Curso Breve sobre Tabagismo para o Pediatra

Dr. João Paulo Becker Lotufo, amigo e parceiro do Freemind e ISSUP Brasil, convida você a participar do Curso Breve sobre Tabagismo para o Pediatra durante a II Jornada do Grupo de Trabalho de Álcool e Drogas da Sociedade Brasileira de Pediatria. O curso conta com o apoio da Sociedade Brasileira de Pediatria, Sociedade de Pediatria de São Paulo, Associação Médica Brasileira e Hospital Universitário da USP. Na abertura estará presente Dr. Edson Liberal da SBP.

As aulas terão duração de 20 minutos no dia 29 de outubro as 19H00 (Horário de Brasília). Os temas a serem tratados serão: “Epidemiologia, uma breve história de uma pandemia: tabagismo, passado, presente e futuro”, “Neurobiologia da Dependência, tabagismo: uma doença da dependência de nicotina”, “Tratamento, abordagens com evidências científicas para tratar o pai ou a mãe (ou avós) tabagistas” e “Prevenção e aconselhamento breve das drogas lícitas: os doze passos da prevenção”.

Para participar, acesse o Evento Virtual na Plataforma Microsoft Teams no link abaixo:

https://teams.microsoft.com/l/meetup-join/19%3ameeting_MmExNGU4NWUtYjdhYy00ZGE0LTliZmQtZTU4MjdlMGYwNDEz%40thread.v2/0?context=%7b%22Tid%22%3a%228817afda-52bb-493e-b12a-c1ecf1cb99c8%22%2c%22Oid%22%3a%2203262f9c-abc5-4230-a2ed-058d948e01eb%22%7d

Veja aqui a programação completa:

Aula 1 (Epidemiologia) - Tema geralBreve história de uma pandemia: tabagismo, passado, presente e futuro. 

Pergunta chave: Quais são os desafios atuais na luta contra o tabagismo no mundo e no Brasil?

Ricardo Henrique Sampaio Meirelles

 

Aula 2 (Neurobiologia da Dependência) - Tema geralTabagismo: uma doença da dependência de nicotina.  

Pergunta chave: O pediatra deve aconselhar e ou oferecer o tratamento aos pais de seus pacientes?

Carolina Costa

 

Aula 3 - Tema geral (Tratamento): Abordagens com evidências científicas para tratar o pai ou a mãe (ou avós) tabagistas

Pergunta chave: Porque, quando e como o pediatra deve tratar o adolescente fumante?  

Alberto José de Araújo

 

Aula 4 - Tema geral (Prevenção): Prevenção e aconselhamento breve das drogas lícitas: os doze passos da prevenção

Pergunta chave: A partir de que quando o pediatra deve orientar os pais e as crianças sobre os riscos das drogas?

João Paulo Becker Lotufo  

 

Aos médicos que se dedicam à prevenção e ao tratamento do uso de SPA

O consumo indevido de drogas lícitas e ilícitas é um sério problema de saúde pública que atinge de forma preocupante todos os países do mundo. Estima-se que entre os anos de 2005 e 2006, aproximadamente 200 milhões de indivíduos tenham consumido drogas ilícitas, correspondendo a quase 5% da população mundial na faixa etária entre 15 e 64 anos.

Neste cenário, as drogas mais consumidas são: maconha, anfetaminas, opiáceos e cocaína.

Em relação às substâncias lícitas, a situação não é menos preocupante: o consumo prejudicial de álcool é responsável por quase 4% de todas as mortes no mundo, sendo a principal causa de morte e invalidez nos países em desenvolvimento que apresentam baixa taxa de mortalidade e o terceiro principal fator de risco para a saúde, após o tabaco e a hipertensão arterial sistêmica, em países em desenvolvimento.

No mundo há, por sua vez, 1,3 bilhão de indivíduos que utilizam tabaco e essa substância responde por 4,1% da carga global de doenças, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Além de enfermidades e mortes, o consumo de drogas associa-se a uma série de problemas psicológicos e sociais, estando os jovens situados no grupo de maior risco para o uso experimental e possível abuso de substâncias, especialmente o álcool, o tabaco e a maconha.

Entre as possíveis consequências negativas, podemos mencionar desintegração familiar, depressão, violência e acidentes de trânsito. Diante desse quadro, é fundamental o investimento no tripé prevenção (educação), controle (fiscalização) e tratamento.

Ainda, todas as ações devem estar embasadas em evidências científicas que poderão auxiliar na compreensão da prevalência dos problemas causados pelo uso indevido de substâncias e contribuirão para a identificação das melhores estratégias de prevenção e tratamento.

Nessa direção, cabe salientar a importância da formação acadêmica dos diferentes profissionais que atuam nesse campo de conhecimento com o objetivo de enriquecer o debate e formar pesquisadores que possam atuar em suas áreas a partir do peso das evidências.

Neste dia 18 de outubro, dia dedicado a homenagear os médicos, o Freemind e a ISSUP Brasil têm a honra de poder contar com excelentes profissionais médicos, das mais diversas áreas, que se dedicam de corpo e alma a buscar evidências, a fazer prevenção e a tornar melhor a vida daqueles que precisam de tratamento.

A todos vocês, queridos amigos e parceiros, nosso muito obrigado por sua dedicação à esta causa tão nobre que é a luta contra o mal que as drogas causam aos nossos jovens e suas famílias.

Amigos envolvidos com drogas influenciam nossos filhos?

Você é “Maria vai com as outras”?

Minha avó dizia: “Quem se mistura com os porcos, farelo come”.

E temos a tradução de Salmos I que diz: “Me diga com quem andas e te direi quem és”.

Rodrigo Flaire e Claudemir dos Santos, neste vídeo, querem falar sobre isso!

Uma pesquisa científica, com metodologia sobre “A influência dos amigos no consumo de drogas entre adolescentes” foi desenvolvida por 2 pesquisadores da USP – Universidade de São Paulo e o artigo científico foi publicado em 2014 mostrando como quantificar essa influência.

Realmente, amigos envolvidos com drogas influenciam nossos filhos? Como entendemos essa relação dos amigos e a influência na criação do meu filho?

Neste estudo, os pesquisadores conseguir fazer alguns cálculos de probabilidade e conseguiram estabelecer quantas chances mais um adolescente tem de usar ou experimentar drogas quando ele tem amigos com algumas variáveis relacionadas às drogas:

Se um jovem tem um amigo que usa drogas regularmente, ele tem 3,4 vezes mais chance de usar apenas álcool, 4 vezes mais chance de usar apenas tabaco, 7 vezes mais chance de usar álcool e tabaco e 8,6 vezes mais chances de usar drogas ilegais.

Agora, se um jovem tem amigos que vendem ou dão drogas, ele tem 10 vezes mais chance de usar alguma droga ilegal.

Se um jovem tem amigos que levam álcool ou drogas para festas, ele tem 5 vezes mais chance (comparado com um jovem que não tenha amigos assim) de usar apenas álcool ou tabaco, 6,7 vezes mais chance de usar álcool e tabaco e 15 vezes mais chance de usar drogas ilegais.

E se ele tem amigos que roubam propriedades alheias, ele tem 8,6 mais chances de usar drogas ilegais e 4,3 vezes mais chance de usar apenas álcool ou apenas tabaco.

Este estudo tem outras variáveis bastante interessantes que fazem com que a gente perceba quanto que esses “amigos” podem influenciar nossos filhos, nossos alunos, as crianças e adolescentes que nós cuidamos.

E o que nós podemos fazer na prática?

Primeiro precisamos conhecer quem são esses amigos, suas famílias, seus valores. Trazer os amigos para perto de nós, observar. É muito importante sabermos o que está acontecendo.

Os amigos de nossos filhos influenciam bastante no pensamento e na opinião deles e isso pode provocar uma mudança não tão positiva, principalmente em relação às crenças e relações que eles têm em relação às drogas.

Então, se você quer seu filho longe das drogas, é importante você ser ativo nessa relação dele com os pares. Prevenir sempre!

Professores que fazem a diferença

Todo mundo se lembra de um professor que marcou a própria vida. O que o tornou inesquecível? Por que ele ficou gravado na memória?

Imagino que a maior recompensa que um professor pode receber é encontrar um ex-aluno depois de muitos anos e ouvir algo do tipo: “puxa, você fez a diferença na minha vida”. Afinal de contas, não é o objetivo do professor fazer a diferença para seus alunos? Os conteúdos dados, em sua maioria, serão esquecidos e talvez não reste mais nada com o passar dos anos, a não ser essa marca que o professor conseguiu deixar.

Perguntando a atuais docentes sobre os professores que marcaram suas vidas, todos tiveram alguma lembrança e alguma explicação sobre o porquê aquele professor específico se tornou inesquecível para eles. Eis algumas das respostas que encontrei e que me levaram a descobrir um fator comum a todos os professores que se tornam inesquecíveis:

Professores que fazem a diferença - Dia dos Professores

Esses professores não fizeram a diferença pela quantidade de conhecimento que tinham sobre suas matérias. Quem nunca teve péssimos professores que tinham uma carga enorme de conhecimentos técnicos? O nível de conhecimento específico não é o que torna um professor marcante.

Esses professores marcaram as vidas de seus alunos porque em algum momento e de alguma forma eles demonstraram, verdadeiramente, que se importavam com o aluno. E todos os entrevistados estiveram de acordo de que esse é o ponto em comum entre esses professores marcantes: demonstrar verdadeiramente que se importa.

James Comer diz: “nenhum aprendizado significativo acontece sem um relacionamento significativo”. Por exemplo, um professor de quem o aluno não gosta que diz a ele “não use drogas, pois você estará prejudicando seu futuro” é muito diferente de um professor que o aluno considera muito e que sente que se preocupa realmente com ele dizer “não use drogas, pois você estará prejudicando seu futuro”.

Talvez aqui esteja a verdadeira diferença entre o sucesso e o insucesso de um professor com suas ações de prevenção ao uso de drogas. Algo mais simples e mais profundo do que sua capacitação, conteúdos ou estratégias de prevenção: um relacionamento significativo.

Para fechar com chave de ouro, deixo aqui a mensagem transmitida por alguém com um testemunho encorajador. Um presente aos professores!

Fonte: Raphael Mestres

October 12 - Children's Day

Toys, toys and more toys. Often, say experts, in the eagerto buy the favorite gift, which over the wills and tastes of children, parents forget something that can not be bought, nor translated into numbers: presence.

"We need to look at the amounts that credit card and money don't buy. Gifting is something very beautiful and everyone likes it, but it should not be a priority, much less offered as a replacement for affection and the permanent presence in the lives of sons and daughters," says Ana Abreu, a researcher in education at the Federal University of Alfenas.

The educator argues that, although it is important that babies have toys, it is essential that both they and parents know that the child's own body will always be their biggest toy. In addition, it is up to the family members to be the first mediators of the process of knowledge construction, aware that it is only with their commitment that children can move from one stage of development to another.

At this point, it is worth mentioning that games play have a fundamental role for the creation of the baby's playful universe. According to studies developed in the area, the act of playing has three major goals: pleasure, the development of expressions and feelings, and learning. Yes, it is true, it is joking that one learns — to live together, to organize (when storing toys), to put yourself in the world.

But that concerns the games, not the toys themselves. Playing involves touch, voice, smell, will, availability and patience. Being around is key. Even if the little ones are not aware of the importance of the presence of parents, this will also be decisive for their social development.

Moreover, it is through play that parents and guardians are able to understand the world of children, as is motor coordination, whether they speak a lot or not, whether they are introspective or scandalous, how they build and organize the world and its values, its concerns, problems and desires. Therefore, to approach and understand this universe, it is best to enter the atmosphere of play and respect the rules, customs and manias of the child.

It is important to reflect on when to start talking about drugs, an issue that permeates the imagination of parents and teachers when dealing with prevention. This issue can be addressed on several occasions and, from the moment the child demonstrates to be able to understand a story, it is possible to talk about drugs with it. One can use games to speak, at this stage, about the importance of not consuming things that are bad for health, for example.

This is also a phase to begin to show children the moral values, beliefs, patterns of behavior and attitudes of parents when going through the model of creation, conducts and established norms, which can act as protective factors of the use of drugs by children.

"The absence of parents can have harmful effects on children's development, such as feelings of rejection, recurrent loneliness and anxiety, which can catalyze psychological problems later. The sad thing is that sometimes absence is so common that it can be considered a mark of coexistence between the little ones and the family members."

Freemind and ISSUP Brasil wish that all children can have truly guaranteed their rights to play, dream and be happy without drugs, not only on October 12, but on every day of the year.

Source:

https://www.primeiros1000dias.com.br/brinquedos-e-mais-brinquedos-por-que-a-presenca-e-mais-importante

October 10 - Mental Health Day

Mental illnesses have grown worldwide and are already among the leading causes of disability in the 21st century. Especially depression, seen as a factor at the highest risk of suicide worldwide. World Mental Health Day is celebrated on October 10.

Mental health means being well with yourself and others, in addition to accepting life's events, controlling emotions and recognizing personal limits. However, the use of alcoholic beverages and drugs can cause harm to this well-being.

In the case of alcohol, for example, damage can occur in memory and increase as the dose increases. When too much alcohol is ingested, especially on an empty stomach, it can trigger partial memory loss and intoxication of the body.  Alcohol users reveal a more chronic, continuous, lifelong illness.

In the case of other drugs, the central nervous system, which is responsible for receiving and transmitting all information to the body, is altered, which can generate problematic behaviors for the user and for everyone around him. To avoid these addictions, cultivate positive feelings in your life, combined with good habits, physical activities and leisure.

Os 12 passos para pais prevenirem uso de drogas na adolescência

Listas de passos com ações recomendáveis para facilitar a cessação do uso de drogas são muito utilizadas, e com sucesso, por entidades como os Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, entre outros.

