohol on health are influenced by several individual factors (genetic vulnerability, physical structure, gender, age, health condition, among others) and also according to different aspects of drinking (quantity, frequency, pattern of consumption). But exceeding low-risk consumption limits is always an unnecessary health threat that we must avoid - regardless of pandemic.

*BPE: consumption of 60g or more of pure alcohol (about 4 doses or more) on at least one occasion in the last month. A standard dose is equivalent to 14g of pure alcohol, which corresponds to 350mL of beer (5% of alcohol), 150mL of wine (12% of alcohol) or 45mL of distillate (vodka, whiskey, cachaça, gin, tequila, with 40% alcohol).

Source: https://www.minhavida.com.br/saude/materias/36511-alcool-e-imunidade-bebida-pode-afetar-a-defesa-do-organismo

Dealing with Feelings and Preventing Drug Use

*By Claudemir dos Santos and Rodrigo Flaire

In another video of Prevent Always, Rodrigo Flaire – State Coordinator of Drug Policies of São Paulo – and Claudemir dos Santos – Technical Director of Prevention of COED-SP, talk about how to deal with our feelings and our emotions and how this is related to the theme of prevention of drug use.

Knowing how to deal with emotions

One of the main life skills, according to the World Health Organization ( WHO ) is knowing how to deal with emotions. And this has a very strong correlation with emotional intelligence.

Psychology studies the four basic emotions a lot: anger, joy, sadness and fear and it is a challenge to talk about it and, above all, it is challenging to know how to recognize them so that, only then, to be able to deal with it.

And one key thing is to take this responsibility. For example: if I'm angry, one must recognize that feeling angry is a normal feeling and not blame anyone for it.

Even if this anger was caused by some external factor, it is necessary to understand that i am the one who is feeling the anger, and then I am the one who needs to decide how I will deal with that feeling.

It is very important to have this maturity to understand what we are feeling and be responsible, after all the responsibility for my feelings is mine and not the other.

In addition to this self-awareness about our feelings, we must seek to understand the emotions of others, develop empathy and pass it on to our relationships.

But what does this have to do with drug prevention?

It's all about! Because when you can control your emotions and develop empathy for others, you start to relate better to other people.

This lowers your stress load, improves your well-being and you will probably be less likely to seek refuge, comfort or pleasure in drugs. You will enjoy your own relationships.

We also need to understand our emotions and use them so that they motivate us toward a goal.

So let's work our emotions to prevent always! Watch the video: https://bit.ly/emocoeseprevencao

Live com Especialistas: Álcool e outras Drogas no mundo do Futebol - 05/08

O que leva uma pessoa a usar álcool e outras drogas? E quando esta pessoa é um esportista conhecido, tipo um jogador de futebol? Diversos atletas viram suas carreiras serem prejudicadas ou comprometidas devido ao uso dos entorpecentes. Alguns foram descobertos a partir de exames antidoping ou por terem perdido o controle sobre suas vidas.

Jogador de Futebol em campo antes do uso de álcool e outras drogas

 

No Brasil, chamado de País do Futebol, o álcool e outras drogas já fez inúmeras vítimas bastante conhecidas e admiradas: Mané Garrincha (bicampeão mundial com a seleção brasileira em 1958 e 1962, morreu em 1983 de cirrose), Sócrates (capitão do Corinthians e da seleção brasileira na década de 80, morreu em 2011 de choque séptico decorrente do alcoolismo), Adriano Imperador (ex-ídolo rubro-negro em 2010 envolveu-se em polêmicas com a ex-mulher e admitiu problemas com alcoolismo), Vladiram (artilheiro da Copa do Brasil em 2006, foi dispensado do Vasco por problemas ligados ao consumo de álcool e drogas), Walter Casagrande Junior (ídolo do Corinthians e com passagens pela Seleção Brasileira, Flamengo e vários clubes internacionais, hoje comentarista esportivo da Rede Globo, começou a usar drogas na adolescência, passou por diversas internações e quase morreu em um acidente de carro até decidir abandonar seu vício em cocaína e heroína), entre tantos outros.

