Live: Estratégias de Prevenção ao uso de Drogas em um mundo em pandemia – 02 de junho

“Ficar em casa” ou “Ficar em casa, se puder” têm sido as recomendações para aumentar a proteção e diminuir o risco de disseminação da COVID-19, doença que mudou o mundo em um piscar de olhos.

Para muitas pessoas, esse tipo de mudança brusca pode gerar episódios de ansiedade, momentos de tédio e tristeza. Este confinamento costuma ter consequências mais graves naqueles que têm predisposição a desenvolver quadros de depressão, crises de pânico, compulsões e inclinações a vícios.

No caso específico do uso abusivo de substâncias, nesse período de pandemia e de quarentena, muitas alterações puderam ser sentidas: existe uma maior dificuldade em se conseguir as drogas habituais, seja pela grave grise econômica que atinge grande parte da sociedade ou pelas próprias dificuldades enfrentadas pelos traficantes para manter suas rotas de distribuição.

Isto tem feito com que a droga habitual tenha sido substituída por drogas alternativas, de qualidade duvidosa ou mesmo pelo uso combinado de mais de um tipo de droga. Estar “preso” em casa também gera outros tipos de desgaste emocional que culminam com o aumento do consumo de drogas e, consequentemente, com o possível aumento da violência doméstica.

Estes são alguns exemplos de como a pandemia tem impactado o comportamento social relacionado ao uso de álcool, tabaco e outras drogas. Mas existem muitos outros. Quais seriam, então, as melhores estratégias para a prevenção ao uso de drogas, agora e pós-pandemia?

A COED – Coordenadoria de Políticas Sobre Drogas do Estado de São Paulo -  que responde a uma demanda da sociedade por uma ação articulada na implantação de Políticas sobre Drogas no Estado e fortalece a ação do Estado na prevenção e no enfrentamento às drogas tem feito uma série de ações para promover a prevenção em larga escala.

Para falar sobre essas ações, sobre as melhores estratégias de prevenção e sobre como a pandemia tem impactado a sociedade, trazemos para a Live com Especialistas do dia 02 de junho, dois parceiros da Mobilização Freemind e do Capítulo Nacional da ISSUP no Brasil: Rodrigo Flaire – Coordenador Estadual de Políticas sobre Drogas de São Paulo – e Claudemir dos Santos – Diretor Técnico de Prevenção da COED-SP.

Você não pode perder. Mas fique atento, pois esta live será no nosso canal do YouTube e não no Instagram. Aproveite para conhecer nosso canal e se inscrever, ok?

Esperamos por você: dia 02 de junho, a partir das 19h00:

https://www.youtube.com/watch?v=BEo5NioZPEE

Rodrigo Flaire é formado em engenharia e atual mestrando de gestão de políticas públicas pela FGV. Atual Coordenador Estadual de Política sobre Drogas do Estado de São Paulo, tem se relacionado com as comunidades terapêuticas desde 2009. Já teve a oportunidade de conhecer projetos internacionais e também foi diretor de operações de uma instituição do terceiro setor que trabalhava com a população em situação de rua.

Claudemir Lúcio M. dos Santos é o Diretor Técnico e Especialista em Prevenção ao uso de drogas, na Coordenadoria de Políticas Públicas sobre Drogas, órgão vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social. É formado em Pedagogia, Letras e em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas. Em 2013, concluiu uma especialização profissional em Prevenção, Educação, Tratamento e Políticas sobre drogas, na Virgínia Commonwealth University, EUA, patrocinado pelo governo americano. Foi Policial Militar no Estado de São Paulo durante 10 anos, tendo servido como instrutor e mentor do PROERD, Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, uma modalidade de polícia comunitária de caráter preventivo, desenvolvido para crianças, adolescentes e pais.

 

Live com Rodrigo Flaire e Claudemir dos Santos

A Realidade das Favelas no Rio de Janeiro – O Tráfico e a Pandemia – Live com Especialistas

A CNN Brasil publicou, no dia 22 de maio de 2020, uma matéria que dizia:

“Se fossem um estado avulso, as favelas do Rio estariam na 14ª posição na lista dos que mais registraram mortes pela Covid-19 no País: somam um total de 176 óbitos confirmados até esta quinta-feira (21), segundo levantamento da ONG Voz das Comunidades.

As comunidades – que, segundo o Censo 2010 do IBGE, somam 1,4 milhão de pessoas – ficariam à frente, por exemplo, de estados populosos como Rio Grande do Sul e Paraná, com mais de 10 milhões de habitantes.

A favela mais afetada é a Rocinha, na zona sul, com 49 mortes – mais que o dobro da Maré, na zona norte, que registra 23 óbitos e aparece em segundo na lista.

Os números superlativos nas comunidades da capital também ficam claros quando comparados com municípios vizinhos. Com população de quase 1 milhão de pessoas, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, é a cidade fluminense mais afetada pelo coronavírus depois do Rio. E tem menos mortes que as favelas: 167.

Em meio a esse cenário, as comunidades ainda enfrentam outro problema antigo: as operações policiais de combate ao tráfico. Mesmo com a pandemia, o Complexo do Alemão, na zona norte, passou por uma delas na semana passada. O resultado foram 13 mortes - a favela tem 14 óbitos por Covid-19.”

Com pouca informação, vivendo em ambientes superlotados e sem condições de seguir recomendações como comprar álcool em gel, estocar comida ou trabalhar de casa, os moradores das favelas serão as principais vítimas do novo coronavírus no Brasil.

Os dados das unidades de saúde e os levantamentos comunitários revelam que os órgãos de governo não estão se preocupando em contabilizar casos em favelas. Minimizar o problema é uma forma de não reconhecer a necessidade de políticas públicas firmes e específicas para lidar com a situação nas favelas do Brasil, como um todo.

Na verdade, a pandemia apenas lançou uma luz e intensificou os problemas que os moradores das favelas já sofrem no dia a dia.

Dez em cada dez infectologistas do planeta dizem que uma ação básica para reduzir a contaminação pelo coronavírus é evitar as aglomerações. Agora, o que acontece quando você passa 365 dias por ano vivendo no meio de uma aglomeração, com condições mínimas de habitação, saneamento e saúde? É essa a realidade de favelas do Rio de Janeiro e de outros estados.

Junte um aglomerado desses com um vírus novo altamente contagioso que vem se propagando rapidamente. O que pode acontecer? Isto vira uma bomba-relógio que precisa ser desarmada com a maior rapidez.

As medidas de precaução e controle do coronavírus recomendadas a toda a população não são acessíveis a essas populações que vivem nas favelas do Rio de Janeiro, por exemplo. Limpar as mãos com álcool gel, usar lenço de papel, utilizar máscaras, isolar os doentes em um dos cômodos da casa... Como fazer quarentena em casas que possuem apenas um cômodo, com vários moradores vivendo ali e onde muitas vezes não há sequer um banheiro?

Muitas comunidades sofrem com a falta d’água e, quando tem água não tem saneamento básico e a água torna-se imprópria para o uso doméstico, causando outras doenças.

Aliás, nessas comunidades existe uma lista de outras doenças que causam muitos estragos na favela e nos mostram o quanto seus moradores estão expostos ao novo vírus: tuberculose, diarreia, pneumonia, dengue, desnutrição, leptospirose e outras.

Entre moradores desprotegidos, podemos ver a ausência do Estado e a onipresença do tráfico...

Pessoas morrem dentro de seus barracos por medo de enfrentar os hospitais superlotados...

Como ficar em casa sem ser demitido ou sem ter como garantir a manutenção da renda? Até evitar a proliferação do vírus é um privilégio ao qual os moradores das favelas não têm acesso!

Como cuidar dos filhos que estão sem aula? Muitas pessoas precisam sair de seus empregos para isso. E como garantir as refeições a eles que, antes, eram realizadas nas escolas? Sem emprego... sem renda...

É por tudo isso que é um erro dizer que a pandemia do coronavírus é democrática. As diversas violências como a falta de acesso a atendimento médico, leitos com respiradores, testes para diagnóstico, renda básica para alimentação, água potável, saneamento básico e até moradia, além da violência armada, comprometem nas favelas a prevenção à Covid-19, além da recuperação e tratamento de pessoas infectadas, podendo causar mais óbitos.

Para falar sobre a realidade das favelas no Rio de Janeiro, o tráfico e a pandemia, o Freemind e o Capítulo Nacional da ISSUP Brasil irão conversar com Sebastião Dias de Oliveira*, líder comunitário e fundador da Associação Miratus de Badminton, que é uma entidade não governamental sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento social por meio da educação e do esporte.

Você não pode perder a próxima Live com Especialistas, no dia 26 de maio de 2020, a partir das 19 horas, no instagram do Freemind:

www.instagram.com.br/espiritofreemind

Ajude-nos a divulgar. Esperamos por você.

*Sebastião Dias de Oliveira é Profissional de Educação Física, Fundador do Projeto Social Miratus de Badminton – Rio de Janeiro. Já atuou como técnico de desenvolvimento da Confederação Brasileira de Badminton – Núcleo Rio; coordenador de desenvolvimento da Federação de Badminton do Estado do Rio de Janeiro; técnico da equipe Miratus de Badminton; coordenador técnico de Badminton da Fundação CSN, do Colégio Pedro II e da equipe de Badminton da Associação Atlética Tijuca.

Live com Sebastião Dias de Oliveira - 26/05/2020

Organizações lançam Campanha #VapeVicia #VapeMata

Fundação do Câncer, ACT, AMB, SBPT e outras instituições da área de saúde divulgam nota sobre pesquisa francesa que defende o uso da nicotina no combate ao novo coronavírus e lançam campanha #VapeVicia para alertar que fumantes, usuários de cigarros eletrônicos e narguilés têm quadro agravado quando contaminados pelo COVID-19.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para ampliação do risco de contágio por COVID-19 entre fumantes, usuários de cigarros eletrônicos e narguilés. Embora as pesquisas sobre o assunto ainda sejam recentes, análise das mortes entre pacientes chineses com diagnóstico de pneumonia associada ao novo coronavírus identificaram chances de progressão da doença 14 vezes maior entre fumantes. O levantamento vai de encontro à pesquisa francesa, que defende o uso da nicotina no combate ao novo coronavírus. O estudo em questão, que não foi revisado por pares e não faz referência a aprovação por nenhum comitê de ética em pesquisa, levou sete instituições renomadas em saúde a assinar nota técnica. Para as instituições, é “precoce e arriscado afirmar qualquer potencial fator protetor da nicotina para o SARS-CoV-2”, diz a nota. Veja a nota técnica completa.

Já a pesquisa chinesa, realizada em 55.924 casos confirmados em laboratório no país asiático, revelou, ainda, que a taxa de mortalidade é muito maior por Covid-19 entre doentes com doenças respiratórias crônicas, câncer, problemas cardíacos, diabetes e hipertensão.

De acordo com a OMS, fumantes têm maior vulnerabilidade à doença, pois a porta de entrada para o vírus são as mãos, a boca, o nariz e os olhos.

“O ato de fumar, em que o usuário segura o cigarro com os dedos e leva em contato com os lábios, aumenta a possibilidade da transmissão do vírus para a boca. Sem falar que o tabagismo é responsável por 90% dos casos de câncer de pulmão e, além de reduzir a capacidade pulmonar, eleva as chances de complicações pela virose”, alerta Luiz Augusto Maltoni Jr, diretor executivo da Fundação do Câncer.

O especialista enfatiza, ainda, que o uso do narguilé é perigoso por envolver o compartilhamento de bocais e mangueiras entre várias pessoas, o que também pode acelerar a transmissão do COVID-19.

“Condições que aumentam as necessidades de oxigênio ou reduzem a capacidade do corpo de usá-lo adequadamente colocam os pacientes em maior risco de doenças pulmonares graves, como pneumonia. Vale lembrar que as doenças respiratórias associadas ao tabagismo, como a Evali, causada pelo uso de cigarros eletrônicos, ampliam os riscos de complicações pelo novo coronavírus“, afirma o cirurgião oncológico e diretor executivo da Fundação do Câncer.

Campanha #vapevicia

A ACT Promoção da Saúde, a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Fundação do Câncer estão lançando uma campanha em redes sociais sobre os perigos dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs).