 

Com enfoque na prevenção, propomos uma lista de 12 medidas, que devem ser aplicadas pelos pais, para prevenir a entrada dos seus filhos adolescentes no mundo das drogas lícitas e ilícitas. São medidas baseadas nos dados atuais e na nossa experiência do atendimento de crianças e adolescentes. Sabemos que, depois que uma pessoa se torna dependente de alguma droga, é muito difícil reverter. Logo, prevenir é sempre o melhor remédio!

 

PASSO 1: FAMÍLIA UNIDA E COM LIMITES

É importante ter limites desde o início da vida. Se nunca houve conversas e acordos na primeira e segunda infância, será difícil que isto aconteça na adolescência. Mostrar até onde as crianças podem ir com firmeza não é crueldade, muito pelo contrário. Limites firmes e muito bem definidos formam crianças que se sentem mais amadas e seguras. E que podem tomar decisões melhores ao longo da vida.

 

PASSO 2: ESTIMULAR O DIÁLOGO EM FAMÍLIA

Família é o lugar de pedir e conceder o perdão. O amor na família é incondicional. Os filhos precisam reconhecer na família um ambiente onde eles podem tratar de qualquer assunto com segurança. Não é que a família vai concordar com tudo, mas vai ouvir, ponderar, opinar, de forma respeitosa e acolhedora. Não pode ter assunto proibido, tem que falar de tudo a todo momento.

 

PASSO 3: REFEIÇÃO COM A FAMÍLIA UNIDA

A refeição em grupo não é apenas para compartilhar o alimento, é para compartilhar pensamentos e atitudes. Mas para dar certo, sem celular na mesa!

Sabemos que muitos não podem almoçar em casa e chegam tarde para jantar, mas aproveite o pouco tempo que se tem com a qualidade dos seus encontros, mesmo que sejam apenas nos fins de semana. A pesquisa abaixo comprova que fazer as refeições com os filhos diminuiu para a metade a prevalência de drogas.

Prevalências de uso de drogas ilícitas na vida no Brasil
Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, 2015 (n = 101.760).

Revista Brasileira de Epidemiologia  vol.21  supl.1 São Paulo  2018  Epub Nov 29, 2018

 

 

Variáveis

Distribuição (%)

Prevalência

Análise ajustada

 

 

% (IC95%)

RP (IC95%)

Frequência de refeições com o responsável++

   

p < 0,001

Todos os dias

70,7

7,4 (6,9 – 8,0)

1

Raramente

19,2

14 (13,0 – 15,0)

1,26 (1,13 – 1,40)

 

PASSO 4: TER CONHECIMENTO DO QUE AS CRIANÇAS FAZEM NO TEMPO LIVRE

Criamos os filhos para o mundo. É importante incentivar a liberdade, principalmente na adolescência, mas sempre com supervisão. Se não há supervisão, os adolescentes tomam caminhos errados e os responsáveis nem ficam sabendo, ou pior, só descobrem as escolhas erradas quando já é tarde demais.

Abaixo os números da prevalência de drogas de adolescentes que os pais sabem o que seus filhos fazem nas horas vagas. Acompanhá-los diminuiu de 14,6 para 4,7% a prevalência de drogas.

Prevalências de uso de drogas ilícitas na vida no Brasil
Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, 2015 (n = 101.760).

Revista Brasileira de Epidemiologia  vol.21  supl.1 São Paulo  2018  Epub Nov 29, 2018

 

Variáveis

Distribuição (%)

Prevalência

Análise ajustada

 

 

% (IC95%)

RP (IC95%)

Frequência que pais sabem o que faz no tempo livre++

    p < 0,001*

Nunca

10,9

14,6 (13,3 – 16,0)

1

Raramente

8,7

17,1 (15,6 – 18,7)

1,20 (1,05 – 1,37)

Sempre

41,0

4,7 (4,3 – 5,1)

0,48 (0,42 – 0,56)

 

PASSO 5: SUPERVISIONAR OS DEVERES DE CASA DOS FILHOS

Acompanhar os deveres dos filhos não significa fazer os deveres por eles. É demonstrar preocupação, interesse, envolvimento em tudo que eles fazem. Abaixo o índice de prevalência de drogas de pais que acompanharam os deveres dos filhos. Acompanhá-los diminuiu de 13,6 para 5,4% a prevalência de drogas.

Prevalências de uso de drogas ilícitas na vida no Brasil
Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, 2015 (n = 101.760).

Revista Brasileira de Epidemiologia  vol.21  supl.1 São Paulo  2018  Epub Nov 29, 2018

 

Variáveis

Distribuição (%)

Prevalência

Análise ajustada

Pais verificam os deveres do aluno

 

  p < 0,001

Nunca

25,2

13,6 (12,7 – 14,5)

1

Raramente

19,1

10 (9,2 – 10,8)

0,88 (0,79 – 1,00)

Sempre

19,8

5,4 (4,7 – 6,1)

0,60 (0,51 – 0,70)

 

PASSO 6: DEMONSTRAR QUE TEM ORGULHO DOS FILHOS

É importante elogiar o que os filhos têm de bom. Em certos momentos, a cultura de nossa educação é muito repressora. Cobra-se muito e se elogia pouco. A autoestima das crianças se forma desde pequenos e temos a obrigação de cuidar para que ela cresça e se fortaleça. É brincando e estando perto dos filhos que podemos conhecê-los e entender que cada um é diferente do outro. É importante ter um tempo individual para cada um, pois as necessidades são diferentes. As discussões sobre assuntos específicos não devem ser em bloco. Gastem um tempo com cada um e de preferência elogiando o que eles têm de positivo.

 

PASSO 7: INCENTIVAR ATIVIDADES ARTÍSTICAS, CULTURAIS E ESPORTIVAS

Este é mais um fator protetor reconhecido pela ciência. O projeto da Islândia, país europeu com alto consumo de bebida alcoólica e drogas, simplesmente aumentou as atividades culturais e esportivas nas escolas, sem muitas palestras, alertando os pais a acompanharem seus filhos adolescentes. Isto foi suficiente para diminuir em muito os problemas com drogas, melhorando o relacionamento familiar inclusive.

 

Consumo de álcool e drogas: principais achados de pesquisa de âmbito nacional, Brasil 2005. Rev. de Saúde Pública 2008;42(supl 1):109-17

O que você faz nas horas de lazer

OR

Festas, shows, bares e afins

1

Atividades culturais, esportivas e religiosas

0,577

 

PASSO 8: ENVOLVIMENTO EM ATIVIDADES SOCIAIS

Ajudar ao próximo é uma excelente forma de moldar o próprio comportamento. A criança que aprende isso desde cedo, experimenta a vivência de fazer o bem. E reduz a chance de seguir para o mau caminho. A família deve ter um projeto na área social e estimular seus filhos a participarem dele desde cedo.

 

PASSO 9: PRATICAR A ESPIRITUALIDADE

A espiritualidade é mais um fator protetor, independente de crença. E quanto mais participar, maior o fator protetor.

Se a criança frequenta uma atividade espiritual semanalmente, o índice de drogas é bem inferior daquele que vai de vez em quando. E aumenta mais ainda quando ele nunca vai a alguma atividade espiritual.

Consumo de álcool e drogas:, Brasil 2005

Durante a Infância o lar era religioso

OR (fator de proteção)

Sim

1

Não

1,326

 

Número de vezes que frequentou eventos religiosos

OR (fator de proteção)

0 a 2 x no ano

1,948

1 a 3 x no mês

1,512

Quase semanalmente ou semanalmente

1

 

PASSO 10: ESTIMULAR BOAS AMIZADES

Onde estão seus filhos? Com quem estão? O que estão fazendo?

Desde pequenos, as crianças são orientadas a ter cuidado com estranhos. Porém, quando o assunto é drogas, o perigo mora muito perto. A maioria dos adolescentes tem a primeira experimentação de drogas lícitas em casa e as ilícitas quando são oferecidas por um amigo ou uma amiga. A experimentação é o primeiro passo para a dependência. É preciso estar bem atento, pois a experimentação pode começar dentro de casa. O cérebro se desenvolve até os 21 anos. Qualquer droga iniciada antes da maturação do cérebro causa maior dependência e possíveis danos irreversíveis.

 

PASSO 11: NÃO FUMAR E NÃO BEBER EM EXCESSO

Quem acha que deixar os filhos beberem em casa com os amigos é ser “amigão”, está no caminho errado. Pais que permitem que os filhos bebam antes dos 18 anos de idade, além de irem contra a lei, aumentam a chance dos filhos se tornarem alcoólatras. A ciência já tem bem determinado que dependência química está associada a idade de início do uso de uma substância: quanto mais cedo começa, maior a chance de se tornar dependente.

Se o pai ou a mãe fuma, a chance de o filho fumar é maior. O tabagismo passivo já aumenta a chance de dependência do filho, pois ele já teve contato com a nicotina. Estudos demonstram que se o pai fuma, o risco de drogas ilícitas nos filhos foi quase 8 vezes maior. Se há presença de bebida alcoólica em casa, o risco para uso de drogas ilícitas foi quase 5 vezes maior.

 

Prevalências de uso de drogas ilícitas na vida no Brasil
Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, 2015 (n = 101.760).

Revista Brasileira de Epidemiologia  vol.21  supl.1 São Paulo  2018  Epub Nov 29, 2018

 

Variáveis

Distribuição da amostra (%)

Prevalência

Análise ajustada

 

 

% (IC95%) RP (IC95%)

Fumo

    p < 0,001

Nunca

81,7

2,4 (2,1 – 2,6)

1

Alguma vez na vida

12,7

29,8 (28,2 – 31,5)

5,48 (4,74 – 6,34)

Fumo atual

5,6

58,0 (55,2 – 60,8)

7,84 (6,71 – 9,16)

Álcool

 

  p < 0,001

Nunca

47,1

1,0 (0,8 – 1,2)

1

Alguma vez na vida

29,6

8,8 (8,1 – 9,6)

3,81 (2,97 – 4,90)

Álcool atual

23,3

25,3 (24,1 – 26,6)

5,53 (4,26 – 7,18)

 

PASSO 12: SER UM BOM EXEMPLO EM TODOS OS SENTIDOS

Crianças são como esponjas, absorvem tudo que está ao redor, principalmente os comportamentos. Se o pai ou a mãe realiza uma ultrapassagem pelo acostamento, seu filho ou filha fará o mesmo no futuro. É importante ser um exemplo de comportamento, agir hoje da forma que gostaria que seus filhos agissem no futuro. Este passo não é o último passo à toa: ele abrange todos os passos anteriores.

 

BIBLIOGRAFIA

  1. Lotufo JPB, organizador. Álcool, tabaco e maconha: drogas pediátricas: o envolvimento do pediatra e da família na prevenção. 2. ed. São Paulo: Dr. Bartô; 2019.

 

  1. Araújo AJ, organizador. Manual de condutas e práticas em tabagismo. São Paulo: Guanabara Koogan - Grupo GEN; 2012. Quais são os mecanismos de dependência da nicotina?; p.110-2. Grupo GEN; 2012. Quais são os mecanismos de dependência da nicotina?; p.110-2.

 

  1. Parental Smoking Cessation to Protect Young Children:A Systematic Review and Meta-analysis: 18 ensaios. Laura J. Rosen, Michal Ben Noach, Jonathan P. Winickoff and Mel F. Hovell   Pediatrics 2012;129;141;

 

  1. Lozano P, et al. uso de cigarros eletrônicos (ce) e início do cigarro convencional(cc) e uso de maconha entre adolescentes mexicanos. In Drug Alcohol Depend. 2017

 

  1. Ferigolo, M. Phone-based ib by multiprofessionals: perspectives for treatment of drug abuse and dependence. secretaria nacional de políticas sobre drogas.

 

  1. Bife intervention for smoking, problem drinking and drug abuse by high school students.
    Nihon Arukoru Yakubutsu Igakkai Zasshi. 2003 Dec;38(6):475-82. Suzuki K1, Takeda A, Murakami S, Yuzuriha T, Hiezima M, Yoshimori C, Fuzibayashi T.

 

  1. Prevalências de uso de drogas ilícitas na vida no Brasil. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, 2015 (n = 101.760).Revista Brasileira de Epidemiologia Rev. bras. epidemiol. vol.21  supl.1 São Paulo  2018  Epub Nov 29, 2018

 

  1. Bastos, Francisco Inácio Pinkusfeld Monteiro, Bertoni, Neilane, Vilas-Boas Hacker, Mariana de Andrea em Consumo de álcool e drogas: principais achados de pesquisa de âmbito nacional, Brasil 2005

 

 

 

 

Dr. João Paulo Becker Lotufo

Doutor em Pediatria pela Universidade de São Paulo.

Representante da Sociedade Brasileira de Pediatria nas ações de combate ao álcool, tabaco e drogas.

Coordenador/Presidente do grupo de trabalho no Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes na Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Membro da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB).

Responsável pelo Projeto Antitábagico do Hospital Universitário da USP.

Responsável pelo Projeto Dr Bartô e os Doutores da Saúde - Projeto de Prevenção de Drogas no Ensino Fundamental e Médio (www.drbarto.com.br)

Fones: +55 (11) 30247490 e +55 (11) 99934-4365

jlotufo [dot] [at] hu [dot] usp [dot] br

 

Alberto José de Araújo, MD, MSc., PhD

MD Pneumologista & Sanitarista

Presidente da Comissão de Combate ao Tabagismo da AMB 

Membro da Comissão de Controle de Drogas Lícitas & Ilícitas do CFM

Coordenador do GT Drogas Lícitas & Ilícitas do CREMERJ

Membro Associado da SBPT, ATS, ALAT & ERS

alberto [dot] nett [at] gmail [dot] com

 

Rafael Yanes Rodrigues da Silva

Pediatra pela Universidade de São Paulo.

Responsável pelo Ambulatório Geral de Pediatria do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo.