Jogador de Futebol em campo após o uso de álcool e outras drogas

E não só no Brasil o álcool tem feito estrago na vida de jogadores famosos: o norte-irlandês George Best, ídolo do Manchester United nos anos 60, morreu em 2005 por problemas renais após um transplante de fígado; o inglês Paul Gascoigne, destaque da seleção inglesa no início dos anos 92, vem enfrentando problemas até hoje por seu vício em álcool e drogas; o argentino Ariel “Burrito” Ortega, ídolo do River Plate, foi dispensado do time em 2010 após admitir publicamente seu vício e também na Argentina, Diego Maradona foi tratado pelo vício do álcool em 2007.

Mas porque os jogadores de futebol usam álcool e outras drogas?

Muitos são os motivos que podem ser o estopim deste vício, entre eles podemos citar o fato de que muitos deles vêm de periferias, de famílias desestruturadas e que quando são contratados pelos clubes de futebol, encontram um mundo de possibilidade e não têm o preparo psicológico para lidar com isso.

Origem humildes de alguns jogadores de futebol não os preparam para as pressões do meio

Enfrentar a pressão da profissão, a fama e a saudade da família são fatores que também podem estar relacionados com o uso de álcool e outras drogas.

Ao perceberem o quanto sua vida mudou e encontrarem um ambiente farto de drogas e de dinheiro para consumi-las, muitas vezes para serem aceitos no meio em que vivem, passam a consumir drogas lícitas e ilícitas. 

Não saber lidar com as perdas, seja na vida pessoal como dentro do campo de futebol (afinal, não se ganha todos os dias!), e com poucos momentos de privacidade, alguns jogadores não suportam o estresse e encontram na bebida um refúgio.

Ao contrário do que parece, os motivos para fazer uso de drogas podem ser semelhantes. Porém, as razões íntimas são variadas. Cada indivíduo tem uma razão para ter se tornado dependente químico.  

Alguns indivíduos consideram a droga uma solução para enfrentar situações difíceis, buscando nela uma força interna que acreditam não existir. No entanto, se deparam com um problema mais complicado que aquele do qual estavam fugindo e que os levaram à dependência química.

Para aprofundar esse assunto, a Mobilização Freemind e a ISSUP Brasil trarão para a “Live com Especialistas”, no dia 05 de agosto de 2020, a partir das 20h30, no Youtube do Freemind, dois amigos queridos e ex-jogadores de Futebol: Silas e Zé Elias.

Silas – Durante sua carreira de jogador profissional de 1984 a 2004, jogou em clubes do Brasil, Portugal, Uruguai, Argentina, Japão e Itália. Com a seleção de base do Brasil, ganhou o prêmio Bola de Ouro da Adidas no Mundial Sub-20, e com a equipe principal jogou 38 partidas, e participou das Copas do Mundo de 1986 e 1990. Após encerrar sua carreira como jogador, virou empresário trabalhando com uma franquia, além de ter participado de um projeto que auxilia "Atletas de Cristo" ao lado de Alex Dias Ribeiro. Depois disso optou por atuar como treinador de futebol. Inicialmente, foi auxiliar do técnico e amigo Zetti e, atualmente, exerce a função principal. Já esteve no comando de clubes como Fortaleza, Avaí, Grêmio e Flamengo.

Zé Elias – Foi um dos mais jovens jogadores de futebol a vestir a camisa do Corinthians. Quando estreou, em 1993, não tinha nem completado dezessete anos. Mesmo tendo deixado o clube muito jovem, em 1996, suas principais qualidades como jogador já eram visíveis e conquistaram a torcida. Mas a característica que transformou no "Zé da Fiel" foi sua raça e incansável disposição para lutar pelo time. Viveu seu melhor momento no Corinthians em 1995, quando com dezoito anos de idade, foi convocado para a Seleção Brasileira. Imediatamente após encerrar a carreira, Zé Elias ingressou na carreira de comentarista esportivo, estreando no dia 8 de julho de 2009 na Rádio Globo. Atualmente, trabalha como comentarista nos canais ESPN.