Intitulada #VapeVicia, a campanha tem como conceito o potencial destrutivo da combinação de dois vícios: em tecnologia e em nicotina. A intenção é mostrar que as inovações empregadas nesses dispositivos eletrônicos são uma armadilha usada pela indústria do cigarro para conquistar novos fumantes.

Para Maltoni Jr. a união das três entidades vem reforçar a importância do combate ao fumo, já que um estudo do Instituto Nacional de Câncer verificou que o país gasta cerca de R$ 57 bilhões ao ano com despesas médicas e de perda de produtividade relacionadas a doenças provocadas pelo fumo. De acordo com o estudo, o país arrecada R$ 13 bilhões de tributos por ano com a indústria do tabaco, o que significa que há um rombo de pelo menos R$ 44 bilhões para o sistema de saúde brasileiro. Todos os dias, 428 pessoas morrem devido ao tabagismo no país.

Para a AMB, “esses novos produtos encobrem, numa nuvem de vapor, sérios riscos às políticas de controle do tabaco, não só pela predisposição à renormalização do tabagismo, estímulo à iniciação e recaída pela falsa percepção de segurança, mas também um aumento sem precedentes de doenças tabaco relacionadas causadas pelo cigarro acrescidas da contribuição dessas novas tecnologias para fumar. Num cenário onde o SUS e a Saúde Suplementar lidam com o desafio de enfrentamento dos altos custos da pandemia do coronavírus seria uma insensatez a liberação desses produtos”, destaca Alberto Araújo, presidente da Comissão de Combate ao Tabagismo da AMB.

“Os DEFs também viciam e causam doenças e mortes, por isso o alerta de nossa campanha. A novidade tecnológica atrai para a experimentação, mas depois aprisiona para o consumo, assim como outros produtos para fumar”, destaca Mônica Andreis, Diretora Executiva da ACT Promoção de Saúde.

Veja o que diz a campanha:

A Indústria do Tabaco quer falar sobre o cigarro eletrônico no Brasil. Ótimo, então vamos começar falando a verdade.

A PRINCIPAL VERDADE É QUE A INDÚSTRIA DO TABACO PERCEBEU QUE PODE USAR VAPORIZADORES PARA FAZER CRIANÇAS E ADOLESCENTES EXPERIMENTAREM A NICOTINA - E SE VICIAREM.

Nos Estados Unidos, segundo o Centers for Disease Control and Prevention, o número de estudantes de ensino fundamental e médio que usam cigarros eletrônicos aumentou em 1,8 milhão em apenas um ano - de 3,6 milhões em 2018 para 5,4 milhões em 2019. Os usuários já são 27,5% dos estudantes de ensino médio.(Centers for Disease Control and Prevention).

E essa não é a única verdade a ser dita, temos outras.

"Vapes", "vaporizadores" ou “dispositivos eletrônicos para fumar” englobam cigarro eletrônico e tabaco aquecido que, muitas vezes, para melhorar o gosto e aumentar o consumo, ganham sabores e adoçantes, facilmente adicionados aos cartuchos de tabaco, e nicotina.

A tecnologia não invalida a possibilidade do usuário ter a saúde prejudicada, especialmente por problemas pulmonares. Segundo a Associação Americana do Coração (American Heart Association), os cigarros eletrônicos também contêm substâncias nocivas para a saúde e associadas com doenças.

Os vaporizadores também são responsáveis pelo aparecimento de uma nova condição que provoca lesões no pulmão e pode levar à morte. Essa síndrome já tem um nome: Lesão Pulmonar Associada a Produto de Vaping ou Cigarro Eletrônico, conhecida como Evali (E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury). Cigarros convencionais, narguilés e dispositivos eletrônicos para fumar também aumentam os riscos para a Covid-19, com agravamento do quadro pulmonar, além do fato de que fumantes podem ser mais acometidos por infecções respiratórias por outros vírus e bactérias.

O fato é que a indústria do cigarro quer convencer a opinião pública, os pais e as autoridades brasileiras que os vaporizadores fazem menos mal que o cigarro convencional, para ter a comercialização liberada no Brasil.

Mas a realidade é que o cigarro eletrônico ou de tabaco aquecido não afasta os fumantes do fumo - ao contrário, pode ser usado para atrair novos consumidores.

É uma tecnologia que vicia e mata. Por isso, não podemos permitir que seja liberada para ser comercializada. Simples assim.

Participe. Acesse e compartilhe as peças da campanha nas redes sociais e marque a Anvisa – órgão responsável pela liberação e fiscalização de produtos de tabaco no Brasil - nas postagens.

Para saber mais, acesse o hotsite da campanha: vapemata.org.br.

Fonte: https://www.cancer.org.br/blog/fundacao-do-cancer-act-amb-sbpt-e-outras-instituicoes-da-area-de-saude-divulgam-nota-sobre-pesquisa-francesa-que-defende-o-uso-da-nicotina-no-combate-ao-novo-coronavirus/

Campanha #VapeVicia

Perdeu ou Quer Rever? Saiba como foi a Live com Dr. João Paulo Lotufo

A pandemia de coronavírus trouxe muitos medos e incertezas, medidas de isolamento social, mudança abrupta da rotina das pessoas em todo o mundo. Além disso, muitas pessoas passaram a trazer para dentro de casa hábitos que tinham na rua, como o de beber, por exemplo.

Como isso afeta a vida familiar? Como os filhos vem o aumento do uso de álcool e tabaco por seus familiares? O uso de álcool e tabaco são fatores de risco para a COVID-19?

Dr. João Paulo Becker Lotufo*, pediatra e especialista em prevenção ao uso de álcool e tabaco foi o convidado da Live com Especialistas do dia 30 de abril que discutiu o “Isolamento Social e o Aumento do Consumo de Álcool e Tabaco diante dos Filhos”.

A Live completa está disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=YKN-79ADyBg

Segue abaixo um resumo deste bate-papo muito interessante e esclarecedor:

Pergunta: Com o isolamento social, as pessoas passaram a trazer para dentro de casa hábitos que tinham na rua, como o de beber e usar outras drogas. Várias pesquisas vêm alertando para o aumento do consumo de álcool, tabaco e outras drogas durante este período, o que é muito preocupante, uma vez que o acesso ao tratamento de dependências químicas está mais difícil. Esse aumento do consumo, sobretudo do álcool, durante a reclusão pode vir a se transformar em uma dependência? Como ficam nossos filhos, vendo tudo isso e sofrendo as consequências do alcoolismo?

Dr. Lotufo: Eu comecei a estudar essa questão quando comecei a atender, em meu consultório, casos de coma alcoólico aos 14, 15 anos de idade. Observei que, muitas vezes, os amigos do adolescente iam para a sua casa e o próprio pai “amigão” deixava uma garrafa de vodka para eles “esquentarem” antes de ir para uma festa.

Isto nos mostrou o que, hoje, todo mundo já sabe: em geral, a experimentação precoce de álcool começa dentro de casa!

Alguns pais alegam que, fazendo isso, estão “ensinando” seus filhos a beber. Mas isso é uma “faca de dois gumes” pois se o adolescente bebe com o pai dentro de casa, fora de casa ele irá beber também com os amigos e em quantidade maior.

Além disso, já se sabe que o cérebro do jovem se desenvolve até os 21 anos (podendo ir até os 25 anos) e que, então, qualquer droga iniciada antes da maturação do cérebro aumenta a chance de causar dependência.

Também precisamos considerar o exemplo que o pai dá a seu filho quando consome bebida alcoólica. Durante a quarentena, a chance do adolescente começar a beber é maior, uma vez que as pessoas com as quais convive dentro de casa estão consumindo mais álcool. Se o álcool faz parte da rotina da família, é preciso repensar o quanto você bebe em casa e o quanto você compra de bebida alcóolica.

Na medicina, usamos o que chamamos de “Aconselhamento Breve”: gastar de 2 a 5 minutos falando sobre um determinado assunto com seu filho. Isto é mais efetivo que dar “aquela bronca” quando seu filho de 14 anos chega embriagado em casa.

O aconselhamento breve pode e deve ser usado nas famílias, na escola e eu uso no consultório pediátrico para falar com os pais. Na verdade, essa conversa com a família deve começar ainda intraútero quando os pais, por exemplo, fumam ou consomem álcool.

Pergunta: Tão fácil quanto afirmar que o formato de lives com apresentações musicais vive um momento sem precedentes no País, em função do isolamento social, é perceber que o segmento de bebidas alcoólicas tem sido o grande protagonista em termos de exposição de marca nessas transmissões. Solidificando a posição do sertanejo como o gênero mais popular do Brasil, algumas transmissões ultrapassaram 3 milhões de acessos simultâneos e foram patrocinadas pela indústria cervejeira. Como proteger nossos filhos, que ainda não sabem reconhecer seus limites e acabam vendo os artistas como exemplo, para que não acreditem que beber em excesso é normal e “legal”?

Dr. Lotufo:  A abordagem deve ser diferente, de acordo com a idade dos filhos. Com uma criança de 10 anos, por exemplo, podemos começar o aconselhamento assim “Você viu esse cantor? Que ridículo ele bêbado, falando um monte de coisa...”. Agora, com um filho adolescente a abordagem deve ser outra: posso perguntar diretamente o que ele achou da atitude do artista, qual a sua opinião sobre a pessoa em questão e abrir, assim, um diálogo com ele.

Com filhos adolescentes não podemos chegar simplesmente determinando as coisas, tipo “você não vai nesta festa... não vai na balada...”. Precisamos fazer acordos com eles, pois não é o fato dele ir à balada ou à festa que importa, mas “como” ele se comporta nesses eventos.

Precisamos estar preocupados em aumentar a discussão desses assuntos com nossos filhos. Tínhamos um programa na USP, através do qual fizemos 9 intervenções nas escolas sobre álcool e outras drogas e, com isso foi possível aumentar a discussão do assunto nas casas. Na época, medimos o resultado deste estudo e entre os jovens que tinham a discussão do assunto em casa, diminuíram em 60% a experimentação de álcool, tabaco, maconha e crack.

Então, meu conselho é que não devemos perder nenhuma oportunidade de entrar com esse aconselhamento breve e discutir esses assuntos com nossos filhos.

Pergunta: Entre tantas válvulas de escape buscadas pelas pessoas no isolamento causado pela pandemia do novo coronavírus, o consumo excessivo e frequente do álcool é nocivo não apenas à saúde física como também à mental. Como o consumo de álcool favorece a contaminação pelo COVID-19 ou torna maior o risco de a doença evoluir para um quadro crítico e até ao óbito, em alguns casos?

Dr. Lotufo: Se você usa a bebida para se relaxar, por exemplo, você já tem um problema! E é isto o que você passa para seu filho: a ideia de que para relaxar preciso de bebida ou qualquer outro tipo de droga.

Se eu tenho problema de alcoolismo na família, é ainda mais importante conversar com os filhos e deixar isso claro, explicando a eles que a genética é fator importante para a dependência. Nestes casos, é fundamental não ter bebidas ou qualquer outra droga em casa.

Há um tempo atrás, fiz um projeto na Fundação Casa (antiga FEBEM) e concluímos que 90% dos adolescentes estão lá por problemas de álcool e/ou outras drogas. Um pai falou comigo e me questionou: “Então eu não posso beber nem um pouco em casa?”. Se você tem um problema instalado, não pode beber nem um pouco dentro (ou fora) de casa. Mas parece que isto é coisa de brasileiro: “Eu preciso disso para me alegrar, para ter prazer, para ser igual aos outros...”.

O espantoso é que, na última estatística, 50% da população brasileira não colocou uma gota de álcool na boca no último ano. Então, não é todo mundo que bebe!

Pergunta: Esse número de 50% de pessoas que não bebem é importante. Tenho amigos que me dizem que ficam com vergonha quando vão a eventos e dizem que não bebem. Acredito que isto se deva ao trabalho de marketing que as indústrias de bebidas têm feito e que criaram a máxima de que só com a bebida você pode estar numa festa com bem-estar. Aí, quem não bebe, sente-se colocada de lado.

Dr. Lotufo: Podemos traduzir isto para a questão do cigarro. Antigamente, quem não fumava se sentia mal dentro de restaurantes. Hoje, é o contrário: quem fuma é que se sente mal. E como conseguimos isso? Temos leis fortes e claras sobre onde você pode ou não fumar e retiramos as propagandas da mídia de tabaco. Conseguimos diminuir o índice de fumantes no Brasil de 30% para 9,3% e somos reconhecidos no mundo por nossa luta anti-tabágica.