Coordenador do Estágio de Ambulatório Geral do Primeiro Ano de Residência em Pediatria - FMUSP.

Diarista da Enfermaria de Pediatria do Hospital Municipal da Vila Santa Catarina - SBIAE.

rafaelyrs [at] hu [dot] usp [dot] br

 

 

 

 

 

12 passos para os pais praticarem a prevenção ao uso de drogas na adolescência

Mudanças no uso de álcool em adultos e consequências durante a pandemia de COVID-19 nos EUA

Como os pedidos de “fiquem em casa” começaram em alguns estados dos EUA como uma estratégia de mitigação da transmissão da doença coronavírus 2019 (COVID-19), a Nielsen relatou um aumento de 54% nas vendas nacionais de álcool na semana encerrada em 21 de março de 2020, em comparação com 1 ano antes; as vendas online aumentaram 262% em relação a 2019 (1).

Três semanas depois, a Organização Mundial da Saúde alertou que o uso de álcool durante a pandemia pode exacerbar as preocupações com a saúde e os comportamentos de risco (2).

Este estudo examina as mudanças no uso de álcool em nível individual e as consequências associadas ao uso de álcool em adultos nos EUA, bem como as disparidades demográficas, desde antes até durante a pandemia de COVID-19.

 

Métodos

Neste estudo de pesquisa, os dados foram coletados usando o RAND Corporation American Life Panel (ALP), um painel representativo nacionalmente, com amostra probabilística de 6.000 participantes com 18 anos ou mais que falam inglês ou espanhol; os dados são ponderados para corresponder a uma série de características demográficas nacionais (3).

 Os membros do painel fornecem consentimento informado anualmente, online. Todos os procedimentos foram aprovados pelo Comitê de Proteção de Assuntos Humanos da RAND Corporation.

Uma amostra de 2.615 membros do ALP com idades entre 30 e 80 anos foi convidada a participar da pesquisa de linha de base (onda 1), que foi encerrada após 6 semanas (29 de abril a 9 de junho de 2019) com 1771 conclusões.

Os dados da Onda 2 foram coletados de 28 de maio a 16 de junho de 2020, vários meses após a ampla implementação do distanciamento social associado ao COVID-19.

Este estudo seguiu a diretriz da Associação Americana para Pesquisa de Opinião Pública (AAPOR) para estudos de levantamento.

A taxa de conclusão da pesquisa da onda 2 foi de 58,9% de todos os convites da onda 1.

O ALP é composto por indivíduos recrutados de várias fontes ao longo de mais de 10 anos e uma taxa de resposta padronizada precisa é difícil de calcular.

Com base nas taxas de conclusão da pesquisa de 56,6%, uma estimativa anterior da taxa de resposta cumulativa média do ALP é de 9% (4).

As comparações antes e durante a pandemia de COVID-19 foram feitas no número de dias de qualquer uso de álcool e consumo excessivo de álcool (definido como 5 ou mais bebidas para homens e 4 ou mais bebidas para mulheres em algumas horas) e número médio de bebidas consumido nos últimos 30 dias.

O breve inventário de problemas de 15 itens (5) avaliou as consequências adversas associadas ao uso de álcool nos últimos 3 meses (por exemplo, “Eu corri riscos tolos quando bebi”).

As comparações foram feitas em geral e entre sexo, idade e raça / etnia autorreferidas. Mudanças significativas foram avaliadas com base em se o IC de 95% em torno da mudança da onda 1 para a onda 2 incluía 0. As análises incluem pesos.

 

Resultados

A amostra analítica atual inclui 1540 adultos (825 deles estavam na faixa etária de 30-59 anos; e 883 eram mulheres) da pesquisa de linha de base que, aproximadamente 1 ano depois, completou a pesquisa da onda 2.

A frequência de consumo de álcool aumentou (1) no geral, 0,74 dias (IC 95%, 0,33-1,15 dias), representando um aumento de 14% em relação à linha de base de 5,48 dias em 2019; (2) para mulheres, 0,78 dias (IC 95%, 0,41-1,15 dias), representando um aumento de 17% em relação à linha de base de 2019 de 4,58 dias; (3) para adultos de 30 a 59 anos, 0,93 dias (IC 95%, 0,36-1,51 dias), um aumento de 19%; e (4) para indivíduos brancos não hispânicos, 0,66 dias (IC 95%, 0,14 a 1,17 dias), um aumento de 10% em relação à linha de base de 2019 de 6,46 dias (Tabela 2).

Em média, o álcool foi consumido 1 dia a mais por mês por 3 de 4 adultos. Para as mulheres, também houve um aumento significativo de 0,18 dias de consumo pesado (IC 95%, 0,04-0,32 dias), a partir de uma linha de base de 2019 de 0,44 dias, o que representa um aumento de 41% em relação à linha de base.

Isso equivale a um aumento de 1 dia para 1 em 5 mulheres. Para as mulheres, houve um aumento médio na escala do Short Inventory of Problems de 0,09 (IC 95%, 0,01-0,17 itens), em relação à linha de base média de 2019 de 0,23, representando um aumento de 39%, o que é indicativo de aumento de problemas relacionados ao álcool, independentemente do nível de consumo para quase 1 em cada 10 mulheres.

 

Discussão

Esses dados fornecem evidências de mudanças no uso de álcool e consequências associadas durante a pandemia de COVID-19.

Além de uma série de associações negativas de saúde física, o uso excessivo de álcool pode levar a piorar problemas de saúde mental existentes, como ansiedade ou depressão (6), que podem estar aumentando durante o COVID-19.

As mudanças no nível populacional para mulheres, jovens e indivíduos brancos não hispânicos destacam que os sistemas de saúde podem precisar educar os consumidores por meio da mídia impressa ou online sobre o aumento do uso de álcool durante a pandemia e identificar os fatores associados à suscetibilidade e resiliência aos impactos do COVID- 19.

As limitações do estudo incluem que as medidas são autorrelatadas, que podem estar sujeitas a viés de desejabilidade social.

Além disso, nem todos os respondentes da linha de base completaram a onda 2, embora os não respondentes não difiram significativamente dos que completaram em qualquer uma das medidas de resultado na linha de base.

No entanto, esses resultados sugerem que pode ser necessário examinar se os aumentos no uso de álcool persistem enquanto a pandemia continua e se o bem-estar físico e psicológico são subsequentemente afetados.

Referências:

 

1. The Nielsen Company. Rebalancing the ‘COVID-19 Effect’ on alcohol sales. Published May 7, 2020. Accessed August 27, 2020. https://www.nielsen.com/us/en/insights/article/2020/rebalancing-the-covid-19-effect-on-alcohol-sales/

2. World Health Organization. Alcohol does not protect against COVID-19; access should be restricted during lockdown. Published April 14, 2020. Accessed August 27, 2020. https://www.euro.who.int/en/health-topics/disease-prevention/alcohol-use/news/news/2020/04/alcohol-does-not-protect-against-covid-19-access-should-be-restricted-during-lockdown

3. Pollard  M, Baird  M. The RAND American Life Panel: technical description. 2017. RAND Corporation website. Accessed June 6, 2020. https://www.rand.org/pubs/research_reports/RR1651.html

4. Gutsche  T, Kapteyn  A, Meijer  E, Weerman  A.  The RAND Continuous 2012 Presidential Election Poll.   Public Opin Q. 2014;78:233-254. doi:10.1093/poq/nfu009Google ScholarCrossref

5. Miller  WR, Tonigan  JS, Longabaugh  R.  The Drinker Inventory of Consequences (DrInC): An Instrument for Assessing Adverse Consequences of Alcohol Abuse. US Dept Health and Human Services, Public Health Service, National Institutes of Health; 1995. doi:10.1037/e563232012-001

6. Foulds  JA, Adamson  SJ, Boden  JM, Williman  JA, Mulder  RT.  Depression in patients with alcohol use disorders: systematic review and meta-analysis of outcomes for independent and substance-induced disorders.   J Affect Disord. 2015;185:47-59. doi:10.1016/j.jad.2015.06.024 PubMedGoogle ScholarCrossref

 

Artigo de autoria de Michael S. Pollard, PhD; Joan S. Tucker, PhD; Harold D. Green Jr, PhD, publicado na JAMA Netw Open. 2020;3(9):e2022942. doi:10.1001/jamanetworkopen.2020.22942

 

Fonte: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2770975

Família é a base para a prevenção ao uso de substâncias, diz Frei Hans Stapel

Durante o 6º Congresso Internacional Freemind, realizado em dezembro de 2019 na cidade de Águas de Lindóia/SP, Frei Hans StapelFundador da Fazenda da Esperança e Consultor do Conselho Pontifício para os Leigos -  compartilhou com os congressistas sua experiência de vida e a importância da família na sua educação e falou um pouco também de seu trabalho na recuperação de usuários de drogas:

 

Quanto mais idoso eu fico, mais eu vejo a importância da família. Eu me lembro da minha infância muito pobre na Alemanha pós-guerra e de um dia em que eu quis tomar um sorvete com meus amigos numa sorveteria italiana recém-inaugurada. Minha mãe não tinha dinheiro para nos dar e, então, todos os meus amigos tomaram o sorvete e eu não.

 Aprendi, nesse dia, uma lição importante: não se pode ter tudo o que se quer.

Precisa ter na família uma clareza: se não tem, não tem!  e não emprestar ou fazer dívidas para dar o que não se pode aos filhos.

Uma outra ocasião, eu e meu irmão gêmeo queríamos participar de um acampamento e minha mãe não deixou, porque estávamos gripados. Então, resolvemos pedir autorização ao nosso pai.E fomos.

Ele nos atendeu, explicamos o que teria e que queríamos ir e ele nos perguntou: “Vocês já falaram com sua mãe? O que ela disse?”  Dissemos que ela não havia deixado.

Eles nos puxou as orelhas e disse: “Nunca mais tentem dividir papai e mamãe!”. Aí eu entendi que os dois são um só. Como isso foi importante! Até hoje valorizo esta unidade dos meus pais.

Não precisam ser pais perfeitos, mas precisam se amar e estar unidos.

Uma outra cena que foi fundamental para mim foi no tempo de advento. Nós nos reuníamos em casa, eu, meus irmãos, papai e mamãe, cantávamos e falávamos da vinda de Jesus. Num certo momento, abracei minha mãe e disse: “Mãe, como seria bom se não tivesse a morte. Poderíamos sempre ficar juntos”. Ela me olhou e disse: “Você é um grande egoísta, você só pensa em você... sem a morte eu não poderia nunca mais encontrar meus pais e tantos outros que já se foram”.

Eu era pequeno, mas naquele momento entendi que aquele desejo de unidade não é possível pensando apenas do nascer até o morrer. Precisa abrir os olhos para além da vida e saber que a morte faz parte da vida.

E aqui eu confesso: muitas atitudes que estamos assistindo no país: a corrupção e tudo o mais de ruim que vemos... parece que falta essa visão de que aqui tudo passa, que tem uma vida depois da morte e que precisamos nos preparar, porque o fato da morte muda tudo.

Aquele que hoje é muito importante, depois da morte será já não será mais. Este olhar para o outro, olhar para depois da morte, foi fundamental na educação que recebi de meus pais.

Quando cheguei ao Brasil fui trabalhar com drogados. Sem experiência nenhuma, nem estudo, nem títulos. Mas tinha o desejo de amar o próximo. Eu lembro os primeiros que chegaram e pediram ajuda, acolhi na minha casa e escutei... escutei noites afora e vi que atrás de casa drogado, está um grito de amor.

Como não tinha muito estudo de psicologia e de medicina, pensei: o que posso dar para eles, se eles não receberam amor?

Hoje 70% dos nossos pais são separados, ausência do pai, ausência da mãe, muitos são rejeitados, adotivos, 50% foram abusados sexualmente na sua infância, dentro do ciclo familiar...

Eu pensei: o que pode curar estes jovens? Só o amor. E onde encontramos este amor verdadeiro, puro, que não é um sentimento? Tem pais que dão tudo para os filhos, pensando que assim estão amando...

Qual é o critério para poder dizer: este é o amor verdadeiro? Eu aprendi ainda na Alemanha que Jesus é o professor e o mestre que nos ensina a amar. Amar a todos.  E como sei se estou amando ou se só estou com simpatia? Amar todos, amar sempre e não só quando se tem vontade, amar pelo primeiro e, o mais difícil, amar os inimigos.

Amar os inimigos e fazer bem a quem nos quer mal. Jesus se fez eucaristia para nos ensinar a amar e nos capacitar a perdoar. Você não nasceu para ser vítima eternamente.

Hoje eu defendo: precisamos da ajuda da psicologia, da medicina, mas, em primeiro lugar, precisamos aprender a amar. Porque o amor cura! 

O amor nos leva de volta à nossa origem: nós todos fomos feitos para amar e num certo momento rompemos com o amor. Fizemos uma escolha diferente e ali começou um caminho que nos leva à solidão.

Quantas ofertas o mundo tem para nossos jovens. Pouco se fala de amar. Pouco se fala de uma espiritualidade. Todos nascem para amar, independente de religião.

Mas todos precisam aprender a amar de verdade. Por isso eu sempre defendo que para recuperar a nossa juventude é preciso uma nova cultura: a cultura do dar, cultura do escutar, de pensar no outro e de fazer o outro feliz, porque assim eu vou ser feliz.

Agora, naturalmente, não basta só viver e recuperar os jovens. Precisa envolver as famílias e as famílias, às vezes, tem também grandes feridas.

Os pais também foram machucados e muitas vezes não receberam amor. E assim se repete a história. Todos os meses temos reuniões com os pais. E quando o filho termina a recuperação, continuam nos grupos chamados Esperança Viva. Continuam nos grupos de recuperandos com os familiares, para juntos ajudarem os outros.