Será imperdível! Esperamos vocês para um bate-bola muito importante com Silas e Zé Elias, no dia 05/08, a partir das 20h30 no YouTube do Freemind. Acesse o link abaixo e ative o sininho para receber a notificação. Aproveite e se inscreva em nosso canal.

https://www.youtube.com/watch?v=Ko9r_lzDy6c

Live sobre Álcool e outras drogas no mundo do Futebol

BRASIL VOTARÁ NA ONU CONTRA REDUÇÃO DO CONTROLE INTERNACIONAL DA CANNABIS

O Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD) realizou reunião extraordinária, na 2ª feira, dia 06 de julho de 2020, aprovando importantes pontos de pauta, que fortalecerão a Política sobre Drogas no Brasil.

 

Em um dos pontos avaliados, o CONAD rechaçou todas as seis recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), feitas à Comissão de Narcóticos da Organização das Nações Unidas (ONU), para a flexibilização e redução do controle internacional sobre a cannabis e substâncias relacionadas. Diante do claro perigo que eventual diminuição do controle da cannabis e de substâncias relacionadas causaria para toda a sociedade brasileira, o CONAD posicionou-se de maneira contrária a todas as recomendações da OMS. A decisão foi respaldada por Nota Técnica apresentada ao CONAD pela Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas (SENAPRED) do Ministério da Cidadania, que expôs as razões técnicas e científicas contrárias à redução do controle internacional sobre a cannabis e substâncias relacionadas. Tal decisão do CONAD é de suma importância, pois define a posição que o Governo brasileiro apresentará em dezembro deste ano de 2020, quando a Comissão de Narcóticos da ONU se reunirá para votar o tema. Com isso, o Brasil posiciona-se internacionalmente de maneira clara contra a redução do controle da cannabis e de substâncias relacionadas, e reitera sua posição em prol da construção de uma sociedade protegida das drogas, em favor da vida, das pessoas e das famílias. Vale ressaltar ainda que a “Nova Política Nacional sobre Drogas”, publicada pelo Decreto Presidencial No. 9761, em abril do ano passado, colocou, de modo inequívoco, posição contrária à liberação das drogas no Brasil, que é defendida pelo Governo Federal.

 

A decisão do CONAD ocorreu de maneira unânime, mostrando que o Conselho está trabalhando em sintonia para a construção de Políticas Públicas efetivas para o enfrentamento das drogas no país.

 

A ONU apresenta um sistema de controle internacional de substâncias psicotrópicas, que funciona por meio de Convenções Internacionais, sendo que seu cumprimento é mandatório e fiscalizado pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, órgão da própria ONU. A Comissão de Narcóticos da ONU modifica regularmente as Listas das substâncias psicotrópicas controladas pelas Convenções Internacionais, considerando as recomendações da OMS. Em 24 de janeiro de 2019, a OMS apresentou ao Secretário-Geral da ONU seis recomendações, no que tange ao controle da cannabis e de substâncias relacionadas.

 

As recomendações realizadas pela OMS serão votadas na continuação da 63ª sessão da CND, que acontecerá em Viena, na Áustria, em dezembro de 2020. As alterações recomendadas pela OMS impactam duas Convenções Internacionais responsáveis pelo controle internacional de substâncias psicotrópicas. O Brasil é signatário das Convenções Internacionais apresentadas acima e também é membro da Comissão de Narcóticos da ONU, tendo direito a voto na sua 63ª sessão, que avaliará as recomendações da OMS. Assim, se aprovadas pela CND, as recomendações da OMS afetarão negativamente, no Brasil, o controle da cannabis e de substâncias relacionadas. Daí o fato de o país posicionar-se contra todas essas recomendações.