Sabemos o que fazer para diminuir o consumo do álcool. Mas o lobby da indústria de álcool é fortíssimo. Essa indústria é grande anunciante em rádios e TVs. Precisamos de leis que proíbam a propaganda de álcool das 06h00 às 21h00, que é o horário em que as crianças assistem à TV.

Agora, voltando à pergunta, como o consumo de álcool favorece a contaminação por COVID-19: vou fazer uma comparação com a gravidez não planejada em adolescentes. Montei no Hospital da USP um ambulatório para meninas que tiveram filhos abaixo dos 17 anos de idade e constatei que grande parte dessas meninas engravidou depois de ingerir bebida alcoólica ou consumir outras drogas. Podemos concluir que, depois de consumir essas substâncias, toda proteção foi deixada de lado.

Traduzindo isso para o COVID-19, podemos concluir que toda proteção poderá ficar prejudicada: o indivíduo não vai fazer a assepsia direito com álcool gel ou sabão, não vai usar ou vai tirar a máscara de qualquer jeito e por aí vai...

Pergunta: De acordo com uma pesquisa de uma universidade de Wuhan, na China, as pessoas que fumam têm 14 vezes mais chances de desenvolver quadros graves de Covid-19 do que os pacientes que não possuem o hábito e também constatou que até aqueles com histórico de tabagismo têm um risco 14% maior de desenvolver pneumonia quando infectados pelo novo coronavírus. Como se dá a possível contaminação de um indivíduo pelo simples fato de fumar? O risco de contaminação é o mesmo para fumantes de cigarro normal, cigarro eletrônico e narguilé, por exemplo?

Dr. Lotufo: Se pensarmos que hoje se fuma muito em grupo - em fumódromos, por exemplo – esse grupo estará junto, sem máscara e isto já é um fator de risco de contaminação. Quando pensamos no narguilé, é ainda pior: ele vai rodando de uma pessoa a outra e você pode ter uma transmissão inclusive mais próxima através da boca do narguilé. Com o cigarro eletrônico teremos a mesma condição de transmissão, devido ao compartilhamento do mesmo.

Definitivamente, passar álcool gel nas mãos, usar máscaras e fumar não combinam! Este é um bom momento para que os fumantes aproveitem para deixar de fumar. Já que você está confinado, não saia para a rua para comprar cigarros e use artifícios como adesivo ou pastilhas para repor a nicotina.

Pergunta: A fumaça do cigarro contém os mesmos compostos tóxicos e cancerígenos que a fumaça tragada pelo fumante, porém em níveis bem mais elevados: 3 vezes mais nicotina, 3 vezes mais monóxido de carbono e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas, o que causa prejuízo também a nossos filhos e pais idosos, chamados de fumantes passivos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo passivo é a terceira maior causa de morte evitável no mundo, perdendo apenas para o tabagismo ativo e o consumo excessivo de álcool. Quais suas recomendações para os fumantes durante este isolamento social, visando a preservação da saúde do próprio fumante e das demais pessoas que convivem na casa, sobretudo as crianças e os idosos?

Dr. Lotufo: Um dos dados que a gente mais passa para pais e mães fumantes é o do aumento de duas a cinco vezes do número de mortes súbitas em recém-nascidos em casa de pais fumantes. Aumenta também, nessas casas, a quantidade de pessoas com problemas de asma, bronquite, otite e todas as infecções respiratórias.

Antes do fumo ser proibido dentro de restaurantes aqui em São Paulo, 24% das crianças de 0 a 5 anos que vinham ao pronto socorro por outras queixas tinham nicotina na urina, indicando ser esta criança um fumante passivo.

Outro dado alarmante é 25% a mais de câncer e infarto em esposas não fumantes de maridos fumantes ou vice-versa. Isto quer dizer que morar com um fumante é prejudicial à saúde. Durante a quarentena, ainda mais! Precisamos pensar sobre isso.

* Dr. João Paulo B. Lotufo é Doutor em Pediatria pela Universidade de São Paulo, Representante da Sociedade Brasileira de Pediatria nas ações de combate ao álcool, tabaco e drogas, Coordenador/Presidente do grupo de trabalho no Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes na Sociedade de Pediatria de São Paulo e Diretor da ISSUP Brasil. Também é Membro da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB), Responsável pelo Projeto Antitábagico do Hospital Universitário da USP e Responsável pelo Projeto Dr Bartô e os Doutores da Saúde – Projeto de Prevenção de Drogas no Ensino Fundamental e Médio.

Live sobre Isolamento Social e o Aumento do Consumo de Álcool e Tabaco diante dos Filhos

A bebida alcoólica e a pandemia do coronavírus

*Por Dr. Mário Sérgio Sobrinho

O uso de drogas, entre elas, o álcool, é assunto mundialmente importante, tanto que a Organização das Nações Unidas (ONU), ao definir os “17 Objetivos para Transformar nosso Mundo”, considerou essencial “assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar, em todas as idades” fixando como uma das ações importantes “reforçar a prevenção e o tratamento do abuso de substâncias, incluindo o abuso de drogas entorpecentes e uso nocivo do álcool.[1]

Especificamente em relação à prevenção ao uso do álcool e diante da necessidade de a população permanecer temporariamente em isolamento social, em tempos da pandemia do coronavírus, a seção europeia da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou limitar o consumo de bebida alcoólica durante a quarentena, sob o principal argumento de que consumir essa substância compromete a imunidade das pessoas.

A OMS indicou, também, que o excesso de álcool pode causar intoxicação prejudicial à saúde física e mental das pessoas, além de contribuir para desencadear comportamentos de riscos, que poderiam ser exemplificados desde o descuido com as medidas de proteção e de higiene individual recomendadas para evitar contaminações por vírus até, em casos extremos, o incremento de comportamentos desequilibrados, especialmente, naquelas pessoas que são agressivas, com risco de gerar quadros de violência interpessoal[2], inclusive, doméstica, sem falar que a intoxicação alcoólica torna a pessoa mais propensa ser vítima de agressão.

Cabe acrescentar ser conhecido da ciência que o uso agudo e crônico de álcool[3] está associado aos casos de suicídio por proporcionar desinibição, impulsividade, prejuízo no julgamento, além de haver registros que o abuso do consumo de álcool ocorre para afastar o sofrimento que acompanha esse ato humano extremo[4], cuja redução da incidência é demanda mundial.

Embora sejam temas diversos, a prevenção à contaminação pelo coronavírus e a prevenção aos efeitos danosos do álcool, ambos ocupam a área da saúde e merecem atenção, sobretudo, porque do mesmo modo que durante a pandemia a ciência orienta a alteração de determinados hábitos e modos de vida, ela também enfatiza que nesse período será preciso redobrar as cautelas relativas ao uso do álcool.

Sob esse ângulo, cabe observar a Política Nacional sobre o Álcool, aprovada pelo Decreto 6.177, de 22 de maio de 2007 e a Política Nacional sobre Drogas (Pnad), trazida pelo Decreto 9.761, de 11 de abril de 2019. O último texto apresenta referências que ganham destaque durante a pandemia, servindo para fundamentar ações das autoridades que enfrentam essa crise de saúde pública e, também, para orientar determinados comportamentos individuais.

A introdução do texto da Pnad, isto é, do Decreto Federal de 2019 enfatizou, com base em evidências científicas, que o álcool é a substância lícita cuja experimentação ocorre mais cedo entre os adolescentes brasileiros, provavelmente em razão da ampla disponibilidade; indicou, também, ser esse público adolescente muito vulnerável aos efeitos do álcool, notadamente porque nessa fase da vida o cérebro humano ainda se encontra em desenvolvimento e; apontou ser preocupante para as pessoas, independentemente da idade, a associação do quadro de depressão e de abuso de álcool. Além disso, o texto da Pnad ressaltou, a partir da análise de resultados de pesquisas, que 5% da população brasileira já tentou o suicídio, ficando apurado em quase um quarto dessas pessoas, antes da tentativa, haviam consumido álcool.

Ao analisar os pressupostos reunidos para sustentar as ideias expostas pela Pnad, vislumbram-se importantes fundamentos, como o reconhecimento do vínculo familiar, a espiritualidade, os esportes, entre outros, como fatores de proteção ao uso, ao uso indevido e à dependência do álcool, os quais podem sustentar ações relativas ao álcool durante a pandemia do coronavírus.

A intoxicação alcoólica é situação séria, não deveria ser glamourizada nem gerar estigmatização caso ocorra com alguém, seja em ambiente privado ou público, menos ainda quando a imagem dessa situação for captada e exibida pelos meios de comunicação.

A propósito, cabe registrar que durante a pandemia foi apontada aparente irregularidade em cenas envolvendo o consumo de álcool durante apresentação artística transmitida por uma rede social (live) e, por consequência, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) manifestou interesse em apurar o episódio justificando a intervenção no fato de ter havido ingestão excessiva de bebida alcoólica, sem qualquer aviso de conteúdo impróprio para menores de idade. Em apresentação semelhante, uma dupla de artistas sofreu crítica pública por um deles ter demonstrado sinais de intoxicação alcoólica durante a exibição[5].

A pandemia do coronavírus está demonstrando a necessidade de a população evitar determinados comportamentos comuns até pouco tempo atrás, para reduzir a exposição e evitar uma contaminação indesejável, adotando medidas preventivas e restritivas em benefício da saúde individual e geral. Essa capacidade humana de mudar hábitos diante do risco, sugere considerar ser momento para o governo e a sociedade alterar em posturas e adotarem práticas de prevenção no campo do álcool, inclusive, com suporte no texto da Pnad.

Uma delas, muito simples, se funda no entendimento que álcool é substância que, embora lícita, não deve ser consumida ou oferecida às crianças e aos adolescentes, porque pelas razões antes mencionadas, álcool para menores é expressamente vedado pela legislação vigente.

Mais do que isso, ao adulto que consome álcool regularmente é sugerido pensar se em alguma oportunidade faz uso dessa substância com a finalidade de aliviar tensões ou buscar relaxamento, especialmente, se esse uso de bebida alcoólica ocorre diante das crianças e dos adolescentes. Referido comportamento, aparentemente comum e, até poucas gerações atrás pouco comentado, é arriscado, porque crianças e adolescentes poderão registrar isso na memória e, num futuro próximo, reproduzir o comportamento do adulto que, muitas vezes, lhe serve como referência de vida.

Esse comportamento relacionado ao uso de álcool ganha destaque nesse momento de isolamento social, no qual há maior tempo de convivência entre as pessoas que residem juntas. Por isso é importante que os adultos evitem usar álcool, mesmo em quantidade moderada, especialmente diante das crianças e adolescentes. Caso isso, inevitavelmente, ocorra é importante conversar com eles antes acerca da vedação do consumo de álcool aos menores de 18 anos de idade, esclarecendo que essa proibição tem fundamento científico e protetivo, porque até essa idade, inclusive, depois dela, o desenvolvimento do cérebro humano pode ser prejudicado pela ingestão do álcool.

É necessário reforçar a ideia, frequentemente exposta pela ciência, que o álcool pode agravar quadros de depressão e de ansiedade, transtornos que certamente serão mais comuns no contexto da pandemia de Covid-19, conforme alerta a psiquiatra Alessandra Diehl, especialista em dependência química e vice-presidente da Abead (Associação Brasileira de Estudos Sobre o Álcool e Outras Drogas)[6], abordagem que, conforme antes destacado, está inserida no texto introdutório da Pnad ao apontar a prevalência da depressão entre abusadores de álcool.

Em relação a estratégias mais amplas, é importante que a sociedade discuta outras medidas para tornar mais seguro e saudável o período de quarentena, a partir da proposta da OMS relacionada aos riscos do álcool, se dispondo a reduzir a oferta de bebida alcoólica durante esse período e, também, retome o tema da restrição da publicidade do álcool (incluindo a cerveja) nos meios de comunicação social; aliás, assunto objeto do Projeto de Lei da Câmara nº 83/2015, atualmente, em tramitação pelo Senado Federal.

Observado isso, seria importante veicular orientações consistentes acerca dos riscos à saúde resultado do consumo excessivo de bebida alcoólica durante a quarentena e, também, estimular que os governantes se disponham normatizar e controlar a quantidade das vendas de álcool diretas ao consumidor, inclusive, nas compras feitas à distância com entrega em casa, na forma conhecida como delivery.