Quem pensa no outro fica firme e não cai. Importantíssimo esse trabalho com os pais. Na minha terra tem algumas leis nos últimos anos que eu gostei muito. Minha sobrinha ficou grávida e nesse período não precisa trabalhar e por 2 anos após o parto ela pode ser mãe, amamentar e cuidar da criança. Tudo isso recebendo o salário. Depois ela voltou e ficou grávida de novo por mais 3 vezes...

Mas alguém pode dizer que isso custa caro para o estado...

Não, é mais barato que depois ter crianças doentes, que não são felizes, que não conseguem enfrentar uma dificuldade, que vão ter problemas com álcool e drogas, que vão se matar...

Porquê? Porque falta a confiança básica numa pessoa que é a mãe. Se a criança é amamentada desde cedo, quanto bem faz isso para a saúde. Se recebe este afeto e essa segurança e depois o afeto do pai, a criança vai fazer a diferença depois na sociedade. Isto é muito mais econômico do que a mãe ter que trabalhar, trabalhar, trabalhar...

Se nós queremos recuperar, precisamos voltar para nossa origem. Nascemos para amar. A felicidade está no outro e não no egoísmo.

Aqui no Brasil, precisamos de muita espiritualidade. Precisamos aprender a viver o evangelho.

Na nossa terapia, nós temos 3 pontos: vida em comunidade (sentimos a necessidade que os jovens sejam a família que muitas vezes não tiveram. Não temos muitas TVs e nem celular, para eles terem tempo para conversarem entre si.

Depois temos o trabalho. Não como terapia, mas como produção, para se manter. Se eles não conseguem se manter enquanto estão conosco, como pode se manter na sociedade, casar e ter filhos? Precisam aprender uma certa disciplina, obedecer, ter ordem, fazer com amor e empenho.

Envolvemos os pais, que não pagam nada, mas pedimos que os pais vendam uma cesta dos produtos que os filhos estão produzindo. Os pais, ao vender os produtos, falam de seus filhos e que estão em recuperação na fazenda.

Isso também ajuda os pais: falar sobre o assunto e não esconder. Vender as cestas não tem nada a ver com dinheiro: pedagogia de envolver os pais, sair de si e amar concretamente. Devemos parar com esse paternalismo assistencialista que estraga o outro. O outro se realiza se ama.

E o terceiro ponto é a espiritualidade. As autoridades querem que a gente mude isso, mas não vamos mudar nada, pois isso dá certo. Eu acredito que o amor vence tudo!

Para ter acesso à palestra de Frei Hans na íntegra, acesso o YouTube do Espírito Freemind. Lá você encontra todas as palestras do 6º Congresso Internacional Freemind.

The danger of electronic cigarettes indoors

Dr. João Paulo Lotufo, friend and partner of Freemind and ISSUP Brazil, in his column on USP radio, tells us about the danger of electronic cigarettes indoors and warns that young Americans are the ones who consume the most, according to studies, and do not consider this consumption harmful.

But that's not true, since e-cigarette emissions are not harmless and calling them steam is purposely misleading. Although the smoky snags of the electronic cigarette are not exactly smoke, the term steam usually brings to mind an innocuous cloud of water.

A study published in the United States on the emission of vapor from electronic cigarettes shows that the subject is extremely worrying, endangering the lives of those who instill this vapor. Universities are the main target of researchers, since such type of product is inadvertently consumed on their campuses.

Electronic cigarettes have many dangerous organic compounds, such as nicotine, heavy metals, ultrafine particles, among others. The same study shows that young Americans are the ones who consume the most and already consider the situation as a public health epidemic. What's more, they are at great risk of contracting covid-19.

Listen, in full the audio of the interview at:

https://jornal.usp.br/radio-usp/o-perigo-dos-cigarros-eletronicos-em-ambientes-fechados/

Drinking alcohol during pregnancy can cause lifelong harm to the fetus

When a pregnant woman drinks alcohol, her baby also drinks.

Alcohol is bad for the baby: the baby is too young to drink!

The range of damage caused to the foetus due to alcohol consumption during pregnancy is called Fetal Alcohol Spectrum Disorders (FASD). Alcohol can harm the baby's brain, heart, eyes and other organs.

Children with FASD may have difficulty learning, controlling how they act, and making friends. Drinking alcohol during pregnancy can cause permanent damage to the fetus. These nine months last a lifetime.

Let's keep them alcohol-free. FASD affects all of us, but it is 100% preventable. Together, we can prevent FASD!

How does alcohol affect the baby?

Alcohol affects the growth of the baby, especially the brain. The baby can be smaller than normal and can cry a lot. As the child grows up, they may become hyperactive or difficult and have trouble learning at school. As a teenager, many of these young people drop out of school, fail to keep a job, and engage in criminal behavior.

Are all kinds of alcoholic beverages harmful?

Yes, wine, beer, cider, appetizers, fruit alcoholic beverages, spirits such as rum, whiskey or vodka can harm the baby. All kinds of alcoholic beverage are harmful to the baby.

How much alcohol is harmful?

There is no safe amount of alcohol or a safe time to drink during pregnancy or when planning to become pregnant. Even a small amount of alcohol can be harmful. It is safer NOT to drink during pregnancy.

What is FASD?

Fetal Alcohol Syndrome (FAS) and Fetal Alcohol Spectrum Disorders (FASD) are names given to the problems a baby may have if the mother drinks during pregnancy. Alcohol can cause retarded growth, birth defects and brain damage. A person with FASD faces lifelong challenges.

Is FASD preventable?

Yes, for NOT consuming alcohol during pregnancy or while planning to become pregnant.

My friend drank during pregnancy and her son is healthy.

Every pregnancy, child and mother are different. It is better NOT to risk harming the child.

I'm pregnant and I've been drinking...

It's never too late to stop drinking. If you stop now, your baby will be healthier.

I'm not pregnant and I drink. How can I avoid the risk of having a child with FASD in the future?

If you don't use birth control, or want to have a baby, stop drinking now. Alcohol makes it more difficult to become pregnant and increases the risk of miscarriage. Alcohol is harmful to the baby from the moment of conception.

What can parents do? What can friends and family do? What can we all do?

Parents can support the future mom respecting her decision not to drink. Many parents also stop drinking during pregnancy.

In our society, drinking often plays a big role in social life. Sometimes pregnant women also feel pressured to drink.

Friends and family should respect your decision not to drink, and should help you avoid situations where you usually drink, such as parties and bars.

It is the responsibility of all of us to support future mothers.

I think my son has FASD.

Talk to your doctor or health clinic about your concerns. Children with FASD can benefit from a caring and structured environment, as well as special help (e.g., speech therapist or physiotherapist).

Source: http://2016.tooyoungtodrink.org/

Drinking alcohol during pregnancy can cause lifelong harm to the fetus

Famílias, como prevenir? O diálogo começa em casa.

Famílias, como prevenir? O diálogo começa em casa. Conversando com Maria de Fátima Padin

 

Em seu canal do YouTube, Drogas e Sociedade, Gleuda Apolinário recebe a Dra. Maria de Fátima Padin para uma conversa sobre como prevenir o uso de drogas nas famílias através do diálogo.

Durante 37 minutos, Dra. Maria de Fátima falou de sua experiência e deixou muitas dicas importantes de como os pais devem agir diante das situações que podem se apresentar devido ao uso de drogas.

 

Acompanhe abaixo um resumo do que a doutora falou sobre família, prevenção e diálogo:

“Existem hoje em termos de políticas públicas sobre drogas no Brasil uma falta de olhar para as famílias e para como elas lidam com essa epidemia de drogas em relação ao consumo precoce de jovens.

É claro que precisamos ter um olhar voltado para os dependentes químicos, mas quem pode nos ajudar e quem precisa de ajuda são as famílias.

As famílias, sejam de qualquer classe econômica, estão precisando de suporte. Hoje a mídia tomou conta e virou “pai e mãe” de nossos filhos. Tem uma brincadeira que diz: “Aos 6 meses meu filho reconheceu minha voz. Aos 16 anos ele não a escuta mais”. Hoje os pais estão sem voz.

E uma das coisas mais importantes a pontuar é o quanto esses pais precisam de ajuda nessa interface da comunicação com os filhos. Eu sempre uso muitos dados da comunicação assertiva: eu acho que precisamos olhar para a propaganda e para o marketing e aprender uma lição com eles.

Além dos filhos não nascerem com bula, nós, pais, ainda temos uma série de problemas que são: a internet, a cidade, a pandemia, o assédio, a questão da cerveja, o glamour da maconha e, com isso, a família fica pequenininha.

Na hora em que começamos a aprender um pouco com a indústria do marketing é quando começamos a mudar o jeito de nos comunicar.

Comunicação Assertiva

Hoje uma pilastra importante é esta comunicação mais assertiva. Por exemplo: nós falamos o que não queremos que aconteça ou fazemos perguntas mais abertas: “Não chega tarde, hein?”, ao invés de falar “Chegue cedo!”  ou “Você pode me avisar se for atrasar?”

Se formos olhar para a propaganda, veremos que ela diz: “BEBA com moderação!” Ela está mandado a gente fazer o quê? Não vemos as propagandas dizendo o contrário: “Não beba se dirigir”.

Nós pais precisamos fazer um treino. Não se usa a palavra não. Precisamos começar a estimular uma linguagem positiva. Precisamos investir numa comunicação onde nós digamos aos nossos filhos o que nós queremos que aconteça. Este é o primeiro ponto.

Outra questão muito importante é que nós pais, precisamos aprender a não fazer discursos para os nossos filhos. Comparem com o horário político quando começa: a primeira coisa que fazemos é desligar a TV ou o rádio, porque ninguém gosta de discurso. Quando isso acontece, a pessoa vai escutar os primeiros minutos e depois não vai escutar mais.

Precisamos também ouvir o que nossos filhos estão falando para podermos fazer uma autoanálise. É importante sermos breves no que queremos falar.

Vejam as propagandas: elas são sempre curtas. Por exemplo: porque será que os seriados de Netflix fazem tanto sucesso? Na primeira temporada, os capítulos são curtos.

Se nós, pais ou famílias, não conseguirmos nos adaptar e fazer esta leitura: porque as pessoas gostam das temporadas? (porque elas são curtas), as propagandas (são curtas) e a mensagem tem que ser clara e objetiva.

Não aponte o dedo. Estenda a mão!

E mais uma coisa que acho fundamental é tirarmos o “você”. O “você” tem um tom acusatório: Você faz com que eu fique assim… ninguém faz nada com a gente: é a gente mesmo quem faz.  O certo é: Eu não fico bem quando você não me avisa. Eu fico muito mal quando você usa droga.

Desta forma, estamos trazendo para nós o sentimento. Você me faz sentir assim. O que vai acontecer do outro lado? Ele vai se defender, vai virar uma briga, uma batalha.

Essas são medidas importantes em termo de comunicação. Brevidade, ser absolutamente positivo, usar o poder do “EU” (Eu gostaria que você ligasse para mim. Eu não fico bem assim).

Içami Tiba já dizia: tem duas formas de aprender: uma é o exemplo e a outra é o exemplo! Então, quando eu começo a e expressar e falar do meu sentimento e não acusar, eu terei, certamente, esse retorno (mesmo que não imediatamente).

E uma outra questão nessa comunicação: nós temos que ser mais específicos na comunicação. Por exemplo, se o tema da conversa é o fato de nosso filho ter chegado tarde devemos ser claros e objetivos e dizer: “Olha, EU fiquei preocupada porque você marcou comigo e não chegou. EU quero que você me avise se acontecer alguma coisa. Aconteceu alguma coisa?”

Nesse momento nós estamos sendo breves, específicos, falando de nós mesmos e também dando oportunidade para a pessoa se explicar.

Os pais precisam ter um suporte em termos de comunicação. Escuto muito:  “Dra. Fátima, eu prefiro que ele beba aqui do que beba na rua”. Quando vem esse discurso, a gente já sabe que a família está refém. Porque uma das coisas mais fortes dos jovens são as tribos, são quando eles se unem? Porque os pais não se unem? Vou na casa do fulano…. “OK. Passe o telefone de lá”…. Você não vai ligar, né? “Vou, sim! Eu não estou ligando para o seu amigo, eu estou ligando para os pais…” Os pais tem que fazer uma rede de conexão, mas os pais tem pré-conceito. Eles têm o conceito de que “se eu falar, vou estar mostrando insegurança, ou vou invadir o espaço, eu controlo meu filho”.

Nós temos que mudar esse conceito. Os pais têm que se unir para isso.

União dos pais e da Sociedade para conseguir mudanças

Uma das coisas que a gente mais vê é que o que dá certo é essa união da sociedade. Não é o político que vai mudar a realidade para nós. Se formos ver, todas as leis que mudaram o mundo vieram de uma mobilização social, não veio do meio político.

Quando a gente pega “Mothers against drunk driving”, uma mãezinha sozinha que perdeu a filha atropelada por um motorista bêbado conseguiu mudar as leis dos Estados Unidos. Ela fez uma mobilização social.

Hoje, se você fumar um beck lá  nos Estados Unidos, tudo bem (apesar que já estão se mobilizando contra isso também). Mas se você for pego dirigindo nos Estados Unidos bêbado, você vai preso, perde a carteira. A lei é num nível fantástico, porque teve UMA mãezinha chamada Candice que lutou, que fez uma mobilização social e ela mudou a lei de todos os estados dos Estados Unidos.

Nós temos que fazer isso na hora em que o “não esquenta” entra na minha casa. Saiba que pelo Estatuto da Criança e do Adolescente a família precisa saber a corresponsabilidade social que ela tem. E é uma crença distorcida achar que se fumar em casa ele está protegido.

Nós temos que lembrar que não importa a relação emocional: pais e filhos, marido e mulher ou a relação que for –  precisamos tomar cuidado para não ficarmos reféns da doença que começa a aparecer.

É melhor beber ou fumar em casa?