 

A situação descrita acima é especialmente preocupante, tendo em vista o cenário da cannabis em todo o mundo. Em 2019, o “Relatório Mundial sobre Drogas” do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) apontou a cannabis como a droga ilícita mais usada no mundo: o número de usuários aumentou aproximadamente 30%, de 1998 a 2017, atingindo cerca de 188 milhões de pessoas. Desse modo, um afrouxamento do controle sobre a cannabis e substâncias relacionadas piorará ainda mais o cenário do crescente uso recreativo dessas substâncias e suas devastadoras consequências para todo o conjunto social. Além disso, é importante ficar claro que o uso terapêutico dos componentes da cannabis ainda é extremamente restrito, contando com pouquíssimas evidências científicas. Assim, uma possível aprovação das recomendações da OMS pela CND dará também uma falsa ideia para a toda a sociedade internacional de que a cannabis apresenta incontestes propriedades terapêuticas, o que está muito longe de ser verdade.

 

Nesse cenário, o Conselho Federal de Medicina (CFM) liberou no Brasil apenas “o uso compassivo do canabidiol como terapêutica médica, exclusiva para o tratamento de epilepsias na infância e adolescência refratárias às terapias convencionais”, reiterando sua posição, em nota técnica publicada, em maio de 2019 (o canabidiol é uma das centenas de moléculas que compõem a cannabis). O Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Academia Nacional de Neurologia (ABN) são entidades médicas que apresentam posição bastante clara sobre as restrições para o uso do canabidiol. Além disso, tais entidades não dão suporte para o uso terapêutico de qualquer outra molécula da cannabis. Em 2016, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) publicou Nota Pública sobre o tema: “Cabe esclarecer que o termo ‘maconha medicinal’, embora tenha apelo cultural, não reflete o estado atual do conhecimento e o uso conforme esta designação não respeita os passos necessários, aceitos nacional e internacionalmente, para a aprovação de uma nova terapêutica...O CREMESP foi pioneiro no apoio à liberação do uso do canabidiol (canabinoide não psicoativo) para populações portadoras de epilepsias graves e refratárias da infância. No entanto, o CREMESP afirma não haver comprovações científicas de que haja algum uso efetivamente medicinal da maconha. O desenvolvimento de novos estudos que ofereçam evidências para a eventual utilização terapêutica de canabidiol ou outros canabinoides receberá apoio do CREMESP. Contudo, a aprovação, neste momento histórico, de usos na saúde de derivados de cannabis, para os quais os procedimentos consagrados para liberação de medicamentos não foram respeitados, merece repúdio e grande preocupação deste Conselho”.

 

Quando a efetividade real do uso terapêutico da cannabis e de seus derivados é avaliada, os resultados são bastante ruins. Vale aqui ressaltar que a maior parte dos estudos clínicos publicados apresenta baixa qualidade científica e metodológica. Até o presente momento, a imensa maioria dos artigos científicos de revisões da literatura e meta-análises realizadas sobre o tema mostram que os canabinoides (moléculas que compõem a cannabis), de maneira geral, não são efetivos para o tratamento das mais variadas condições clínicas; e nos pouquíssimos artigos de revisão da literatura e meta-análise que mostram pequenos resultados positivos, os autores sempre interpretam os dados com cautela, ponderando que o uso clínico dos canabinoides precisa ser melhor avaliado, em decorrência da pequena quantidade de estudos clínicos realizados, dos efeitos adversos dessas substâncias para a saúde dos pacientes, e das importantes limitações metodológicas dos estudos clínicos que os compõem. É também importante notar que não há evidências científicas que sustentem o uso terapêutico de óleos de cannabis. Os únicos resultados mais consistentes para o uso terapêutico de um canabinoide, no caso o canabidiol, vêm do tratamento de quadros epilépticos refratários, mostrando efeito modesto, porém consistente. Vale ainda ressaltar que não há evidências de segurança a longo prazo do uso de canabinoides, como o canabidiol. A preocupação é maior no caso de crianças e adolescentes, que apresentam seu sistema nervoso central em formação. Nessa faixa etária, existe, inclusive, maior potencial de risco no uso de canabinoides.