Todas essas medidas são adequadas às políticas e às ações gerais de prevenção ao álcool indicadas pela Pnad, que ainda orienta estimular a regulação do horário e de locais de venda de álcool e, também, recomenda o uso da tributação dos preços, porque essas estratégias inibem a oferta e o consumo de álcool, tal qual a comentada restrição da publicidade.

A título de comparação, verifica-se que o limite de venda de quantidades de álcool, inclusive cerveja e vinho, foi adotado por alguns estados na Austrália, país que vem manejando com cuidado as situações que envolvem a pandemia do coronavírus, de modo que lá o consumidor dessa substância pode adquiri-la em quantidade previamente indicada, o que sinaliza para o risco do consumo de álcool durante a pandemia e busca desestimular abusos.

Da ciência à arte, o álcool está presente na vida das pessoas, mantendo seu emprego em tempos normais e de pandemia, não somente como bebida alcoólica, mas também na apresentação em gel para higienizar mãos e objetos. Entretanto, é preciso destacar que há risco à saúde na ingestão do álcool, cujo uso moderado é restrito aos adultos e a ingestão jamais deveria servir para atenuar problemas ou ter justificativa ineficaz, conforme parece ter ocorrido durante a pandemia de Gripe Espanhola (meados de 1918) quando, no Brasil, a população extraiu da ciência a ideia de que o álcool “matava germes” para estimular o consumo de uma mistura, supostamente terapêutica, de cachaça, mel e limão.

 

[1] Disponível :<https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/>. Acesso 11 mai. 2020.

[2]Nota do Comitê para Regulação do Álcool (CRA) sobre uso de bebidas alcoólicas na pandemia de COVID-19 Disponível:< http://fcmsantacasasp.edu.br/nota-do-comite-para-regulacao-do-alcool-cra-sobre-uso-de-bebidas-alcoolicas-na-pandemia-de-covid-19/>. Acesso 13 mai. 2020.

[3] Alcohol and suicidal behavior: what is known and what can be done. Conner KR, Bagge CL et al. Disponível: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25145740>.Acesso 11 mai. 2020.

[4]Comportamento suicida e abuso de álcool. Pompili M, Serafini G, Innamorati M, et al. Disponível: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20617037>. Acesso 11 mai. 2020.

[5] Disponível: < https://exame.abril.com.br/marketing/conar-investiga-gusttavo-lima-e-ambev-por-ingestao-excessiva-de-alcool/>. Acesso 11 mai. 2020.

[6]Disponível: < https://www.bonde.com.br/saude/corpo-e-mente/consumo-de-alcool-na-quarentena-preocupa-psiquiatras-516177.html>. Acesso 13 mai 2020.
 

Fonte: https://www.conjur.com.br/2020-mai-18/mp-debate-bebida-alcoolica-pandemia-coronavirus. Acesso 19 mai 2020

*Dr. Mário Sérgio Sobrinho é Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo. Foi bolsista do Programa Hubert H. Humphrey com especialização em Tribunais de Drogas e Abuso de Substâncias Químicas (EUA - 2011). Doutor e Mestre em Direito Processual Penal pela USP. Professor de Curso à Distância (Justiça Terapêutica) da Escola Superior do Ministério Público de São Paulo. Membro da Diretoria de Alcoólicos Anônimos (A.A.) do Brasil.

 

 

Motivational Interviewing Course: Assisting Patients in Making Sustainable Positive Lifestyle Changes

We invite you to register for this free webinar-based training course on Motivational Interviewing (MI). The three week series is presented by Igor Koutsenok, MD, MS, Professor of Psychiatry at the University of California San Diego, Department of Psychiatry.

Igor Koutsenok ISSUP Motivational Interviewing

Motivational Interviewing is an essential, client-centered, counseling style for eliciting behavior change by helping clients to explore and resolve ambivalence. We are absolutely thrilled to bring you this skills-building opportunity presented by a recognized expert in the field of MI.

The course consists of three consecutive weekly sessions to be held during June 2020 (see course descriptions and session dates below).

We highly encourage registration for all three sessions.

Course Description

This is a training in evidence-based clinical methods of motivational interviewing (MI). After orientation to the underlying spirit and principles of MI, practical exercises will help participants to strengthen empathy skills, recognize and elicit change talk, and roll with resistance. Research evidence will be reviewed for the efficacy of MI and for the importance of building therapeutic relationships in clients’ outcomes. Integration of MI with other treatment modalities will be considered.     

Course Objectives

The goal is to provide knowledge and practical skill training for various practitioners on effective ways to enhance motivation of patients with substance use disorders that require significant behavioral changes to initiate and sustain positive and healthy behavioral choices. Skill building, and experiential training will be emphasized throughout the course by exercises to develop a therapeutic alliance with patients, assess patient needs, level of engagement in treatment process, structure treatment sessions, select appropriate interventions, and assist patient in maintaining motivation for a sustainable behavioral change.

Participants will learn the basic and advanced skills in motivational interviewing and strategies for engaging patients in collaborative relationship in treatment process and assist them in achieving sustainable positive behavioral changes. The course will:

  1. Help participants to acquire a systemic perspective of motivational interviewing and other motivational enhancement strategies;
  2. Build necessary clinical skills and attitudes to implement new strategies in working with ambivalent patients.

Learning Outcomes

Upon completion of the course, every participant will be able to:

  1. Describe all the aspects of the spirit of MI
  2. Explain the differences between MI and other counselling strategies
  3. Demonstrate the ability to respond to clients with reflective listening statements
  4. Identify change talk within client speech
  5. Generate open questions designed to elicit change talk
  6. Generate MI-consistent responses to client resistant statements
  7. Differentiate commitment language from other forms of change talk
  8. Provide and empathetic summary statements collecting change talk

Course Content, Dates & Registration

Session 1: Thursday June 4th 2020

Motivational Interviewing: Basic Understanding

After orientation to the underlying spirit and principles of MI, practical exercises will help participants to strengthen empathy skills, recognize and elicit change talk, and roll with resistance. Research evidence will be reviewed for the efficacy of MI and for the importance of building a therapeutic relationship in clients’ outcomes. Integration of MI with other treatment modalities will be considered.  

Learning outcomes:

  • Introduction: Motivation and behavioral change in addiction medicine
  • Review of the concepts of Ambivalence, Stages of change, the righting reflex, limits of persuasion.
  • Spirit of MI
  • Expressing empathy
  • Roadblocks to communication
  • Four Processes in MI

Time: 9am Pacific / 12pm Eastern / 5pm London

Duration: 1 hour

CLICK HERE TO REGISTER FOR SESSION 1

Session 2: Thursday June 11th 2020

Fundamental Skills in MI - OARS

This session will focus on Fundamental Skills in MI (OARS), providing practical exercises to help participants to strengthen empathy skills, recognize and elicit change talk, and roll with resistance. Participants will learn strategies for engaging patients in a collaborative relationship in the treatment process and assist them in achieving sustainable positive behavioral changes. Research evidence will be reviewed for the efficacy of MI and for the importance of building a therapeutic relationship in clients’ outcomes. Integration of MI with other treatment modalities will be considered.    

Learning outcomes:

  • Open and closed ended questions
  • Affirmations
  • Summaries
  • Rowing with OARS

Time: 9am Pacific / 12pm Eastern / 5pm London

Duration: 1 hour

CLICK HERE TO REGISTER FOR SESSION 2

Session 3: Thursday June 18th 2020

Fundamental Skills in MI Continued

This third and final session will continue to focus on MI fundamentals, with a focus on more advanced skills and the integration of MI with other strategies and treatment modalities. Research evidence will be reviewed for the efficacy of MI and for the importance of building therapeutic relationship in clients’ outcomes.       

Learning outcomes:

  • Recognition and responding to change talk and sustain talk
  • Forming reflections
  • Levels of reflections
  • Recognizing readiness
  • Initial and intermediate planning
  • Integration with other skills and strategies

Time: 9am Pacific / 12pm Eastern / 5pm London

Duration: 1 hour

CLICK HERE TO REGISTER FOR SESSION 3

We look forward to you joining us for these virtual sessions! Please contact info [at] issup [dot] net if you have any questions.

About Professor Koutsenok

Dr. Igor Koutsenok is а Professor of Psychiatry at the University of California San Diego, Director of the Center for Addiction Research, Training and Application, Director of the SAMHSA PEPFAR International Addiction Technology Transfer Center-Ukraine, and a co-director of the SAMHSA PEPFAR South East Asia Addiction Technology Transfer Center. He is also a Vice-President of the International Consortium of Universities on Drug Demand Reduction.

In 1983 he graduated as a medical doctor from the National Medical University in Kiev, (Ukraine). In 1986, he completed his psychiatry residency training and received degree as psychiatrist from the Medical University in Sofia (Bulgaria). In 1993-1996 he received a degree in addiction psychiatry at the University of London, Department of Addictive Behavior and Psychological Medicine at St. Georges Hospital Medical School. In 1996, he was recruited by the University of California San Diego, School of Medicine, Department of Psychiatry and since then he serves as faculty member of the Department. In 2013-2016 he served as Chief of Prevention, Treatment, and Rehabilitation at the United Nations Office on Drugs and Crime, United Nations Office in Vienna.

Over the last 25 years Dr. Koutsenok led the design and implementation of multiple training and technical assistance programs for mental health and addiction treatment practitioners, primary health care and social work practitioners, criminal justice professionals in the United States and around the world. He is also directing the UCSD Summer Clinical Institute - the second longest running Summer Institute in the United States (over 40 years). Dr. Koutsenok is also a member of the International Motivational Interviewing Network of Trainers (MINT). 

For many years, Dr. Koutsenok taught general and addiction psychiatry to medical students, psychiatry residents, psychology trainees, social workers, criminal justice professionals, and policy makers around the world. He is a recipient of numerous national and international awards. He has authored and co-authored over 50 scientific publications, one monograph, and contributed to 4 book. Dr. Koutsenok has been invited as a presenter and trainer to hundreds of conferences and workshops in the USA and more than 40 countries around the world. He is a proud father of three.

Prevención del Consumo de Sustancias Basada en la Evidencia y la Adaptación Cultural

OEA CICAD ISSUP
Event Date
City
Washington DC
Country
United States

En esta presentación se hará un breve resumen del significado de la prevención basada en la evidencia, en qué consisten las intervenciones y el alcance que estas pueden tener. De la misma manera se hará también un repaso sobre los aprendizajes y resultados que tanto la práctica e investigación en prevención han dejado, así como las barreras que se imponen para la implementación de estas intervenciones. 

Se hablará acerca de Keepin'it REAL (KiR), que es un programa de prevención que enseña estrategias de vida a jóvenes escolarizados entre 12 y 14 años.

Time: May 19, 2020 12:00 PM in Eastern Time (US and Canada)

Palabras de bienvenida:
 
Adam Namm, Secretario Ejecutivo de la CICAD
Jimena Kalawski, Jefa de la Unidad de Reducción de la Demanda de la CICAD
 
Presentadores:

 
Dr. Flavio Marsiglia – Director, Global Center for Applied Health Research – Arizona State University
Maria Paula Luna – Directora de Desarrollo Profesional – Applied Prevention Science International (APSI)
 
Registro
 
Para registrarse, use el siguiente enlace:
 
https://zoom.us/webinar/register/WN_dno34JYASHiRLQnYmfpa2A
 
Al registrarse, usted recibirá un correo electrónico confirmando su registro con todos los detalles para conectarse. Si usted no recibe este correo en su bandeja de entrada, por favor revise su carpeta de correo no deseado. Favor notar que esta mesa redonda virtual se realizará en español y no contará con servicios de interpretación.
 

Event Language

Spanish

Distanciamento social? Mantenha a calma e gerencie o estresse

Esse é um período estressante. É preciso cuidar de si para poder dar suporte aos filhos.

Você não está sozinho

Milhões de pessoas têm os mesmos medos que nós. Procure alguém com que você possa conversar sobre como está se sentindo. Escute-os. Evite as mídias sociais que podem te fazer sentir pânico.

Pausa para relaxar

Todos nós precisamos de um intervalo de vez em quando. Quando seus filhos estiverem dormindo, faça algo divertido e relaxante para você. Faça uma lista de atividades saudáveis que VOCÊ gosta de fazer. Você merece!