É melhor beber, é melhor fumar em casa. Porque é MELHOR? Ao contrário: “Aqui, na sua casa, está absolutamente proibida a bebida!” Isto tem que estar claro! A família, por falta de orientação acaba incentivando e ficando refém da doença.

As famílias estão também cada vez mais permissivas: Todo mundo usa… todo mundo bebe… E também, outra coisa: a cerveja, por exemplo, é considerada um refrigerante de malte. OI????? “O que é que tem uma cervejinha?”

Outra coisa grave que está acontecendo é a alienação parental. É muito grave o quanto os filhos, hoje, estão sendo massa de manobra para tudo, para dizer que a sua mãe não deixa, ele acaba deixando… seu pai é um horror porque deixa…

Mais de 30% dos jovens de hoje fumam menos que os jovens de minha época, isto devido à legislação altamente restritiva.

Nós somos vítimas de um marketing. E se nós não aproveitarmos e fizermos uma leitura adequada disso, seremos pais permissivos, pais sem mobilização social e pais sem empatia pelo outro.

Uma dica importante é que nós temos que engajar nossos filhos em projetos sociais. Hoje temos uma gama de projetos sociais, não para ele ir lá e se achar diferente, mais do que o outro. Mas para ele achar a empatia, a autoeficácia. A autoeficácia é o grande problema do jovem: ele se acha um nada… e aí ele tem que fazer alguma coisa para se achar: fumar, beber. Então, ele não está precisando de uma autoeficácia? Vamos fazer com que ele desenvolva projetos sociais.

É interessante ver a maturidade emocional de jovens que são engajados em projetos sociais. Duvido que esses jovens usem drogas!

Falar sobre prevenção: não adianta cartilha, não adianta falar… a gente precisa entender hoje, de fato, que o grande calcanhar de Aquiles que temos é essa falta de habilidade emocional que todos nós temos. A gente acaba vendo uma série de youtubers aí, meninas, cortadas… uma onda de suicídio…Como assim? Ela era maravilhosa, ela era tudo o que eu queria ser. Como ela se matou?

Só para terminar, fica aqui uma dica para as mães, pais ou jovens: a gente deve se desprover de qualquer sentimento de austeridade e deve falar como nos sentimos… falem com seus filhos! Não apontem os dedos… estendam as mãos. Seus filhos precisam olhar vocês de uma forma diferente para eles poderem se olhar.

Gostou do assunto? Assista a conversa na íntegra:

https://www.youtube.com/watch?v=RmbwV97hgd0&feature=youtu.be

Álcool, drogas e direção – Semana Nacional do Trânsito

De 18 a 25 de Setembro – Semana Nacional do Trânsito

Álcool, drogas e direção: perceba o risco… Proteja a vida!

 

A Semana Nacional de Trânsito (SNT), conforme disposto no art. 326 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), é comemorada anualmente entre os dias 18 e 25 de setembro.

Ações em todo o país são realizadas pelos órgãos do Sistema Nacional de Trânsito com o objetivo de conscientizar todos os envolvidos, sejam eles motoristas, passageiros, motociclistas, ciclistas ou pedestres.

O tema definido oficialmente pelo Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) para a Campanha Educativa de Trânsito de 2020 é “Perceba o risco, proteja a vida”, o qual busca chamar a atenção sobre os perigos no trânsito, bem como outros riscos à saúde do cidadão.

É importante perceber os riscos que o álcool e outras drogas trazem a todas as pessoas, sejam elas os condutores, os passageiros ou os pedestres.

Usar substâncias e dirigir é uma escolha que tem efeitos e consequências e quem opta por isso deve assumir a responsabilidade de seus atos.

Ocorre que, muitas vezes, quem acaba sofrendo as consequências dessa escolha equivocada são pessoas que não tem responsabilidade nenhuma sobre isso.

Em todo o mundo, estima-se que entre um quarto e metade das vítimas fatais de acidentes de transporte terrestre (ATT) relaciona-se com o uso abusivo do álcool.

Segundo o estudo Análise da mortalidade por acidentes de transporte terrestre antes e após a Lei Seca – Brasil, 2007-2009, “condutores com concentração de álcool no sangue (alcoolemia) igual ou superior a 0,2 g/l apresentam déficits nas habilidades necessárias à condução segura, como funções de atenção dividida, habilidades visuais reduzidas e prejuízo no acompanhamento de movimento.

Logo, quanto maior a concentração de álcool no sangue do condutor, maior a probabilidade de ocorrer um acidente“.

Por isso, a Lei 11.705 (Lei Seca) foi criada, fiscalizando e educando as pessoas para o trânsito.

A pesquisa citada identificou melhora nos números de acidentes causados pelo consumo de bebida alcoólica entre os anos de 2007 e 2009, apontando redução proporcional significativa no risco de morte por ATT, variando de -7,4% para o Brasil a -11,8% nas capitais.

Meta até 2020 sobre Segurança do Trânsito

A meta da Década Mundial de Ações para a Segurança do Trânsito (2011-2020), proposta pela Organização Mundial de Saúde, é evitar 5 milhões de mortes de trânsito no mundo.

Sem nenhuma ação preventiva, o número de vítimas pode chegar a 1,9 milhão por ano até 2020.

Para diminuir essas projeções, os países — entre eles o Brasil — têm tomado medidas para melhorar a segurança rodoviária, inclusive no aumento da aplicação da legislação existente.

A resolução foi elaborada com base em pesquisa realizada pela OMS em 178 países que estimou que, em 2009, aconteceram cerca de 1,3 milhão de mortes por acidentes de trânsito.

Ela recomenda aos países-membros a elaboração de um plano de ação para guiar as ações nessa área, tendo como meta estabilizar e reduzir o número de mortes no trânsito em todo o mundo.

Para isso, periodicamente o órgão promove ações de conscientização de pessoas de todas as idades, além de disponibilizar cartilhas com dicas de atividades e brincadeiras para todas as faixas etárias, adequando as noções de cidadania no trânsito para as crianças desde a pré-escola.

Dados Alarmantes

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), são registradas mais de 1,3 milhão de mortes por ano, além dos milhões de pessoas feridas.

Relatórios da OMS revelam que as perdas provocadas pela violência do trânsito se caracterizam como um problema de saúde pública com proporções epidêmicas.

Os acidentes de trânsito têm sido reconhecidos pelas Nações Unidas como um desafio para a realização das metas de saúde e desenvolvimento.

Apenas 15% dos países têm leis abrangentes relativas a cinco principais riscos: excesso de velocidade, mistura de álcool e direção; o não uso de capacetes; uso incorreto de cintos de segurança; e sistemas inadequados de segurança para crianças.

Um balanço sobre a violência no trânsito, divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostra que, em sua maior parte, os acidentes acontecem durante o dia (59%), com tempo bom (75%) e em retas (67%).

Os números dos acidentes de trânsito no Brasil assustam e não deixam dúvida: o problema é grave, muito grave mesmo.

No Brasil, a cada 60 minutos, em média, pelo menos cinco pessoas morrem vítimas de acidente de trânsito; nos últimos dez anos as vítimas de trânsito causaram enorme impacto na saúde pública, chegando a quase R$ 3 bilhões em custos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

O levantamento mostra ainda que entre 2009 e 2018 houve um crescimento de 33% na quantidade de internações por acidente de transporte em todo o país.

Conforme o CRM, o pior cenário, proporcionalmente, foi identificado no estado de Tocantins, que saiu das 60 internações em 2009 para 1.348 no ano passado (aumento de 2.147%). Na sequência aparece Pernambuco, onde o salto foi de 725% na última década.

Apenas cinco estados registraram queda dessas internações: Maranhão (redução de 40%), Rio Grande do Sul (22%), Paraíba (20%), Distrito Federal (16%) e Rio de Janeiro (2%).

Bebidas alcoólicas (álcool)

Pesquisa realizada no ano de 1997, abrangendo quatro capitais (Salvador, Recife, Brasília e Curitiba) pela ABDETRAN (Associação Brasileira dos Departamentos Estaduais de Trânsito), comprova que trânsito e drogas, a começar pelas bebidas alcoólicas, são, de fato, uma combinação nociva à vida.

Os resultados apresentados foram significativos: 61% dos acidentados tinham ingerido bebida alcoólica, sendo que 27,2% apresentaram uma quantidade de álcool no sangue superior à permitida pelo novo Código de Trânsito Brasileiro (0,6 gramas de álcool por litro de sangue).

Em todas as cidades que foram realizadas as pesquisas, a faixa etária de 20 a 39 anos apresentava o maior índice de consumo de álcool: 65%.

Mas é entre os menores de 20 anos de idade que a pesquisa detectou alguns resultados ainda mais graves, com a clara constatação de que os adolescentes continuam infringindo duplamente a lei: fazem uso de bebida alcoólica e dirigem sem habilitação de motorista – uma combinação perigosa e muitas vezes fatal para condutores e pedestres.

Entre os adolescentes de 13 a 17 anos, 10,3% apresentaram teor de álcool no sangue acima do permitido.

Nos acidentados com menos de 20 anos, 52,8% estavam alcoolizados, sendo que 16,5% tinham passado do limite de 0,6 g/l.

As reações provocadas no organismo humano pela ingestão do álcool entre outras drogas são, de fato, uma ameaça ao motorista.

O sistema nervoso cerebral é completamente alterado a partir da ingestão dessas substâncias, em doses razoáveis.

A principal consequência é a perda total ou parcial dos reflexos, comprometendo a capacidade dos motoristas de conduzir com segurança qualquer veículo em via pública.

A primeira reação do organismo à bebida alcoólica é de euforia, desinibição e autoconfiança.

Esse estado de espírito é decorrente da liberação de mediadores neurais, substâncias produzidas pelo próprio organismo, e que causam desequilíbrio ao sistema nervoso cerebral.

Essa primeira fase dura pouco, no máximo uma hora. No entanto, é seguida de depressão, com diminuição da capacidade física, motora e mental, o que compromete a atenção e o estado de alerta necessários à segurança no trânsito.

Drogas

As outras drogas, como cocaína, crack, anfetaminas e tranquilizantes, também provocam algumas reações no organismo, que somadas aos efeitos do álcool se tornam mais graves.

O uso da cocaína, por exemplo, produz uma sensação de grandeza e aumenta a sensibilidade a estímulos externos, distorcendo a noção da realidade.

As anfetaminas têm efeito parecido e por isso são utilizadas por motoristas de caminhão, apesar dos grandes riscos que oferecem aos que querem se manter acordados para fazer longos percursos. É o chamado “rebite”.

Quanto à maconha, seu principal efeito é a perda do senso de realidade. A maconha reduz a capacidade de dirigir por até oito horas após o uso.

Todos esses efeitos são de alta periculosidade, principalmente no trânsito. Nesses casos, os acidentes costumam ser graves: 63,6% de capotamentos e 71,1% de choques.

A pesquisa mostrou que grande parte das vítimas da cocaína e da maconha no trânsito é formada por jovens de 20 a 39 anos. E, o mais grave, que os adolescentes de 13 a 17 anos constituem o segundo grupo de maior consumo dessas drogas.

Entre os menores de 20 anos, foi constatada a presença de maconha na urina de 7,8% dos acidentados, de cocaína em 1,9% e de diazepínicos (tranquilizantes) em 4,5%. Outro dado importante é que os jovens fazem tanto uso dos barbitúricos (hipnóticos e tranquilizantes) quanto os adultos. De 0 a 19 anos, a incidência é de 1,9%, de 20 a 39 anos chega a 1,4%, e de 40 a 59 anos é de 1,7%.

Dia Nacional de Prevenção e Combate à Depressão

Neste 15 de setembro, Dia Nacional de Prevenção e combate à Depressão, precisamos falar sobre a relação da adolescência, da depressão, do uso de drogas e do suicídio entre nossos filhos e amigos.

O suicídio é a segunda causa de morte em jovens dos 15 aos 29 anos de idade. Em mulheres, é a principal causa de mortalidade na faixa etária dos 15 aos 19 anos. Apesar de ser o desfecho trágico de um conjunto de fatores – é equivocado e simplista associar o suicídio a uma única causa – estudos mostram que quase 100% das vítimas apresentavam pelo menos um transtorno psiquiátrico, especialmente a depressão, considerada o principal fator de risco para o suicídio.

Uma atenção especial deve ser dada aos adolescentes que sofreram maus tratos na infância (incluindo negligência, abuso emocional e sexual), aqueles que são vítimas de bullying e violência, além daqueles que apresentem automutilação e, principalmente, história prévia de tentativa de suicídio. É comum que esses adolescentes, fragilizados pela doença psiquiátrica, como depressão, transtorno de estresse pós-traumático ou abuso de substâncias, ao procurar na internet informações que o ajudem a entender o que estão sentindo, entrem em contato com conteúdo inadequado.

O uso de substâncias por parte dos jovens pode gerar transtornos psiquiátricos, que por sua vez são fatores de risco para o suicídio. Não necessariamente quer dizer que o jovem tem a consciência que ao usar uma substância, as consequências podem ser tão graves. Por isso o combate às drogas deve ser feito, principalmente entre crianças e adolescentes, pois os riscos de consumo são muito altos.

Nesse artigo vamos usar o exemplo de Kevin Breel, um adolescente que aos 19 anos tornou-se um fenômeno mundial com sua TED Talk*.

O mundo nunca tinha visto um garoto dessa idade falar sobre um tema tão pesado quanto a depressão suicida e com tamanha leveza, inteligência e consciência.

Ele conta como um adolescente saudável e supostamente feliz passou a lutar diariamente contra a depressão e o desejo de se matar.

Seu livro Confissões de um adolescente depressivo é um guia para sobreviver à depressão ou entender melhor quem a enfrenta na adolescência, escrito por alguém que atravessou a escuridão e agora lança mão do seu estilo único para trazer luz e esperança à vida de milhões de jovens e adolescentes.