 

Por outro lado, estudos de revisão da literatura e meta-análises têm mostrado de maneira consistente que o uso recreativo de cannabis é importante fator de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais graves, como psicoses (ex.: esquizofrenia) e transtornos do humor (ex.: mania). Além disso, o uso da cannabis aumenta o risco para suicídio e déficits cognitivos. Importante estudo publicado em 2015, e que fez resumo da literatura científica publicada nos últimos 20 anos, mostrou a ocorrência de importantes problemas pessoais e sociais decorrentes do uso de cannabis.

 

A Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, órgão da própria ONU, em Relatório publicado no ano de 2018 (“Report of the International Narcotics Control Board for 2018”), apresentou importantes questões e sugestões que precisam ser levadas em consideração quando da apreciação das recomendações da OMS para flexibilizar a fiscalização sobre a cannabis e substâncias relacionadas. O órgão colocou que em alguns estados americanos a instituição de Programas de “cannabis medicinal” foi utilizada para advogar, no futuro, a legalização da droga para o uso não-medicinal, como se fosse uma etapa preparatória para sensibilizar a sociedade sobre ações subsequentes rumo à flexibilização de seu uso recreativo. Tal situação leva a uma diminuição da percepção de risco por parte da população dos graves problemas ocasionados pela cannabis, abrindo caminho para sua legalização, levando, consequentemente, ao aumento do consumo não-medicinal pela população: “Os programas de ‘cannabis medicinal’ em alguns estados dos EUA foram usados por defensores da legalização da maconha para promover a legalização do uso não-medicinal da cannabis nesses estados. A diminuição da percepção de risco do uso de maconha e a ativa propaganda sobre a sociedade da maconha pela indústria da cannabis apresentam grandes desafios na prevenção do uso de maconha entre os jovens. As alegações infundadas sobre os benefícios médicos da cannabis foram acompanhadas pela diminuição da percepção de risco do uso de cannabis entre jovens nos EUA. O uso de maconha por adultos nos estados dos EUA em que a maconha não-medicinal foi legalizada pode incentivar os adolescentes a usar a droga no momento em que seus cérebros são especialmente vulneráveis a seus efeitos adversos”.

 

Inicialmente, para que determinada substância seja utilizada de maneira terapêutica, existe a necessidade de que seja submetida a pesquisas científicas, que demonstrem sua segurança e efetividade para o uso clínico. Diante disso, não existe qualquer comprovação científica para o uso terapêutico da cannabis bruta. Quanto aos canabinoides, apenas o canabidiol encontra respaldo para o uso em convulsões na infância, de maneira adjuvante a outros medicamentos, e apenas quando outras abordagens terapêuticas se mostram inefetivas. Não existe indicação do uso do canabidiol como primeira escolha nessas condições clínicas, e seu uso não é indicado de maneira isolada, como monoterapia. Não há comprovação científica para o uso do canabidiol para o tratamento de pacientes que apresentem outras doenças. Vale ainda ressaltar que, em alguns estados americanos, alguns países da Europa e outros poucos países de outros continentes, houve uma proliferação de produtos alimentícios, de saúde e cosméticos que afirmam conter canabidiol e que são comercializados para usos terapêuticos ou médicos. Isso coloca os consumidores em risco, porque muitos desses produtos não provaram ainda ser seguros ou eficazes. A comercialização enganosa de tratamentos à base de cannabis e substâncias relacionadas, não comprovados cientificamente, também suscita preocupações significavas à saúde pública, pois pacientes e outros consumidores podem ser influenciados a não usar terapias cientificamente aprovadas, seguras e clinicamente efetivas para tratar doenças graves e até fatais. Além disso, de acordo com o “Food and Drug Administration” (FDA) americano, existem muitas perguntas não respondidas e lacunas de dados sobre a toxicidade do canabidiol, e alguns dos dados disponíveis levantam sérias preocupações sobre possíveis danos dessa substância. Ademais, é importante ressaltar que não existe qualquer comprovação científica que respalde o uso terapêutico de outros compostos da cannabis, como o delta-9-tetra-hidrocanabinol (THC). Também não há evidência científica que respalde o uso terapêutico de óleos de cannabis.