Ouça seus Filhos

Esteja aberto e ouça seus filhos. Eles irão procurar você em busca de conforto e apoio. Ouça seus filhos quando eles compartilharem com você como estão se sentindo. Aceite como se sentem e dê a eles conforto.

Pare um pouco – Um minuto de atividade relaxante que você pode fazer quando estiver sob estresse ou preocupação

Passo 01: organize um local

• Encontre uma posição confortável para sentar, com seus pés tocando totalmente o chão e suas mãos repousando sobre seu colo.

• Se você se sentir confortável, feche os seus olhos.

Passo 02: pensar e sentir o corpo

• Pergunte a si: "o que estou pensando agora?"

• Perceba seus pensamentos. Perceba se eles estão negativos ou positivos.

• Perceba como estão suas emoções. Perceba se elas são de felicidade ou não.

• Perceba como está seu corpo. Perceba qualquer local de dor ou tensão.

Passo 03: Foque em sua respiração

• Ouça sua respiração na medida em que você inspira e expira.

• Você pode por sua mão na região abdominal e sentir a subida e descida do abdômen durante a respiração.

• Você pode querer dizer a si: "Está tudo bem. Seja o que for, estou bem".

• Então, apenas ouça sua respiração por alguns instantes.

Passo 04: Voltando da pausa

• Perceba como todo o seu corpo está se sentindo.

• Ouça os sons à sua volta no local onde você está.

Passo 05: Refletindo sobre a pausa

• Pense um pouco: "eu me sinto diferente de fato?"

• Quando você estiver bem, abra seus olhos.

 

Parar um pouco também pode ajudar quando seu filho estiver te irritando ou tiver feito algo errado. Isso te permite agir com mais calma. Respirar fundo algumas vezes ou tentar se conectar com os sentimentos de seus vizinhos podem ainda fazer uma grande diferença. Você pode parar um pouco também com seus filhos!

 

Mantenha a calma e gerencie o estresse

Este material foi desenvolvido por Parenting for Lifelong Health (PLH) e está disponível em 46 línguas e 32 línguas em processo de tradução.

Parenting for Lifelong Health (PLH) é um conjunto de programas gratuitos para pais que usam os princípios de aprendizado social e treinamento em gerenciamento de pais para melhorar o relacionamento entre pais e filhos. Os programas equipam os pais com habilidades para gerá-los de maneira positiva e desenvolver relacionamentos saudáveis com seus filhos.

Fonte: https://www.covid19parenting.com/

Mantenha a calma e gerencie o estresse

Live com Thiago Brentano - Isolamento Social: Desafios da Educação Escolar em Casa

Se alguém tivesse previsto que no ano de 2020 ficaríamos todos confinados em nossas casas, sem poder frequentar escolas, escritórios, parques e shoppings para combater um inimigo invisível, ninguém acreditaria. No entanto, essa é a realidade que o Brasil e o restante do mundo está vivendo.

Mais de 1,5 bilhões de estudantes foram afetados com o fechamento das escolas em 191 países e regiões, segundo um mapeamento (1) realizado pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

No Brasil, muitas redes de ensino já suspenderam as aulas e estão lançando mão de soluções de recursos digitais de aprendizagem, inspiradas na modalidade Educação a Distância (EaD). Mas estratégias de ensino remoto, por mais importantes que sejam no atual contexto, têm limitações e não atendem a todas as crianças e jovens brasileiros da mesma maneira.

Frente a um cenário sem precedentes e que tem exigido do poder público educacional tomadas de decisões rápidas sobre questões inéditas e altamente complexas, é importante reconhecer que o momento é de excepcionalidade.

As estratégias de ensino a distância devem cumprir papel importante para a redução dos efeitos negativos do distanciamento temporário, mas as evidências indicam que lacunas de diversas naturezas serão criadas. Também é preciso que as redes de ensino já comecem a planejar um conjunto robusto de ações para o retorno às aulas.

Para enfrentar o risco da ampliação de desigualdades, ao lançar mão de estratégias de ensino a distância, é preciso entender que a disposição de recursos tecnológicos é heterogênea entre os alunos e que aqueles que já têm desempenho acadêmico melhor tendem a se beneficiar mais das soluções tecnológicas.

Segundo dados divulgados pela Teacher Task Force (2), uma aliança internacional coordenada pela UNESCO, mais de 800 milhões de estudantes que estão com aulas suspensas não contam com um computador em casa, enquanto 43% do total de alunos não têm acesso à internet. Por isso, entender a multiplicidade de formatos sob os quais os conteúdos podem ser oferecidos é uma forma de considerar as diferentes realidades socioeconômicas dos alunos no Brasil.

Além disso, o ensino remoto não deve se resumir a plataformas de aulas online, apenas com vídeos, apresentações e materiais de leitura. É possível (e fundamental!) diversificar as experiências de aprendizagem, que podem, inclusive, apoiar na criação de uma rotina positiva que oferece a crianças e jovens alguma estabilidade frente ao cenário de muitas mudanças.

A participação das famílias sempre foi peça essencial na engrenagem de uma boa gestão educacional. No momento em que as atividades presenciais estão suspensas, ela se torna ainda mais importante. Essas famílias precisam também ser apoiadas em suas necessidades para que consigam dar o melhor apoio aos estudantes – na medida do possível e considerando suas vulnerabilidades.

Além da preocupação com a aprendizagem dos conteúdos curriculares à distância, é preciso atentar-se ao bem-estar, saúde mental e equilíbrio emocional dos estudantes, fatores que nunca devem ser colocados em segundo plano, uma vez que alunos com questões socioemocionais têm mais dificuldades na aprendizagem e, por isso, o momento atual eleva os riscos de evasão, por exemplo, especialmente entre jovens mais vulneráveis. 

Todos estão com o estresse muito elevado e passando por situações que nunca antes vividas e a população mais vulnerável sofre muito mais. As questões econômicas pesam muito. Existem também as questões de perda de familiares e amigos pela Covid-19 e violência doméstica decorrente da elevação do consumo de álcool, tabaco e outras drogas, aumentando em patamares como nunca vistos antes. São muitos os aspectos a serem cuidados em relação a esses jovens, que precisam se sentir apoiados e conectados com a escola, especialmente neste momento.

Os educadores também estão sobre forte pressão e tensão. A insegurança gerada entre o corpo docente pode ser dividida em fases. A inquietação dos professores com questões mais técnicas, como, por exemplo, dar aula online, gravar vídeos e como os alunos irão acessar o material em casos em que não contam tecnologia em casa, soma-se a uma preocupação com a participação dos estudantes. O segundo desafio é o do engajamento, do contato com os alunos, de entender se as aulas estão fazendo sentido, de saber se os alunos de fato estão aprendendo, se interessando pelas aulas, se estão conseguindo administrar as tarefas em casa. Esse segundo nível diz respeito à qualidade das atividades. 

O coronavírus impactou a educação, no geral. Nesse sentido, cabe a pergunta: o que poderemos mobilizar dessa experiência para projetarmos futuras transformações da escola? Alguns já assinalam a perda de qualidade do ensino ministrado virtualmente, já apontam o risco de se transformar a educação presencial em ensino a distância, demonstrando preocupação quanto à reposição presencial das aulas perdidas. Outros procuram visualizar qual é a potência do que vem acontecendo; ou seja, quais lições poderemos tirar desse tempo em que a escola não estava à nossa frente?

Para discutir esses e outros assuntos, nossa Live com Especialistas trará no dia 19 de maio, a partir das 19h00, Thiago Brentano.

Thiago Brentano é graduado em Gestão – Empreendedorismo e Sucessão, com MBA em Administração e Gerneciamento de Negócios na FGV, MBA em Administração e Gerenciamento de Negócios na Hult International Business School e MBA em Educação Executiva – Gestão Estratégica de Marketing SMM na Harvard Business School.

Na SOMOS Educação S/A*, Thiago Brentano é o atual Diretor de Unidade de Negócios,que fornece soluções de ponta em educação para as melhores escolas particulares do país e atual Diretor da Unidade de Negócios de Carga - Mercado Público, que constrói, vende e entrega as melhores soluções em educação para escolas públicas, instituições sociais e governos.

Você não pode perder. Acesse nosso Instagram e acompanhe essa discussão.  www.instagram.com/espiritofreemind

É hora de focar em amenizar os danos no curto prazo, mas sem perder de vista que é no planejamento da volta às aulas que reside a chance de, efetivamente, enfrentarmos o desafio que se impõe.

  1. https://en.unesco.org/covid19/educationresponse
  2. https://en.unesco.org/news/startling-digital-divides-distance-learning-emerge

Outras fontes:

https://gife.org.br/planejamento-conectividade-e-tecnologia-quais-sao-os-principais-desafios-da-educacao-em-tempos-de-pandemia/

https://jornal.usp.br/artigos/a-educacao-e-a-escola-em-tempos-de-coronavirus/

https://www.todospelaeducacao.org.br/conteudo/Educacao-na-pandemia-Ensino-a-distancia-da-importante-solucao-emergencial_-mas-resposta-a-altura-exige-plano-para-volta-as-aulas

https://www.todospelaeducacao.org.br/_uploads/_posts/425.pdf?1730332266=&utm_source=conteudo-nota&utm_medium=hiperlink-download

Live com Thiago Brentano- 19/05

Saiba como foi a Live com Dr. Hermano Tavares falando sobre Dependência Digital

Dr. Hermano Tavares, foi o entrevistado da “Live com Especialistas” do dia 27 de abril que trouxe à pauta o seguinte tema: “Dependência digital em tempos de isolamento social”.

Dr. Hermano é graduado em medicina e com doutorado em psiquiatria pela universidade de são Paulo, pós-graduado em Jogo Patológico na Universidade de Calgary no Canadá e pós-doutorado em Psicofarmacologia. Fundou e coordena o programa ambulatorial de jogo patológico, programa ambulatorial integrado dos transtornos de impulso, o programa de psiquiatria e saúde mental comunitária do Instituto de Psiquiatria da USP. Seus principais campos de atuação acadêmicos são: saúde mental, saúde pública e dependências, transtorno do jogo, transtorno de controle do impulsividade e personalidade.

https://www.youtube.com/watch?v=ZAH60PliMOo&t=686s

Segue abaixo um resumo deste bate-papo muito interessante e esclarecedor:

O primeiro computador pessoal surgiu na década de 80. De lá para cá, o videogame caseiro se popularizou, mas a realidade tornou-se totalmente nova com o advento da internet no começo dos anos 90.

Quando pensamos no uso das ferramentas digitais, temos que considerar 2 públicos e 3 cenários:

Públicos

- Os chamados “migrantes digitais” são aqueles que vem de uma época em que se usava “orelhão com fichas” para uma ligação telefônica, mandava mensagem por fax (no lugar dos e-mails) e tinha um “pager” par receber mensagens instantâneas (já ouviu falar dessas coisas?)

- Outro público é o dos “nativos digitais” que são as pessoas que nasceram quando a internet já era uma realidade e que, praticamente, já nasceram conectados.

Cenários

- Consumidores ávidos por informação e entretenimento – surgiu quando apareceu a internet: ficam “browseando” na internet, navegam infinitamente e perdem o controle da passagem do tempo;

- Jogadores de videogame online – o videogame, quando era off-line já era problemático; agora, com a chamada convergência de mídias, ficou ainda mais complicado. Alguns jogos online são estruturados e montados de uma forma muito inteligente para estimular a participação contínua. Então, se você monta um time internacional, com participantes de várias partes do mundo, é possível “passar o bastão de um para o outro” e, com isso jogar por 24 horas contínuas;

- Dependentes da internet como um veículo – por exemplo, dependentes de pornografia que buscam este tipo de conteúdo na internet ou dependentes de apostas de jogo de azar que podem jogar 24 horas por dia sem sair de casa ou compradores compulsivos que podem fazer compras online sem limite. Nesses casos, a internet é o veículo da dependência. É como o usuário de drogas injetáveis, que necessita da seringa (veículo) para sustentar a sua dependência.

Então, como diferenciar uma pessoa dependente digital de uma que usa os recursos digitais como uma ferramenta de entretenimento ou como ferramenta de trabalho?

Coisas comuns a qualquer dependência são a perda de controle, o consequente exagero e, na sequência, uma série de adaptações e ajustes que a pessoa precisa realizar para conviver com essa dependência. Todas essas atitudes geram consequências negativas, mas a pessoa persiste no comportamento, apesar disso.