Livro de Kevin Breel que retrata sua história de vida como um adolescente que sofre de depressão

 

Ao retratar sua história de vida e passagens mais difíceis como a superação do bullying na escola e a perda inusitada de seu melhor amigo, Breel faz um relato honesto e transparente sobre como um jovem atravessou esse desafio e conseguiu superar sua doença.

Assista na íntegra seu TED Talk e leia a transcrição do que Kevin falou. Precisamos estar atentos aos sinais que nossos filhos e amigos nos mandam.

A maioria dos suicidas fala ou dá sinais sobre suas ideias de morte. Boa parte expressou em dias ou semanas anteriores, frequentemente aos profissionais de saúde, seu desejo de tirar a vida.

É importante os pais ficarem atentos aos comportamentos dos adolescentes, a perda de interesse em atividades antes importantes, o isolamento e frases que demonstrem desespero, desesperança e desamparo são sinais de alerta.

Transcrição do TED Talk de Kevin Breel:

“Por muito tempo na minha vida, eu senti como se tivesse vivido duas vidas diferentes. Existe a vida que todos veem, e então existe a vida que só eu vejo.

E na vida que todos veem, quem eu sou é um amigo, um filho, um irmão, um comediante de stand-up e um adolescente.

Essa é a vida que todo mundo vê. Se você pedisse aos meus amigos e familiares que me descrevessem, é o que eles diriam. E isso é uma grande parte de mim. Isso é quem eu sou.

E se você me pedisse para me descrever, provavelmente eu diria algumas dessas mesmas coisas. E eu não estaria mentindo, mas também não estaria totalmente dizendo a verdade, porque a verdade é que essa é apenas a vida que todo mundo vê.

Na vida que só eu vejo, quem eu sou, quem realmente sou, é alguém que luta intensamente contra a depressão. Eu tenho nos últimos seis anos da minha vida, e continuo todos os dias.

Agora, para alguém que nunca experimentou depressão ou não sabe realmente o que isso significa, isso pode surpreendê-los em ouvir, porque há um equívoco muito popular de que depressão é apenas ficar triste quando algo dá errado em sua vida, quando você termina com sua namorada, quando você perde um ente querido, quando você não consegue o emprego que queria. Mas isso é tristeza. Isso é uma coisa natural. Essa é uma emoção humana natural.

A verdadeira depressão é não ficar triste quando algo dá errado em sua vida. A verdadeira depressão é ficar triste quando tudo em sua vida está indo bem. Isso é depressão real, e é disso que eu sofro.

E para ser totalmente honesto, é difícil para mim ficar de pé aqui e dizer. É difícil para mim falar sobre, e parece ser difícil para todos falarem, tanto que ninguém fala sobre isso.

E ninguém está falando sobre depressão, mas precisamos, porque agora é um problema enorme. É um problema enorme!

Mas não vemos isso nas redes sociais, certo? Não vemos isso no Facebook. Não vemos isso no Twitter. Não vemos isso nas notícias, porque não é feliz, não é divertido, não é leve.

E então, porque não vemos isso, não vemos a gravidade disso.

Mas a gravidade e a seriedade disso são: a cada 30 segundos, em algum lugar, alguém no mundo tira a própria vida por causa da depressão, e pode estar a dois quarteirões de distância, pode estar a dois países de distância, pode estar a dois continentes de distância, mas está acontecendo, e está acontecendo todos os dias.

E temos uma tendência, como sociedade, de olhar para isso e pensar: "E daí?" E daí?

Nós olhamos para isso e pensamos: "Esse é o seu problema. Esse é o problema deles. ” Dizemos que estamos tristes e pedimos desculpas, mas também dizemos: "E daí?"

Bem, dois anos atrás, o problema era meu, porque me sentei na beira da cama onde já havia me sentado um milhão de vezes antes e era suicida.

Eu era suicida e, se você olhasse para a minha vida na superfície, não veria uma criança suicida.

Você veria um garoto que era o capitão de seu time de basquete, o estudante de teatro e drama do ano, o estudante de inglês do ano, alguém que estava consistentemente na lista de honra e em todas as festas.

Então você diria que eu não estava deprimido, você diria que eu não sou suicida, mas você estaria errado.

Você estaria errado!

Então eu sentei lá naquela noite ao lado de um frasco de comprimidos com uma caneta e papel na minha mão e pensei em tirar minha própria vida e cheguei perto de fazer isso. Eu cheguei perto de fazer isso.

E eu não fiz, então isso me torna um dos sortudos, uma das pessoas que pode pisar na saliência e olhar para baixo, mas não pular, um dos sortudos que sobrevivem.

Bem, eu sobrevivi, e isso apenas me deixa com minha história, e minha história é esta: Em quatro palavras simples, eu sofro de depressão.

Sofro de depressão e há muito tempo, acho, vivi duas vidas totalmente diferentes, onde uma pessoa sempre teve medo da outra.

Eu estava com medo de que as pessoas me vissem como eu realmente era, que eu não fosse o garoto perfeito e popular no colégio que todos pensavam que eu era, que sob meu sorriso havia luta, e sob minha luz, havia escuridão, e por baixo da minha grande personalidade escondia uma dor ainda maior.

Veja, algumas pessoas podem temer que as meninas não gostem delas também. Algumas pessoas podem ter medo de tubarões. Algumas pessoas podem temer a morte.

Mas por mim, durante grande parte da minha vida, tive medo de mim mesmo.

Eu temia minha verdade, temia minha honestidade, temia minha vulnerabilidade e esse medo me fazia sentir como se eu fosse forçado a um canto, como se eu fosse forçado a um canto e só houvesse uma saída, então pensei sobre isso todos os dias.

Eu pensei sobre isso todos os dias, e se estou sendo totalmente honesto, estando aqui, eu pensei sobre isso novamente, porque isso é a doença, isso é a luta, isso é depressão, e depressão não é catapora. Você não a vence uma vez e ela se foi para sempre.

É algo com que você vive. É algo em que você vive. É o colega de quarto que você não pode expulsar. É a voz que você não pode ignorar.

São os sentimentos dos quais você não consegue escapar, a parte mais assustadora é que depois de um tempo, você fica entorpecido.

Torna-se normal para você, e o que você realmente mais teme não é o sofrimento dentro de você. É o estigma dentro dos outros, é a vergonha, é o constrangimento, é a expressão de desaprovação no rosto de um amigo, são os sussurros no corredor que você é fraco, são os comentários de que você é louco.

Isso é o que o impede de obter ajuda. É isso que faz você segurar e esconder. É o estigma.

Então você segura e esconde, e você segura e esconde, e mesmo que esteja mantendo você na cama todos os dias e fazendo sua vida parecer vazia, não importa o quanto você tente preenchê-la, você a esconde, porque o estigma em nossa sociedade em torno da depressão é muito real.

É muito real, e se você acha que não é, pergunte-se o seguinte: Você prefere fazer com que seu próximo status no Facebook diga que está tendo dificuldade para sair da cama porque machucou as costas ou está tendo um problema na hora de sair da cama todas as manhãs porque está deprimido?

Esse é o estigma, porque, infelizmente, vivemos em um mundo onde se você quebrar o braço, todos correm para assinar o gesso, mas se você contar às pessoas que está deprimido, todos correm para o outro lado.

Esse é o estigma.

Aceitamos tanto qualquer parte do corpo que não seja nosso cérebro. E isso é ignorância. Isso é pura ignorância, e essa ignorância criou um mundo que não entende a depressão, que não entende a saúde mental.

E isso é irônico para mim, porque a depressão é um dos problemas mais bem documentados que temos no mundo, mas é um dos menos discutidos.

Nós apenas o colocamos de lado e o colocamos em um canto e fingimos que não está lá e esperamos que se conserte.

Bem, não vai. Não foi, e não vai, porque isso é ilusão, e ilusão não é um plano de jogo, é procrastinação, e não podemos procrastinar em algo tão importante.

O primeiro passo para resolver qualquer problema é reconhecer que existe um.

Bem, não fizemos isso, então não podemos realmente esperar encontrar uma resposta quando ainda temos medo da pergunta.

E eu não sei qual é a solução. Eu queria, mas não quero - mas acho, acho que tem que começar aqui.

Tem que começar comigo, tem que começar com você, tem que começar com as pessoas que estão sofrendo, aquelas que estão escondidas nas sombras.

Precisamos falar mais alto e quebrar o silêncio.

Precisamos ser aqueles que são corajosos por aquilo em que acreditamos, porque se há uma coisa que percebi, se há algo que vejo como o maior problema, não é construir um mundo onde eliminemos a ignorância dos outros.

É construir um mundo onde ensinamos a aceitação de nós mesmos, onde estamos bem com quem somos, porque quando somos honestos, vemos que todos nós lutamos e todos sofremos.

Seja com isso, seja com outra coisa, todos nós sabemos o que é doer. Todos nós sabemos o que é ter dor no coração e todos sabemos como é importante curar.

Mas agora, a depressão é o corte profundo da sociedade que nos contentamos em colocar um band-aid e fingir que não está lá. Bem, está aí.

Está aí, e quer saber? Está bem. A depressão está bem. Se você estiver passando por isso, saiba que você está bem.

E saiba que você está doente, você não é fraco, e isso é um problema, não uma identidade, porque quando você supera o medo e o ridículo e o julgamento e o estigma dos outros, você pode ver a depressão pelo que realmente é, e isso é apenas uma parte da vida, apenas uma parte da vida, e por mais que eu odeie, por mais que odeie alguns dos lugares, algumas das partes da minha vida em que a depressão me arrastou para baixo, em muito de certa maneira sou grato por isso.

Porque sim, isso me colocou nos vales, mas apenas para me mostrar que há picos, e sim, isso me arrastou pela escuridão, mas apenas para me lembrar que há luz.

Minha dor, mais do que qualquer coisa em 19 anos neste planeta, me deu perspectiva, e minha dor, minha dor me forçou a ter esperança, esperança e fé, fé em mim mesmo, fé nos outros, fé que posso melhorar, que podemos mudar isso, que podemos falar e falar e lutar contra a ignorância, lutar contra a intolerância e, mais do que tudo, aprender a amar a nós mesmos, aprender a nos aceitar por quem somos, pelas pessoas que somos, não as pessoas que o mundo quer que sejamos.

Porque o mundo em que acredito é aquele em que abraçar sua luz não significa ignorar sua escuridão.

O mundo em que acredito é aquele em que somos avaliados por nossa capacidade de superar adversidades, não evitá-las.

O mundo em que acredito é aquele em que posso olhar alguém nos olhos e dizer: "Estou passando pelo inferno", e eles podem olhar para mim e dizer: "Eu também", e está tudo bem, e está tudo bem porque depressão está bem.

Somos pessoas. Somos pessoas e lutamos e sofremos e sangramos e choramos, e se você acha que a verdadeira força significa nunca mostrar nenhuma fraqueza, então estou aqui para dizer que você está errado.

Você está errado, porque é o oposto. Somos pessoas e temos problemas. Não somos perfeitos e tudo bem.

Então, precisamos parar com a ignorância, parar com a intolerância, parar com o estigma e parar com o silêncio, e precisamos tirar os tabus, dar uma olhada na verdade e começar a falar, porque o único jeito que vamos vencer um problema contra o qual as pessoas estão lutando sozinhas é permanecermos fortes juntos, permanecermos fortes juntos.

E acredito que podemos. Eu acredito que nós podemos. Muito obrigado pessoal. Este é um sonho que se tornou realidade. Obrigado.”

 

* TED é uma organização sem fins lucrativos com o objetivo de compartilhar ideias por meio das talks, ou, em português, conversas. As talks são um modelo de palestras mais curtas e eficazes para chamar a atenção para um único tópico.

Prevenção ao suicídio

Neste mês de setembro, salvar vidas é falar sobre Prevenção ao Suicídio.

Para o Freemind e ISSUP Brasil, salvar vidas é a nossa missão e o caminho para isso é a Prevenção.

Nossos jovens e até mesmo nossas crianças estão cada dia mais vulneráveis a ideações suicidas e tentativas de suicídio.

Precisamos estar atentos aos sinais. Por isso, compartilhamos um material da Campanha Setembro Amarelo 2020, da ABP e CFM voltado aos pais, responsáveis e educadores.

 

Carta aos pais, responsáveis e educadores

Como sabemos, os jovens estão suscetíveis às mudanças fisiológicas que são características da fase de amadurecimento físico e psíquico. Quem convive com um adolescente, sabe que as mudanças nem sempre são fáceis. Nós sabemos que tudo isso vai passar, mas para isso precisamos trabalhar juntos em prol da criança ou do jovem que está precisando da nossa ajuda.

 

Como identificar que o jovem está precisando de ajuda?

Nossos jovens e até mesmo nossas crianças estão cada dia mais vulneráveis a ideações suicidas e tentativas de suicídio.

Sabemos que essas mudanças fisiológicas podem ser um dos fatores que levam ao desencadeamento de doença psiquiátrica, um gatilho para a pessoa que tem predisposição genética para desenvolver doença mental.

Por isso devemos ficar atentos a alguns sinais. Em primeiro lugar, é necessária a observação.

Os pais precisam perceber as mudanças de comportamento dos filhos, os sinais que crianças e adolescentes emitem quando estão passando por algum problema.

Alguns destes comportamentos são isolamento, impulsividade, tristeza constante, distorção de imagem corporal, dificuldade de relacionamento com pessoas da mesma idade, insegurança, queda no desempenho escolar, crises de raiva, baixa autoestima, atração por comportamentos de risco, dentre outros.

 

Precisamos falar sobre automutilação?

A automutilação é definida como qualquer comportamento intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo sem intenção consciente de suicídio, mas que é considerado fator de risco para o suicídio.

Ao lidar com as frustrações ou quando estão vivendo situações extremas, os jovens podem recorrer a comportamentos de risco e agressivos, sejam com outras pessoas, sejam consigo mesmos.