 

Além disso, é muito importante que qualquer eventual uso terapêutico de um componente da cannabis seja avaliado e testado rigorosamente por meio de métodos científicos apropriados. Não é mais possível que essa situação seja explorada de maneira ideológica por grupos que querem liberar a cannabis no Brasil. Não se pode também aceitar que a sociedade brasileira seja enganada por grupos de interesse que querem explorar um eventual mercado da cannabis no país. É inaceitável que o uso terapêutico, restrito de apenas uma única molécula da cannabis, seja usado como ponta de lança para a liberação dessa droga no país. É muito importante que a toda a sociedade brasileira seja devidamente esclarecida sobre essa questão.

 

Quanto aos efeitos deletérios relacionados ao uso recreativo da cannabis, vale frisar que dirigir sob efeito de maconha aproximadamente dobra o risco de acidente de carro, e que cerca de um em cada 10 usuários regulares de cannabis desenvolve dependência. O uso regular de maconha na adolescência, aproximadamente, dobra os riscos de abandono escolar precoce, de comprometimento cognitivo e psicoses na idade adulta. O uso de cannabis também é fator de risco para episódios de mania e ocorrência de suicídio. O uso regular de cannabis na adolescência também está fortemente associado ao uso de outras drogas ilícitas. O uso de cannabis pode produzir dependência, existindo associação consistente entre o uso regular da droga e maus resultados psicossociais e de saúde mental na vida adulta. Assim sendo, não há justificava para a retirada da Lista IV da Convenção Internacional de 1961 da cannabis, conforme recomenda a OMS, pois tal droga causa dependência e produz graves efeitos nocivos a seus usuários, famílias e toda a sociedade. Quanto ao uso terapêutico, as evidências científicas também não dão sustentação para a retirada da cannabis da Lista IV. Além disso, vale ressaltar que uma possível aprovação das recomendações da OMS pela Comissão de Narcóticos da ONU favorecerá o aumento da produção, comércio, armazenamento, posse e uso da cannabis em todo o mundo, com a diminuição da fiscalização sobre tais atividades. Tal situação contribuirá também para a diminuição da percepção de risco da população sobre os graves malefícios que a cannabis causa a seus usuários, suas famílias e todo o conjunto social, afetando principalmente as camadas mais vulneráveis das sociedades. Esse cenário aumentará, sem dúvida alguma, os graves problemas relacionados às drogas, que já vêm assolando a comunidade internacional nos últimos tempos. Vale ainda ressaltar que órgão da própria ONU, a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, coloca claramente sua preocupação quanto às consequências do pretenso uso medicinal da cannabis e substâncias relacionadas. Diante disso, fica claro, inclusive, que não há consenso entre os órgãos que compõem a própria ONU sobre o uso terapêutico da cannabis e seus impactos nos diversos países ao redor do mundo. Diante do exposto acima, o Brasil é contra a aprovação das recomendações da OMS pela Comissão de Narcóticos da ONU, que preveem a redução do controle internacional sobre a cannabis e substâncias relacionadas.

 

Texto escrito por Dr. Quirino Cordeiro, Secretário Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania e Membro do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD).

Fonte: http://mds.gov.br/obid/artigos/brasil-defendera-na-onu-posicao-contraria-a-reducao-do-controle-internacional-sobre-a-cannabis?fbclid=IwAR0_rpAc94f7HOi1L1Xy9G7N_6UlFUU3WZZmH8xGlHgXp_03vCEWJ4gmBLk