Algumas consequências negativas deste tipo de comportamento podem ser: prejuízo com as relações pessoais, perda de produtividade e de funcionalidade em ambientes de trabalho e prejuízo da saúde física devido ao sedentarismo.

Outro fator que podemos avaliar para verificar se estamos tratando de uma dependência ou não é o tempo de horas que são dedicados ao uso desses recursos: o não dependente costuma passar, no máximo, 12 horas semanais conectados. Já os dependentes dedicam, em média, 40 horas semanais (que é praticamente um trabalho em tempo integral, não é mesmo?).

Também pode-se avaliar a dependência através das atividades do indivíduo: o não dependente, em geral, faz consultas normais na internet como, por exemplo: alguma notícia específica, algum lugar ou restaurante, etc. Já o dependente, tem preferência por passar o tempo em jogos e em redes sociais.

Mas é muito importante não “demonizar” a internet e as redes sociais. O ideal é que fosse feita uma revisão nas redes sociais e torna-las redes que promovam a solidariedade, a compaixão, o acesso amplo e democrático a informações de qualidade.

Temos visto muito isso neste período de pandemia e isolamento social. E, que bom que temos a internet e as redes sociais neste período de confinamento. Com esses recursos, alguns de nós podem continuar trabalhando em home office, podemos fazer compras online e visitar pessoas queridas que estão afastadas por segurança.

Então, não adianta culpar ou condenar a ferramenta: tem que entender qual é a mão que segura a ferramenta. Se a mão que segura faz dela o uso apropriado, a ferramenta é maravilhosa. Se a mão que segura prejudica a si mesma ou a terceiros, é preciso repensar a ferramenta.

Em tempos normais, a Associação Internacional de Pediatria pede aos pais que regulem o uso de telas (qualquer tela: TV, smartphone, notebook) dos adolescentes até 18 anos em, no máximo, 3 (três) horas por dia. O cérebro dos adolescentes amadurece de trás para a frente e a última parte que amadurece é o pré-frontal (“o tomador de decisão”), que é “quem toma a decisão” pelo tempo gasto na frente de uma tela.

Uma dica importante que podemos deixar aos pais neste período de distanciamento social e intensificação do uso de tecnologias digitais é: acompanhe o que seu filho está fazendo na internet – instale o computador num local de fácil acesso a você e/ou instale programas de controle parental para monitorar os sites que ele visita e quanto tempo passa em cada um.

A sociedade, hoje em dia, está altamente tecnologizada e, tanto nós como nossos filhos precisamos estar atualizados, mas sem descuidar, porque a dependência tecnológica interfere na capacidade de socialização, podendo trazer prejuízos para o presente e para o futuro.

Também precisamos estar atentos à educação que nossos filhos estão recebendo. Quem o está educando? Será que trabalhando de 12 a 14 horas por dia para garantir a melhor escola, o celular mais bacana e uma casa na cobertura eu consigo transmitir para meus filhos a educação e os valores que eu quero? Ou eu o estou deixando ser educado pelas redes sociais, pelos influenciadores digitais, por jogos e grupos de WhatsApp?

Não dá para saber como será o mundo após o final deste isolamento social mas, com certeza, terá sido um desperdício horroroso de tempo de reflexão e de emoção se sairmos dessa dura experiência absolutamente igual ao que entramos. Mas se tivermos conseguido ter uma relação mais equilibrada entre o trabalho e a vida doméstica, se tivermos aprendido a utilizar a ferramenta digital para poder criar um mundo com mais tempo para a reflexão, para o convívio familiar e para reduzirmos o stress (pessoal, social e ambiental), ainda que à custa de muita dor, o sofrimento não terá sido em vão.

Assiste o vídeo na íntegra:https://www.youtube.com/watch?v=ZAH60PliMOo&t=686s

 

 

 

Perdeu ou quer rever? Live com Dr. Hermano Tavares

Distanciamento Social? Como lidar com o mau comportamento

Todas as crianças eventualmente se comportam mal. Isso é normal quando estão cansadas, com fome, com medo, ou aprendendo a serem mais independentes. E elas podem nos enlouquecer quando estão presas em casa!

Redirecionar

  • Perceba antecipadamente cada mau comportamento e redirecione a atenção de seus filhos do mau para um bom comportamento.
  • Pare antes que comece! Quando elas começarem a ficarem inquietas, você pode distraí-las com alguma coisa interessante ou divertida: "Vamos dar uma volta!"

Pare por um instante

  • Está quase surtando? Dê uns 10 segundos a si mesmo. Inspire e expire pausadamente por cinco vezes. Então, tente reagir com mais calma.
  • Milhões de pais dizem que isso ajuda - E MUITO.

Gestão de Consequências

Consequências ajudam a ensinar nossas crianças sobre assumir a responsabilidade pelo que fazem. Isso permite discipliná-las de maneira controlada e é mais efetivo do que bater ou gritar.

  • Permita que as crianças tenham mais uma chance de seguir suas ordens antes que tenham de lidar com as consequências.
  • Tente ficar calmo ao aplicar a consequência.
  • Certifique-se de que você pode seguir firme com a consequência. Por exemplo, guardar o celular de um adolescente por uma semana é muito difícil de reforçar. Privar o uso por uma hora é algo mais realista.
  • Assim que acabar a gestão das consequências, dê aos seus filhos a chance de fazer algo bom e os elogie por isso.

Continue utilizando as dicas 1 a 3

  • Tempo a sós, "olho no olho", elogio por estarem sendo bons e rotinas planejadas irão reduzir os episódios de mau comportamento.
  • Dê tarefas simples às crianças e aos adolescentes, mas que demandem responsabilidades. Apenas se certifique de é algo que elas sejam capazes realmente de fazer. E quando elas fizerem, lembre-se de parabenizá-las!
Como lidar com o mau comportamento

 

Este material foi desenvolvido por Parenting for Lifelong Health (PLH) e está disponível em 46 línguas e 32 línguas em processo de tradução.

Parenting for Lifelong Health (PLH) é um conjunto de programas gratuitos para pais que usam os princípios de aprendizado social e treinamento em gerenciamento de pais para melhorar o relacionamento entre pais e filhos. Os programas equipam os pais com habilidades para gerá-los de maneira positiva e desenvolver relacionamentos saudáveis com seus filhos.

 

Fonte: https://www.covid19parenting.com/

Como lidar com o mau comportamento

Assista à Live com Dr. Quirino Cordeiro e Dra. Maria de Fátima Padin

No dia 23 de abril de 2020, o Freemind e a ISSUP Brasil fizeram a sua primeira Live com Especialistas” e os primeiros convidados foram o Dr. Quirino Cordeiro Junior – Secretário Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas - e a Dra. Maria de Fátima Padin - Psicóloga e especialista em Dependência Química.

Durante cerca de 80 minutos, numa conversa muito esclarecedora com Paulo Martelli, nossos dois brilhantes especialistas responderam a sete perguntas sobre problemas e dúvidas que têm nos afligido em tempo de Coronavírus e distanciamento social.

No meio de tantas incertezas, como ficam os dependentes químicos? Com tanta ansiedade e estresse, o consumo de álcool e outras drogas tem se mantido o mesmo?

Live Dr. Quirino Cordeiro Junior

Pergunta 1: Durante a epidemia do Coronavírus precisamos continuar ofertando cuidado aos dependentes químicos, mas sempre atentando para a segurança, devido à nova condição sanitária do país. Quais as ações do governo federal voltadas ao tratamento dos dependentes químicos? Os acolhimentos nas Comunidades Terapêuticas continuam acontecendo? Como isso é feito?

Resposta: Por conta dessa necessidade de continuar com as ofertas de assistência às pessoas com dependência química no país, é preciso fazer isso com o cuidado e a segurança que o momento da pandemia exige, o governo federal então, lançou no final do mês de março, 2 normativas para orientar as CTs no acolhimento de pessoas que apresentam dependência química.

Foi lançada a Portaria nº 340, de 30/03/2020, que foi seguida por uma cartilha com orientações para as CTs. Essas duas normativas passam a dar o norteamento que as entidades precisam seguir, a partir de agora, para que possam ofertar os cuidados que a sociedade tanto precisa para a recuperação das pessoas com dependência química, mas levando sempre em consideração aspectos importantes de segurança dos acolhidos e das pessoas que trabalham nessas entidades.

Por essas normativas, as CTs são reconhecidas pelo governo federal como serviços essenciais e, por isso, podem funcionar durante esse período de pandemia, com segurança jurídica para isso.

Quanto ao acolhimento, os cuidados e o tratamento dentro das CTs, o governo federal recomenda que as pessoas não deixem de ser acolhidas durante o período de epidemia e que as pessoas que já estão acolhidas não recebam alta, permanecendo na entidade e dando continuidade em seu tratamento.

Em relação aos casos novos, é preciso levar em conta que esta pessoa está enfrentando uma transmissão comunitária podendo, desta forma, estar contaminada com o vírus. Então, a orientação que consta das normativas, é que no momento da triagem do indivíduo que será admitido, se houver alguma suspeita clínica e epidemiológica de contaminação pelo coronavírus, o mesmo não deve ser acolhido e deve ser encaminhado para uma unidade básica de saúde, para avaliação.

No caso de não haver suspeita clínica e epidemiológica, o indivíduo pode ser acolhido, desde que se observe um período mínimo de 14 dias de isolamento dentro da própria unidade, para se ter segurança de que ele não esteja contaminado. Este período de 14 dias de quarentena pode não ser cumprido apenas no caso do indivíduo ter um resultado de teste recente de PCR ou teste rápido para COVID-19 com resultado negativo.

Outro ponto importante desta portaria e da cartilha diz respeito ao convívio dos acolhidos dentro das entidades. São fornecidas orientações sobre higienização das mãos, sobre o distanciamento mínimo entre as pessoas nas atividades que são realizadas nas CTs, por exemplo. Também são contraindicadas, durante o período da pandemia, as visitas dos familiares aos acolhidos, de forma a diminuir a circulação de pessoas de fora das entidades, diminuindo, assim, a chance de alguém levar a infecção para dentro da CT.

Também são contraindicadas a realização de atividades externas com os acolhidos, como as atividades de reinserção social.

Esta semana, dando sequência ao processo de monitoramento e discussão contínua que o governo vem fazendo com as lideranças das CTs, as Federações e a Confederação de CTs, foram lançadas mais duas normativas: a partir de agora, o governo passa a monitorar as CTs no que diz respeito às ações que eles estão adotando para poder dar conta das necessidades de proteção dos acolhidos.

Existe um sistema eletrônico para a comunicação entre o Ministério da Cidadania e as CTs e a partir de agora as CTs devem informar ao Ministério as ações que estão tomando para que elas possam acolher as pessoas nesse período de epidemia.

Eventuais casos de infecção por coronavírus dentro das CTs também passam a serem monitoradas pelo Ministério.

 

Pergunta 2: O impacto econômico da Epidemia pelo Coronavírus está sendo bastante grande, afetando Empresas, Famílias, cidadãos e a sociedade como um todo. O Governo Federal tem trabalhado para minimizar o impacto da crise econômica sobre as Comunidades Terapêuticas, seus acolhidos e familiares?

Resposta: O impacto econômico e financeiro, em toda a sociedade, neste momento do enfrentamento à epidemia do coronavírus é muito grande. Infelizmente já estamos tendo reflexos muito duros advindos da epidemia e, por isso, o Governo Federal tem lançado várias iniciativas econômicas e financeiras para toda a sociedade e estamos levando essas medidas para dentro das comunidades terapêuticas.

A SENAPRED está trabalhando para levar para as CTs e seus acolhidos essas medidas que o governo federal está lançando. Por exemplo, a SENAPRED está trabalhando em cima do projeto “Arrecadação Solidária”. Este projeto foi lançado no dia 07 de abril e, apesar de não ser voltado exclusivamente para as CTs, estas estão sendo levadas a participar e se beneficiar dessa ação do governo federal. A CT que quiser participar, precisa se cadastrar no site do programa Pátria Voluntária (www.patriavoluntaria.org).

O governo e a SENAPRED estão trabalhando com 7 iniciativas junto aos acolhidos das CTs e suas famílias. O primeiro deles é o auxílio emergencial (“coronavoucher”) de R$ 600,00 está disponível para pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social e econômica neste momento e o site da Caixa Econômica Federal (www.caixa.gov.br) tem todas as informações de como acessar este programa. Para os acolhidos, este é um programa muito importante pois, com este auxílio eles podem ajudar a manter suas famílias lá fora.