Por isso, devemos ficar atentos aos seguintes comportamentos: consumo de álcool e outras drogas, começo de vida sexual precoce e, principalmente, as lesões que nunca cicatrizam, arranhões, falta de cabelo em locais específicos da cabeça, mordidas, manchas, queimaduras que sempre surgem sem explicação.

Mas atenção, muitas vezes essas lesões ficam em locais escondidos, nem sempre são nos braços ou pernas.

A intensidade, repetição e continuidade também são importantes para o diagnóstico.

A automutilação é muito grave, por isso nunca deve ser considerada exagero ou “frescura”. Os comportamentos autoagressivos precisam ser tratados com médico psiquiatra e terapia sob o risco de, se não tratados, podem levar ao suicídio.

 

Como abordar o jovem?

A informação correta com orientação especializada é sempre o melhor caminho.

Os pais, responsáveis e educadores precisam estar atentos para debater essas questões em casa e no ambiente escolar.

Ter doença mental diagnosticada é o mais importante para avaliar a automutilação, mas existem dois fatores de risco da automutilação que podem ser observados e combatidos, como o uso de drogas e o bullying.

Portanto, esses temas podem e devem ser presentes nas conversas em família e também nos debates nas escolas.

Os professores, caso percebam que a criança e ou o adolescente apresentem sintomas de doenças psiquiátricas, é importante que alertem os pais para que possam buscar ajuda profissional adequada.

 

Sugerimos abaixo algumas perguntas para guiar a conversa em casa ou na escola:

Você já sentiu vontade de se cortar?

Quando fez esses ferimentos, você pensava em quê? O que sentia?

Você já sentiu vontade de desaparecer ou morrer?

Quantas vezes você repete esses ferimentos por semana, dia?

A automutilação, assim como todas as doenças psiquiátricas, tem tratamento. Por isso, busque um psiquiatra.

 

Este material foi desenvolvido pela ABP – Associação Brasileira de Psiquiatria e CFM – Conselho Federal de Medicina para a Campanha Setembro Amarelo 2020 e está disponível no site: https://www.setembroamarelo.com/

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?time_continue=44&v=CffOIfX9VbQ&feature=emb_logo

Alguém Perguntou às Crianças como Elas Estão se Sentindo?

Quais os direitos das crianças?

Um deles é o direito a brincar, uma vez que o brincar se apresenta como ferramenta essencial para a sua saúde durante seu crescimento, já que ela se descobre na brincadeira, bem como apreende o mundo de forma lúdica, vivenciando as experiências de forma adequada à sua idade. A criança que brinca constrói uma estrutura psicológica e emocional resiliente e muito mais preparada para enfrentar os desafios do mundo adulto no futuro.

Já é comprovado que grande porcentagem das crianças que se encontram em situação de vulnerabilidade busca nas ruas atividades que lhe proporcionem brincadeira, diversão e lazer, sendo as drogas um instrumento que permite atingir tal objetivo. Logo, se esses jovens fazem uso das drogas buscando - entre outras coisas, mas principalmente - o lúdico; então a garantia do direito ao brincar representaria uma forma de prevenção ao uso das drogas na infância e juventude.

Outro direito que as crianças têm garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente é o direito à liberdade, e tal direito compreende a liberdade de opinião e expressão (art. 16, II). Em outras palavras, a criança e o adolescente podem e devem emitir opinião.

Mas será que as crianças estão sendo ouvidas neste momento de pandemia? O quanto isto interfere na sua saúde mental e na prevenção ao uso de drogas?

Neste brilhante artigo, Dr. Luiz Antonio Miguel Ferreira, Dr. Luiz Gustavo Fabris Ferreira, Dra. Lygia T. Durigon e Dra. Clarice Krohling Kunsch, trazem uma abordagem crítica a respeito da atual situação vivenciada por toda a população, em especial as crianças. Muitas vezes as ações tomadas não estão realmente beneficiando as crianças e os adolescentes, os quais podem e devem ser ouvidos para que as metas e os planos sejam devidamente traçados.

Leia o artigo na íntegra:

01.

As crianças, até há pouco tempo, eram ignoradas ou sem relevância social ou legal. Seus desejos, opiniões e sentimentos tinham pouca ou nenhuma importância. Não deveriam se manifestar e sequer eram ouvidas.

Foi com a entrada em vigor da Constituição Federal e depois do Estatuto da Criança e do Adolescente que ocorreu uma ruptura legal deste paradigma. Passou-se a considerá-las, de maneira correta, como verdadeiros sujeitos de direitos e de garantias. Direitos iguais aos dos demais cidadãos, como, por exemplo, direito à vida, à saúde, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre outros.

Em razão desta mudança, novos horizontes se descortinaram para as crianças e adolescentes, posto que reconhecendo-os como sujeitos de direitos, ganharam voz. Nesse sentido, o Estatuto da Criança e do Adolescente, ao tratar do direito à liberdade, deixou expressamente consignado que tal direito compreende a liberdade de opinião e expressão (art. 16, II). Em outras palavras, a criança e o adolescente podem e devem emitir opinião.

Para determinadas situações, como, por exemplo, a colocação da criança ou adolescente em família substituta, a sua manifestação de vontade é extremamente relevante. Diz a lei: “sempre que possível, a criança ou o adolescente será previamente ouvido por equipe interprofissional, respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as implicações da medida, e terá sua opinião devidamente considerada” (ECA., art. 28, § 1º).  Ato contínuo, o § 2º do mesmo artigo ainda ressalta, indo além: “Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de idade, será necessário seu consentimento, colhido em audiência”. No mesmo sentido, o Estatuto na parte que trata sobre a adoção estabelece, novamente: “em se tratando de adotando maior de doze anos de idade, será também necessário o seu consentimento (ECA., art. 45, § 2º).

Todo este procedimento tem uma lógica, ou seja, medidas que serão tomadas em relação à criança e ao adolescente, precisam levar em consideração a sua manifestação de vontade, a sua opinião, o seu consentimento. Dessa maneira, será devidamente valorizado o seu “superior interesse”, que é o princípio que norteia todas as relações infanto-juvenis.  É necessário perguntar à criança e ao adolescente o que estão sentindo em relação a sua situação pessoal, familiar, cultural, social etc.

 

02.

E essa manifestação de vontade, de liberdade de expressão e opinião deve ser colhida, dentro da esfera jurídica, com as cautelas necessárias, visando, sempre, preservar os direitos fundamentais da criança e prevenir a ocorrência de violência.

Nesse sentido, foi editada a Lei n. 13.431/2017, que estabeleceu procedimentos para oitiva de criança e adolescente vítima ou testemunha de violência. Apontou-se como direitos das crianças e dos adolescentes, entre outros, ser ouvido e expressar seus desejos e opiniões, assim como permanecer em silêncio; ser ouvido em horário que lhe for mais adequado e conveniente; sempre que possível, prestar declarações em formato adaptado (isto, para crianças e adolescentes com deficiência) ou em idioma diverso do português.

Define ainda a referida legislação duas formas de ser realizada a oitiva da criança ou do adolescente:

Art. 7º Escuta especializada é o procedimento de entrevista sobre situação de violência com criança ou adolescente perante órgão da rede de proteção, limitado o relato estritamente ao necessário para o cumprimento de sua finalidade.

Art. 8º Depoimento especial é o procedimento de oitiva de criança ou adolescente vítima ou testemunha de violência perante autoridade policial ou judiciária.

Constata-se do exposto, que a legislação demorou, mas finalmente reconheceu o direito da criança e do adolescente se manifestar e emitir a sua opinião, estabelecendo até um rito especial para esse procedimento, quando se revela notícia de ilícito da qual foi vítima.

A criança e o adolescente foram, enfim, reconhecidos como sujeitos de direitos. No entanto, apesar da legislação em vigor e da mudança de paradigma, indaga-se, diante do contexto atual, a real concretização desse direito fundamental “à consideração da opinião das crianças e adolescentes”. Estaria ele sendo efetivado? A oitiva deste grupo da população está realmente ocorrendo e sendo considerada? Alguém perguntou às crianças como elas estão se sentindo?

Se, no aspecto jurídico, o lugar das crianças e adolescentes foi efetivado, cabe enfatizar a importância da escuta de seus anseios, preocupações, medos e sentimentos, na vida e nas relações cotidianas. Em um momento atípico da história, no contexto da pandemia do novo Coronavírus, a saúde mental de crianças e adolescentes deve ser objeto de atenção e, para tanto, é necessário ampliar o olhar para enxergar o que elas estão sentindo ou o que conseguem demonstrar ou expressar.

03.

Com a pandemia, que estamos enfrentando, as crianças de todo o mundo tiveram suas atividades escolares interrompidas abruptamente. Interromperam processos de aprendizagem escolar, encontros afetivos, desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais. Muitas perderam a rede de apoio e de convivência extra núcleo familiar. Perderam a liberdade de ir e vir – juntamente com seus pais, familiares, conhecidos e desconhecidos. Direitos, como o lazer e o brincar, foram restringidos. Escancarou-se a desigualdade. Desabou sobre nós a quebra de nosso cotidiano rotineiro.

Na realidade desigual do Brasil, vemos cenários bem distintos entre a rede pública e a rede particular de educação. Por um lado, a escola pública com inumeráveis dificuldades para garantir que o ensino chegue aos alunos, porque, em se tratando do básico para o ensino à distância, faltam internet, equipamentos tecnológicos e formação adequada aos professores. Alunos, professores e famílias da rede pública perderam muito. Perderam uma importante fonte de alimentação (muitas faziam a principal refeição na escola), além de viverem em situação de grande vulnerabilidade econômica, social e afetiva. O acesso ao ensino ficou limitado e o contexto social e familiar em que vivem nem sempre oferece às crianças e jovens oportunidades de desenvolvimento. E, com tudo isso, alguém perguntou a uma criança da escola pública, de baixa renda, exposta a um contexto social de vulnerabilidade, como ela está se sentindo?

Nos bastidores da rede particular de ensino, há um movimento de preocupação excessiva de escolas e famílias. Ambos os grupos ficaram perdidos entre tudo aquilo que deveriam cumprir como ideologia, metas de ensino e as obrigatoriedades previstas pelo Ministério da Educação – MEC e pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Educação do país. De modo geral, o movimento das escolas particulares foi de continuar tentando cumprir programas e cronogramas. O ensino remoto foi improvisado, com professores procurando estratégias de todos os tipos para engajamento dos alunos. Começou-se uma infinidade de exigências de prazos, de presenças em aulas online, entregas de trabalhos e tarefas, entre outras. O modelo se transformou, mas as exigências se mantiveram. A regra da presença em aulas e o cumprimento de tarefas continuaram valendo para crianças de qualquer idade, o que, obviamente, ignora diversos aspectos importantes da pedagogia, psicologia e do próprio direito à educação. Neste novo formato de escola, alguém perguntou às crianças como elas estão se sentindo?

Muitas das famílias se desorganizaram afetiva e emocionalmente. A convivência se intensificou e a privacidade se perdeu. O que fazer com os filhos, o que fazer com o trabalho, como cuidar da casa e como acompanhar as atividades escolares? A maioria das famílias, independentemente da realidade socioeconômica, não faz ideia de como criar condições de ensino apropriadas, simplesmente porque não tem formação e nem experiência para tanto. Os pais se estressam, exigem que os filhos realizem as tarefas e/ou que estejam atentos às aulas. As crianças resistem a realizar as tarefas pelo simples fato de estarem sendo exigidas em um contexto completamente diferente daquele em que estão acostumadas. E, principalmente, porque todos (adultos e crianças) estão emocionalmente vulneráveis.

As crianças percebem que não cumprem com as exigências impostas e se frustram. Algumas manifestam o desconforto abertamente outras, se calam. E, em algum momento, todas adoecem ou adoecerão (emocionalmente). As crianças estão irritáveis, intolerantes, ansiosas. As crianças estão com tiques, roendo as unhas, mordendo as pessoas, dormindo mal, comendo pior, infantilizando comportamentos, etc. Elas encontraram formas alternativas de expressarem o mal-estar e sofrimento. E, quase sempre, são punidas pelos novos comportamentos que apresentam.

O contexto gera sofrimento e expressá-lo de forma apropriada depende de uma série de habilidades cognitivas e não cognitivas que muitos indivíduos não desenvolveram ao longo de todo uma vida. Por que esperar isso na infância?

Escolas e famílias entraram em conflito. Na rede pública a exigência é para o mínimo, a oportunidade de manter os estudos. Na particular, o aspecto financeiro torna-se mais um motivo de preocupação. Como continuar pagando uma escola que já não é a mesma? Como manter a qualidade do ensino ou a própria instituição sem recursos? A escola cobra conteúdos para manter o cronograma, os pais exigem que os filhos cumpram e mantêm a demanda para a escola.

Após meses de ensino remoto veem-se professores estressados, alunos desmotivados e gestores ansiosos. A saúde mental de todos em alerta. É urgente, portanto, a necessidade de refletir sobre o que nós, adultos – pais, familiares, professores e gestores – estamos impondo e, sobretudo, sobre o que de fato é importante neste momento.

Se o mundo mudou, se tudo mudou, faz sentido mantermos as mesmas práticas? Se tudo mudou, se tanto se perdeu, faz sentido que as crianças simplesmente cumpram atividades e prazos? Faz sentido que as famílias cobrem os mesmos conteúdos da escola e o padrão de desempenho dos filhos num modo de aprender totalmente novo? Qual o sentido de as crianças serem avaliadas em formatos tradicionais de provas? Ainda mais pensando que a interação dos alunos com os professores ficou limitada, distante. Sem afeto é difícil que haja aprendizagem. Sem bem-estar, a relação ensino-aprendizagem é totalmente comprometida.

Se a escola tem um papel fundamental na formação dos indivíduos, faz sentido manter a rigidez do programa curricular previsto na pré-pandemia, cumprir cronogramas, e, com isso, ensinar a não flexibilizar? Faz sentido oferecer um modelo onde falta empatia, compreensão e solidariedade? Faz sentido que os professores sejam expostos a um volume maior de trabalho, mesmo estando em isolamento? Sem que tenham sido preparados adequadamente com o novo modelo de aulas virtuais/remotas/interativas/domiciliar? Faz sentido que as famílias tenham que transformar suas casas em escolas apesar do trabalho de cada um, com as intensas atividades de home office diárias e dos afazeres domésticos?

O que deve permanecer depois que tudo isso passar? Crianças com sinais de depressão, ansiedade e com outras possíveis variações de comportamento. Crianças com experiências de aprendizagem negativas. Crianças sem notas ou com excesso de notas por atividades feitas por fazer, crianças devendo atividades, projetos. Relações desgastadas entre escolas e famílias, entre pais e filhos. Professores esgotados física e emocionalmente. Sem professores saudáveis, como será o retorno?

A pandemia irá passar e o conteúdo que hoje possa estar perdido, mas que é importante, será e deverá ser adequadamente ensinado e aprendido. Há tempo para isso. Pode-se afirmar que, do ponto de vista da aprendizagem de conteúdos acadêmicos, não haverá perda irreparável. Isto é fato: uma vez que se criem oportunidades de aprendizagem, a aprendizagem ocorre. O mesmo, infelizmente, não ocorre com a saúde mental. Experiências estressoras e traumáticas geram danos, estes sim podem ser irreparáveis. E o que resta são problemas que precisarão ser remediados.

04.

Diante de um cenário que pode possibilitar o retorno às aulas presenciais, indaga-se como será a adaptação das crianças, principalmente as mais novas. As crianças querem voltar para as escolas porque querem reencontrar os amigos, professores, afetos e não porque acham que o seu aprendizado está prejudicado. O conteúdo tão valorizado precisará necessariamente ser colocado em segundo plano. Não há aprendizagem sem saúde mental preservada. Não há aprendizado sem bem-estar. É fundamental buscar-se o equilíbrio. Um novo período de adaptação deverá ocorrer, pois não ocorrerá uma continuidade de onde se parou.

O momento exige escuta. Escutar os anseios, medos, angústias e preocupações, de todos os envolvidos. Abrir espaço para conversas e expressão de sentimentos. Incluir as crianças e jovens no debate sobre como continuar. Abertura ao novo, criatividade, flexibilidade, manejo de estresse, são algumas das habilidades socioemocionais necessárias para o enfrentamento deste mundo em transformação. Incorporá-las ao contexto da escola nunca foi tão necessário.

É dever de toda a sociedade cuidar das nossas crianças e adolescentes. Começar por ouvi-los é um passo importante. Experimente perguntar agora a uma criança: “como você está se sentindo?” A resposta poderá surpreender.

 

Luiz Antonio Miguel Ferreira - Advogado e consultor. Promotor de Justiça aposentado do Estado de São Paulo. Mestre em Educação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Membro do Conselho Consultivo da Fundação Abrinq e Sócio Efetivo do Todos pela Educação.  Sócio do Instituto Fabris Ferreira.

Luiz Gustavo Fabris Ferreira - Advogado. Sócio do Escritório Luiz Antonio Miguel Ferreira Advogados. Sócio do Instituto Fabris Ferreira.

Lygia T. Durigon - Psicóloga (CRP 06/84744). Mestre e Doutora em Análise do Comportamento, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Coordenou o curso de Especialização em Análise do Comportamento Aplicada ao TEA no Centro Paradigma de Ciências e Tecnologia (SP), onde, atualmente, atua como orientadora de pesquisa e docente de cursos livres.

Clarice Krohling Kunsch - Psicóloga (CRP 06/83697) e Pedagoga. Mestre em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano, pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Some effective tactics for preventing drug use

National and international drug prevention networks, community leaders and strong community coalitions are the key to changing public attitudes and reducing the availability of illicit drugs worldwide. Some effective tactics include promoting drug demand reduction principles and raising awareness of the social consequences of drug abuse and addiction. Below you will learn about many other strategies that have been implemented and have successfully reduced drug use from a global perspective to the site.

How can we prevent drug use around the world?

- We need to make people aware that drug use is not normal and is not part of their ripening process.

- We can increase funding for prevention and education efforts to raise awareness of the dangers of drugs at all school levels - from elementary school to higher education.

- We must work to keep our laws strict against the use of marijuana and other drugs at the federal and state levels to ensure that more people do not fall into addiction.

- The establishment and funding of courts for drug addicts - the only chance some have of getting the help they need - should be supported to help dependents.

- We need to seriously consider how implementing drug testing can help identify those who need treatment in the workplace and in schools.

How can we help prevent drug use in our communities?

- We need to ensure that drug prevention includes schools, workplaces, community centers, places of worship, and families that come together to communicate a healthy abstinence-based lifestyle.

- Youth should be an essential part of prevention efforts.

- The treatment that leads to the elimination of drug use allows the addict to know that we have not given up on his life; as a community, we care enough to help them achieve their goals.

- Communities should work together to increase activities that are an alternative to drug use, especially for our young people.

How can we help our schools be drug-free?

- Drug education curricula should present a clear and unused message.

- School administration, parent groups and student organizations should consistently support healthy, drug-free lifestyles and reject "safe" or "responsible" use messages.

- The random drug test with students gives students an easy way out of pressure from colleagues and an indisputable reason to say no.

- The school community should encourage positive reinforcement for good choices and support the consequences for inappropriate behaviour.

- School administrators should promote an open dialogue and listen to concerns about drug use in their schools.

- Drug or alcohol abuse is not a rite of passage or inevitable; in fact, most students don't do drugs.

What are some proven ways for parents to help prevent drug use?

- Talk to your kids - start the conversation about not using drugs, use current events as examples, be honest about your story to encourage your confidence, come up with a plan on how to rescue your child from a risky situation, establish ground rules for expected behavior, and enforce these rules consistently.

- Make family dinners - children who eat with the family less than 3 times a week are 2 1/2 times more likely to use tobacco and marijuana.

- Monitor your teen's activities and internet use - prescription drugs are easily obtained without a prescription over the web and have proven to lead to the use of illegal drugs.

- Be an example - children do what they see.

- Be active in your house of worship - a teenager who is religiously involved is half as likely to use marijuana as a teenager who is not.

- Recognize your role as the most influential factor in your child's life and face the challenge.

- Educate yourself about the most commonly used drugs and their effects.

Source: https://www.dfaf.org/drug-prevention-qa/

What is prevention science?

Do you know what Prevention Science is?

The partners of Freemind and ISSUP Brasil, Rodrigo Flaire – State Coordinator of Drug Policies of São Paulo – and Claudemir dos Santos – Technical Director of Prevention of COED-SP, in this video, explain and give examples of what is and how prevention science can be used to make decisions based on scientific evidence. Here's what they say:

Science is a branch of knowledge of empirical* nature, logical and systematic, in which it is possible to validate and demonstrate the data and results, with methodology.

In the science of prevention, despite a knowledge of an empirical nature, a methodology is respected and the results are proven.

So science escapes from "achismo", from simple assumptions and is based on validated data that can really be proven. So how is the link between science and prevention science done?

The science of prevention is a set of several studies and scientific findings that have been validated for actually working and that shows us what knowledge is needed to build truly effective prevention initiatives.

The science of prevention takes great account of the study of epidemiology and etiology.

Epidemiology is one of the studies aimed – in the human population – to understand the spread of diseases, evolution, what are the determinants and how often they present themselves in society.

Etiology seeks to understand the causes and origins of this problem. This is very important because it helps the science of prevention to understand what are the risk factors and protective factors associated with substance use.

Logically, the science of prevention is linked to the prevention of any type of disease, whether mental or behavioral, in general.

Protective factors can be biopsychosocial and environmental factors.

Prevention science seeks to understand which prevention and protection initiatives can have large-scale impact, outcome and effectiveness.

So, this is a challenging subject: when we talk about prevention science, we are talking about science, drug use prevention and abuse and we have a relationship with many bases: we have to talk about psychology, medicine, social sciences, services, social, education, economics, public health and others.

Thus, the science of prevention is a very complex and systemic science too much with these medical relationships and these social relationships.

It is important to respect this perspective of science, to respect the methodologies for making decisions.

One of the great objectives of prevention science and influence programs and public policies. We can't make decisions based on achismos. Decisions need to be made according to scientific evidence.

One of the most common examples is that the science of prevention has already been able to demonstrate that it does not take former users to talk, giving their testimony and their life story to children and adolescents. This attitude, more than generating a fear or a revulsion for use and abuse, generates a curiosity. This has an iatrogenic effect - an effect contrary to what was desired. This has already been proven!

We have to understand what the evidence is, what the methodologies are and what the results of our actions are. The science of prevention is here for this: to generate data and influence, mainly, new programs and public policies.

We follow this challenge: Always prevent!

* For science, empirical is a kind of initial evidence to prove some scientific methods, the first step is observation, to then do a research, which is the scientific method. In science, much research is carried out initially through observation and experience.

What is the target of the marijuana industry?

According to a new study,unlicensed marijuana dispensaries in California are opening in black and Latino neighborhoods at a disproportionately high rate, following a similar pattern taken by alcohol and tobacco retailers.

Researchers say this trend could worsen existing health disparities for minority and poor communities because highly potent products sold in unlicensed dispensaries are less likely to be tested for safety, have no safe packaging for children, and are often cheaper than highly regulated products found in licensed dispensaries.

The study also found that California neighborhoods with licensed dispensaries tend to be wealthier and less diverse, suggesting that regulators are neglecting industry monitoring in poorer communities.

"The marijuana industry likes to paint legalization as a social justice issue, but in reality minority communities are being disproportionately harmed by legalization. Young blacks and Hispanics are still arrested at much higher rates for marijuana-related crimes in states where marijuana is legal," said Dr. Sharif Mohr of the Drug Free America Foundation.

"In addition, it is minority communities that will suffer a much greater burden from cannabis use disorder and addiction as unlicensed dispensaries proliferate in these communities."

Read the full study:

https://www.dfaf.org/new-study-finds-marijuana-industry-targeting-black-and-latino-communities/

(Source: Brook Staggs, Orange County Register, August 27, 2020)

Brazilian experts speak out about the poisoning cases and deaths from diethylene glycol present in Brazilian craft beers

Dr. Zila M. Sanchez, Camila L. Oliveira, Dr. Ronaldo Laranjeira and Dr. Raul Caetano had a Letter to the Editor published in the Journal of Studies on Alcohol and Drugs, where they talk about cases of poisoning and deaths from diethylene glycol present in Brazilian craft beers. Read the letter in full:

Dear editor:

Since December 30, 2019, Brazil has had several cases of intoxication due to beer intake (State Department of Health, 2020a), the alcoholic beverage most consumed by Brazilians (World Health Organization, 2018). An ongoing investigation, coordinated by the Center for Strategic Information on Sanitary Surveillance of Minas Gerais (CIEVS-Minas), the Brazilian state where the poisoning occurred, detected diethylene glycol (DEG) in a specific brand of craft beer, the "Belorizontina" produced by Cervejaria Baker, a small company founded in 1999 (State Department of Health, 2020a).

DEG is an odorless, colorless, viscous and hygroscopic liquid with a sugary and extremely toxic taste (Winek et al., 1978). The substance is not used in the regular formulation of beer, but can be applied industrially in solvents, resins, antifreezes, paints and glues (Snellings et al., 2017). Historically, since 1937, the DEG has also been involved in other cases of mass poisoning in several countries. However, almost all documented cases involved contamination of pharmaceutical preparations or medications, most of which occurred in low- and middle-income countries (Schep et al., 2009).

The victims of poisoning in Brazil had acute renal failure, neurological symptoms (facial paralysis, visual blurring, amaurosis, sensory alterations, descending paralysis and convulsions) and gastrointestinal symptoms (nausea, vomiting and / or abdominal pain) (Secretary of State for Health, 2020a), all clear indicators of DEG poisoning (Alfred et al., 2005). The first death was recorded on January 8, 2020.

Brazil is a country with a limited set of policies for alcohol, most of which are poorly implemented (World Health Organization, 2018). However, Law 8.918 / 1994 and Decree 6.871 / 2009 guide the standardization, classification, registration, production and supervision of beverages [all types], assigning to the Ministry of Agriculture the responsibility for the supervision of the production of alcoholic beverages (MAPA; Brazil, 1994, 2009).

After a month of investigation, MAPA still finds new batches of contaminated Backer beers, totaling 41 lots (I.e., 2020), which led the company to disclose on its website the court decision to remove the distributed beers and encourage its customers to avoid any consumption of the collected product (O Globo, 2020).

On February 5, 2020, 30 suspected cases of exogenous DEG poisoning were reported. Of these, 26 patients are male and 4 female. Four cases have been confirmed and the remaining 26 are still under investigation because they present signs and symptoms compatible with DEG poisoning and beer exposure. Six patients died. One of these deaths was among the four cases in which the presence of the DEG substance was confirmed in the blood. All cases are located geographically in Minas Gerais (State Department of Health, 2020a).

Despite all the evidence obtained during the investigation, Backer continues to state that he does not use DEG at any stage of the manufacturing process of his products, and does not recognize the presence of the substance in his beers. The company's production remains paralyzed and the products are prohibited from being marketed throughout the national territory, as determined by the National Health Surveillance Agency (ANVISA) (State Department of Health, 2020b) of the federal government.

Published in July 2020 in: Journal of Studies on Alcohol and Drugs, 81(4), 522–523 (2020).  Posted online August 18, 2020 at: https://www.jsad.com/doi/full/10.15288/jsad.2020.81.522

Poisoning and deaths from diethylene glycol contamination in Brazilian craft beers