Outro benefício colocado à disposição dos acolhidos é o saque do FGTS. O governo Federal publicou uma Medida Provisória, no dia 07 de abril, que permite que a partir do dia 15 de junho possa ser feito o saque de R$ 1.045,00 do saldo do FGTS.

Outra possibilidade diz respeito à antecipação do décimo terceiro salário de aposentados e pensionistas do INSS que terá sua primeira parcela paga a partir do 24 de abril e a segunda parcela a partir do dia 25 de maio.

Também foi atencipado para o dia 29 de maio o saque do abono salarial do PIS/PASEP.

Os acolhidos que estão na fila do BPC também poderão sacar o valor de R$ 600,00 do auxílio emergencial e os que estão na fila do auxílio doença poderão sacar o valor de R$ 1.045,00 do FGTS, antes mesmo da decisão se o INSS será favorável ou não à concessão desses benefícios.

E por fim, pessoas que vivem em moradias onde a parcela do consumo de energia elétrica seja inferior ou igual a 200 kWh/mês terão a isenção desta conta.

Todas essas medidas do governo federal visam evitar um impacto muito grande devido à epidemia do coronavírus e tanto as CTs quanto seus acolhidos e familiares têm direito a acessar esses benefícios e a SENAPRED está trabalhando junto às Federações, às CTs e suas lideranças, para que todos possam ter acesso a esses benefícios.

 

Pergunta 3: As ações de Reinserção Social precisam ser contínuas. Como a SENAPRED está trabalhando para dar sequência a essas ações com os pacientes acolhidos nas Comunidades Terapêuticas?

Resposta: Esta epidemia é um problema extremamente complexo e, por isso, as ações de enfrentamento a ela também são complexas e buscam dar conta de todas as necessidades que esta questão traz à sociedade.

Precisamos de ações para diminuir a infecção pelo coronavírus na sociedade, ações de cuidados com os infectados buscando diminuir a taxa de mortalidade, ações de suporte econômico e financeiro para toda a sociedade e, em especial, para os mais vulneráveis. Também é necessário dar continuidade às políticas públicas vigentes como, por exemplo, a política pública de cuidado às pessoas que apresentam a dependência química e é fundamental trabalhar para proteger a economia do país. É assim que o governo Federal e a SENAPRED estão trabalhando para o enfrentamento desta epidemia.

Quanto à reinserção social, a SENAPRED iniciou no ano passado duas ações muito importantes: a primeira é dar acesso aos acolhidos nas CTs ao programa “Progredir” (que permite que os acolhidos tenham capacitação a distância para o trabalho).

A outra ação, decorrente de um acordo entre o governo, as CTs e a Confederação Nacional de Jovens Empresários (CONAJE) é o programa “Brasil Empreendedor”. Este programa oferece capacitação aos acolhidos, por meio do CONAJE, com o objetivo de ajuda-los a abrir o seu próprio negócio. São negócios de baixo custo e os profissionais da CONAJE, além de darem a capacitação, ajudam os acolhidos a abrirem seus próprios negócios e os acompanham depois da alta no processo de manutenção de seus negócios.

Como a capacitação pelo projeto “Brasil Empreendedor” são presenciais, isto ficou prejudicado com a epidemia de coronavírus e, por isso, a partir do dia 27 de abril, a capacitação para o empreendedorismo será feita à distância, para que seja possível aos acolhidos a chance de sua reinserção social.

É muito importante lembrarmos que o processo de recuperação dos dependentes químicos passa necessariamente pela reinserção social, sobretudo aquela que é feita pelo trabalho e pela capacitação para o trabalho e/ou para o empreendedorismo e, por isso, é preciso dar muita importância para este tipo de ação.

 

Pergunta 4: Este é um momento tão incerto, onde estamos aprendendo e reaprendendo tantas coisas. Para fecharmos, gostaríamos que o senhor falasse um pouco sobre o planejamento de algumas ações futuras que a SENAPRED está preparando para 2020.

Resposta: A SENAPRED – Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas – é uma secretaria nova dentro do governo federal (criada no início de 2019). As competências das ações de enfrentamento às drogas foram divididas dentro do governo federal entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública com a SENAD (Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas), que ficou responsável pelas ações de redução da oferta e repressão ao tráfico e o Ministério da Cidadania com a SENAPRED que ficou com a responsabilidade pelas ações de redução da demanda, de cuidados, tratamento e reinserção social.

Temos buscado nos aproximar muito das entidades da sociedade civil. Nós temos uma clareza total de que o problema das drogas é um problema tão complexo quanto esta epidemia de coronavírus. Várias frentes precisam ser trabalhadas, desde a repressão até as de redução da demanda que são fundamentais para que consigamos obter sucesso nessa luta e esse sucesso só será possível se trabalharmos unidos, estreitando parcerias entre as várias instâncias governamentais e a sociedade civil.

Um exemplo deste tipo de ação para reunir todas as instâncias dos poderes federal, estadual e municipal é a criação da “Comissão Intergestores Bipartite” para intensificar o diálogo entre esses gestores, pois não é possível criar, executar e monitorar políticas públicas sem a participação de todas as instâncias de governo.

Além disso, estamos trabalhando de maneira intensa na articulação com a sociedade civil. Hoje temos parcerias com as CTs, com entidades que trabalham com grupos de mútua ajuda e de apoio familiar na recuperação de pessoas com dependência química e na prevenção ao uso de drogas como, por exemplo, Amor-Exigente, Pastoral da Sobriedade, Cruz Azul no Brasil e Grupo Esperança Viva da Fazenda da Esperança.

No ano passado, a SENAPRED se aproximou e está trabalhando em cooperação com os grupos anônimos, como Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, AL-ANON, NAR-ANON, que são grupos que desenvolvem um trabalho extremamente importante.

Com as universidades temos em andamento dois projetos de pesquisa epidemiológica: um em parceria com a Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP e o outro com a Universidade de Brasilia – UnB.

Temos ainda um projeto de capacitação para profissionais de CTs, o projecto CoMPaCTa, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.

No final do ano passado também, fechamos um Acordo de Cooperação Técnica com o Capitulo Nacional da ISSUP no Brasil, uma parceria importante para tratarmos principalmente projetos de prevenção ao uso de álcool e drogas

Firmamos também um acordo de cooperação com a Associação Brasileira de Psiquiatria e estamos trabalhando de maneira muito próxima com o CFM – Conselho Federal de Medicina e com outros poderes da República como, por exemplo, o Congresso Nacional onde trabalhamos no ano passado um projeto para a recriação da Frente Parlamentar Mista para a defesa das CTS e estamos trabalhando para garantir às CTs o acesso às emendas parlamentares junto ao Congresso Nacional.

Outro trabalho importante do ano passado foi com o STF – Supremo Tribunal Federal, para impedir que as drogas fossem legalizadas. Conseguimos reunir vários grupos da sociedade civil na Marcha das Famílias, o que nos permitiu fazer uma grande pressão no STF para que as drogas não fossem legalizadas no país e isso garantiu uma expressiva vitória nessa luta.

Desta forma, fica claro que o que temos buscado fazer na SENAPRED é trazer para o debate e para as ações vários órgãos do governo e da República e trabalhar em conjunto pois só assim será possível trilhar um caminho de sucesso.

 

Para fechar a live, Paulo Martelli lembra a todos que morrem anualmente com drogas lícitas e ilícitas mais de 32.000 pessoas por dia, segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde. Isto também é uma epidemia muito complexa e cabe a todos nós da sociedade civil dar-nos as mãos para conseguir isso.

 

Assista a live: https://www.youtube.com/watch?v=6mKXBc2bwc4 - Parte 1 (até o tempo de 48:00)

 

Live Dra. Maria de Fátima Padin

Dra. Maria de Fátima inicia falando da importância de trazer à público a integração da comunidade. Nos lembra que não sabemos da força que temos quando estamos unidos e cita o exemplo do “Mothers Against Drunk Diving”, movimento de mães dos EUA que conseguiram mudar as leis do país. Trazer temas do cotidiano que estão tão em evidência neste momento de epidemia são fundamentais e mostram que têm mais dedos apontados que mãos estendidas e daí a importância da empatia e da solidariedade com as famílias neste momento.

 

Pergunta 1: Temos ouvido falar que a violência doméstica tem aumentado durante o período de distanciamento social exigido pela epidemia de Coronavírus. Relacionamentos mal resolvidos, aumento do uso de substâncias químicas, principalmente o álcool... O quê, na sua opinião, está gerando este aumento da violência? Quanto o aumento do uso de álcool e outras drogas é determinante para a obtenção destes números? E o que se pode fazer para ajudar essas pessoas em confinamento?

Resposta: Eu gostaria, primeiramente, de dividir a questão da violência doméstica no que diz respeito ao adulto e à criança e adolescente. A UNICEF, em 2010, trouxe um dado importante que dizia que as denúncias de violência contra a criança e adolescente tinha uma curva acentuada no Brasil.

A violência tem uma variedade de formas e é influenciada por uma série de fatores, desde a característica da vítima, do agressor, do ambiente físico e cultural onde estão inseridos. Temos, por exemplo, um dado alarmante de violência sexual no Brasil, que são os casos de estupro. Em 2018, tivemos 66.000 ocorrências, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e as mulheres são as principais vítimas. Entre elas, 3 em cada 4 são crianças ou adolescentes. Então, estamos falando de uma população violentada sexualmente em estupros de uma faixa completamente vulnerável.

Apesar desse número de 66.000 ocorrências, o Ministério Público estima que menos de 10% das vítimas de violência sexual notificam a polícia, o que faz com este número alarmante que nos choca seja ainda subestimado sendo, na realidade, muito maior. O Ministério Público traz os dados de que a maioria dos agressores são conhecidos das vítimas e um grande número de estupros acontece em casa.

O LENAD – Levantamento Nacional de Álcool e Drogas -  de 2014, no bloco de violência doméstica traz que 2 em cada 10 brasileiros relatam ter sofrido algum tipo de violência doméstica e que, em 2 de cada 10 casos, o agressor estava sobre efeito de álcool.

Este é um dado importantíssimo, pois já é conhecida a associação de abuso de álcool e violência contra criança. O uso abusivo de álcool afeta a função física e cognitiva dos indivíduos, reduzindo o autocontrole, aumentando muito a chance do indivíduo agir violentamente. Então nós, bêbados, fazemos coisas que sóbrios não faríamos.

Os estudos mostram também outro dado importante que é a associação entre a exposição do abuso físico e psicológico na infância levando essas crianças ao uso de substâncias psicotrópicas na fase adulta. Então, o que temos: o agressor, sob efeito de álcool, agride a criança ou adolescente, que irá repetir o modelo, ficando vulnerável para o uso de substâncias.

Por isso o tema violência é muito complexo. Por exemplo, no caso das crianças e das medidas preventivas, o ECA – Estatuto da criança e Adolescente – impõe uma corresponsabilidade entre a família, a sociedade, a comunidade e o poder público: é nosso dever denunciar qualquer menção que possamos ter de uma criança ou um adolescente que possa estar sendo violentado.

O ECA é claro: na dúvida, denuncie!

E fica aqui um recado para todos os pais e todas as famílias: nós aprendemos pelo exemplo e não pelo oposto do exemplo: isto se chama transgeracionalidade. Os pais que bebem em casa são modelos: dizem que, comportamentalmente, beber em casa é uma coisa validada.

Fiquei muito chocada quando, agora nesta epidemia, vi uma propaganda de delivery só de bebidas que promete levar a bebida de sua preferência, por um preço legal e geladinha até a sua casa. Isso é um absurdo! Nós, enquanto cidadãos, temos que nos mobilizar contra esse tipo de invasão na nossa casa, de estímulo a levar a bebida para a nossa casa.

Falando em dados mais atuais, agora em março de 2020, foram decretadas em caráter de urgência 2.500 medidas preventivas em todo o estado, enquanto que no mês anterior foram 1.934 medidas protetivas, o que significa que com a pandemia houve um aumento de quase 30% nos casos de violência doméstica com o convívio maior das mulheres com seus maridos dentro das casas. E esse número ainda pode estar subnotificado, fazendo com que sejam ainda maiores.

As recomendações nesses casos é não estimular o consumo de álcool, não deixar a “cerveja geladinha” do marido na geladeira, valorizar cada momento de abstinência que tiver, não ficar trazendo coisas do passado para discussão, expressar ideias positivas para o parceiro e se, ainda assim acontecer a agressão, é preciso denunciar. A mulher não pode se calar, principalmente havendo esta violência doméstica.

 

Pergunta 2: Nessa época de distanciamento social, muitas pessoas acabam consumindo mais drogas, fazendo estoque das mesmas (já que não podem circular para repor o estoque) e até mesmo fazendo o consumo misto de drogas, o que pode até levar a combinações letais de substâncias. Quais cuidados precisamos ter com essas pessoas? Como lidar com um ente querido que se encontre nessa situação?

Resposta: Um ente doente adoece a família toda! A dependência química é uma doença crônica: não tem cura mas tem tratamento. Então, essa família precisa tomar atitudes comportamentais para que ela não fique refém dessa doença.

Algumas medidas devem ser: estabelecer que na casa é absolutamente proibido o uso de substâncias. “Prefiro que ele use em casa do que vá para lá” – isso é a maior autossabotagem que podemos fazer conosco. Nós criamos situações onde achamos que temos um falso controle. “É melhor ele aqui do que lá”Não é melhor! A sua casa não pode ter o significado de uso de substância. Ela não pode ser um bunker para uso. Por isso, uma regra clara deve se estabelecer.

Uma outra questão importante é JAMAIS conversar com um ente se ele estiver sob o uso de substâncias, por vários motivos. Mas, principalmente, porque nós sabemos que a droga modela a personalidade da pessoa. Então, quem está lá não é meu filho. É uma pessoa que está completamente inadequada, comportamental e cerebralmente. Estas famílias precisam ter quase que um protocolo: NÃO SE CONVERSA COM BÊBADO E NÃO SE CONVERSA COM DROGADO!

Nós precisamos buscar ajuda. “Uma andorinha só não faz verão”. Não podemos ter psicofobia. Precisamos procurar ajuda. Precisamos começar a nos ver no outro. É uma acolhida: eu consigo falar, sem crítica. É importante que a família tenha um suporte emocional. Nós podemos ter ajuda profissional.

Eu coordenei, com a Dra. Helena Sakiyama, a maior pesquisa já realizada no mundo, que é o impacto da dependência química no Brasil com mais de 3.000 famílias. E o que nos deixou muito impactadas, é que à medida que a família descobre o uso, ela demora em média 3 anos para procurar ajuda.

Pais, partam do princípio de que somos todos enganados. Quando a família descobre, pelo menos há 3 anos ele já está usando. Depois demoramos mais 3 anos para tomar providência. Quando perguntamos às famílias: “Porque você levou este tempo para procurar ajuda?”, eles respondem “porque eu achei que daria conta”. Nós não damos conta!

Se meu filho tem um problema qualquer, de uma pneumonia, uma tuberculose, eu procuro ajuda imediata! É preciso procurar ajuda. As famílias precisam se desprover dessa onipotência familiar.

As nossas orientações são: coloque limites, fale na hora certa, procure a ajuda que você puder no momento.

Existe uma crítica enorme que diz que as famílias querem ver seus filhos internados. Não é verdade! A coisa mais difícil para uma família é internar um filho! O que acontece: 3 anos, em média, sem saber que ele está usando, mais 3 anos para buscar ajuda, são 6 anos de uso. Quando essa família vai buscar ajuda, esse filho já está numa condição de deterioração. A alternativa, nesses casos, é a internação para desintoxicação, pois são 6 anos de uso. E isso é pior ainda quando eles começam a usar abaixo dos 21 e dos 18 anos. Existe agora aquela ideia de que a adolescência é a idade de experimentar. Este é um argumento tão inócuo! Nós precisamos proteger os nossos adolescentes. Abaixo de 21 anos o cérebro não está formado, todas as funções cognitivas estão em formação.

Imagine colocarmos alguma substância em algo em formação: nós vamos devastar esta formação. Nós sabemos, por exemplo, que toda parte do controle inibitório é prejudicada. Adolescente é impulsivo, faz as coisas inconsequentemente mesmo. Então, eu vou validar isso? Não! Nós temos que nos unir nesse propósito. Eu tenho que descobrir e imediatamente tomar atitude!

 

Pergunta 3: Outra situação que vemos com frequência nessa epidemia de Coronavírus é que o medo, a insegurança, a ansiedade e o estresse gerado por tudo o que temos visto, leva as pessoas, algumas vezes, ao uso (ou à intensificação do uso) de álcool, drogas e medicamentos como recurso para suportar o isolamento durante a epidemia. Como essa epidemia tem influenciado no psicológico das pessoas e o que fazer em relação ao aumento do uso de álcool, drogas e medicamentos na busca por alívio?

Resposta: Nós temos um agravante no Brasil, pois somos considerados um dos países com o maior índice de ansiedade, conforme já preconizou a Organização Mundial da Saúde. E, o que é a ansiedade? O que gera a ansiedade?

A pilastra da ansiedade é a insegurança. É não saber o que vai acontecer lá na frente. E estamos num momento onde as pessoas ansiosas tem “sopa no mel” para ficarem mais ansiosas. E é importante ter este autorreconhecimento. Precisamos tomar medidas protetivas e nos blindarmos para isso.

E como fazemos esta blindagem? Tem algumas coisas importantes: primeiro, é não pararmos se estivermos fazendo algum tratamento psiquiátrico. Depois, essas medidas de ação rápida como “eu tomo uma bebidinha, eu relaxo e meu estresse passa”, “a minha ansiedade fica legal com uma taça de vinho” é verdade: são efeitos temporários, fulgazes, mas com pouca efetividade. Nós temos que tomar medidas agora mais duradouras, principalmente agora nessa época de pandemia. Qual o risco de todo dia tomar um pouquinho para relaxar “já estou aqui em casa mesmo”, “eu tomo essa medicação, mas agora vou intensificar para dormir mais ou para dormir menos...”

O que vamos conseguir fazer com isso? Vamos conseguir aumentar conflitos familiares, poderemos ter um problema de abuso ou agravar dependências e vamos conseguir manter a inabilidade de lidar com situações difíceis.

Então, nós que somos da área da saúde mental, estamos preconizando para que passemos isso de uma forma um pouco mais sutil e abaixando o estresse?

Primeiro: não dá para ficar 24 horas ligados no COVID-19! Não vamos dar audiência. Vamos nos blindar disso! Precisamos fazer um detox de tanta informação. Escolha um horário do dia para se informar e uma fonte fidedigna e apartidária que possa dar dados consistentes, científicos, não interpretados, não recortados.

Segundo: vivemos reclamando que não temos tempo para fazer coisas para nós. Aproveite os cursos online, gratuitos: de culinária, de papel, de canto, etc. Invista nessas coisas que sempre você reclama que não tem tempo. É o momento de fazer com as crianças um bolo, por exemplo, só para você mesmo.

A meditação é uma estratégia terapêutica extremamente importante até como medida de prevenção até para recaídas e para estresse. Existem cursos online e gratuitos, muitas vezes. Vamos investir nessa questão. Vamos manter a rotina do café da manhã, do almoço e do jantar.

Se você trabalha em casa, “agora eu vou detonar” e fica o dia inteiro de pijama, deitado com o notebook no colo. Essas são medidas que atrapalham a saúde mental. Mas antes de mudar o contexto, nós temos que tomar medidas autoprotetivas: nós temos que nos proteger.

Ninguém muda ninguém. Nós precisamos mudar para conseguir mobilizar o outro. Se nós não mudarmos, não vamos mobilizar ninguém para mudar!

 

Assista a live:  https://www.youtube.com/watch?v=6mKXBc2bwc4 - Parte 1 (a partir do tempo de 48:30):

https://www.youtube.com/watch?v=jznPUigzzAA - Parte 2 (até tempo de 17:20)

 

Assista na íntegra

Distanciamento Social? Criar novas rotinas pode ajudar

O COVID-19 bagunçou nossa rotina diária de trabalho, em casa e na escola. Isso é difícil para as crianças, adolescentes e também para você. Criar novas rotinas pode ajudar.

Crie uma rotina diária firme, mas flexível

  • Monte um horário para você e seus filhos com tempo para atividades planejadas e também tempo livre. Isso pode ajudar as crianças a se sentirem mais seguras e a se comportarem melhor.
  • Crianças ou adolescentes podem ajudar a planejar a rotina do dia – como fazer um quadro de horários escolar.
  • Elas seguirão melhor isso se ajudarem a fazê-lo.

Ensine as crianças sobre como manter distâncias seguras

  • Se estiver tudo OK em sua nação, leve as crianças para um tempo fora de casa.
  • Você também pode escrever cartas e fazer desenhos para compartilhar com as pessoas. Exponha-os fora de casa para que os outros possam ver!
  • Você pode tranquilizar seus filhos, conversando com eles sobre como você os está mantendo a salvo. Ouça as sugestões deles e leve-as a sério.

Procure tornar divertida a higienização e o lavar as mãos

  • Crie uma música de 20 segundos para o momento de lavar as mãos. Dê às crianças pontos e elogie seu esforço por lavarem as mãos regularmente.
  • Invente um jogo para ver quem consegue tocar menos vezes o rosto (vocês podem marcar o placar um para o outro).

Você é um modelo de comportamento para os seus filhos

Se você seguir mantendo distâncias seguras e se higienizando, e tratar os outros com compaixão, especialmente os que estão doentes ou em situação de risco – suas crianças e adolescentes aprenderão com você.

Ao final de cada dia, separe um tempo para refletir sobre o dia que passou. Conte aos seus filhos uma coisa boa ou engraçada que fizeram.

Comemore tudo o que você fez de bom hoje. Você é TOP!

Criar novas rotinas pode ajudar

Este material foi desenvolvido por Parenting for Lifelong Health (PLH) e está disponível em 46 línguas e 32 línguas em processo de tradução.

Parenting for Lifelong Health (PLH) é um conjunto de programas gratuitos para pais que usam os princípios de aprendizado social e treinamento em gerenciamento de pais para melhorar o relacionamento entre pais e filhos. Os programas equipam os pais com habilidades para gerá-los de maneira positiva e desenvolver relacionamentos saudáveis com seus filhos.

Fonte: https://www.covid19parenting.com/

Solidariedade: como o brasileiro ajuda o próximo - Live com Pde Renato Chiera e Pde Evandro

Mais poderoso e mais devastador que o Coronavírus é o vírus da indiferença!

Quando a dor do outro já não nos incomoda; quando permanecemos de braços cruzados contra a fome, a violência e injustiça; quando fechamos nossos olhos aos que mais precisam de ajuda e aos que foram abandonados por suas famílias, seus amigos, seus governantes...

Sempre que isto passa a fazer parte do nosso dia a dia, sabemos que estamos infectados!

Mas, na contramão de tudo isso, todas as vezes que tomamos uma ação prática contra todas essas mazelas e tristezas, vemos renascer a esperança de um mundo melhor.

Cada vez que enxergamos um irmão que antes era “invisível”, cada vez que levamos a esse irmão uma palavra de consolo ou um alimento, cada vez que damos abrigo a um irmão que não tem onde ficar, fortalecemos uma grande rede de solidariedade que tem se multiplicado em dias de pandemia.

O vírus, se sabe, atinge todos, sem diferença de nacionalidade nem pertença religiosa ou social, mas são os pobres que pagam e que pagarão no futuro o preço mais alto.

A Aliança de Misericórdia* e a Casa do Menor São Miguel Arcanjo**, entre tantas outras entidades, tem tocado com as mãos a ferida de uma grande população vulnerável do Brasil que sofre todos os dias com péssimas condições em termos de informação, prevenção, acesso ao serviço de saúde e agora, mais do que nunca, com uma maior vulnerabilidade econômica para enfrentar a pandemia do COVID-19.

As medidas emergenciais, por si só, não são suficientes para resolver o problema. Por isso a importância de uma grande rede para enfrentar o coronavírus e a pobreza das ruas.

O Brasil tem se mostrado muito solidário neste momento: a solidariedade maior vem da população que, através de associações de moradores, organizações de favelas, igrejas e pastorais distribuem comida, produtos de higiene e material de prevenção quando existe.

A pandemia mostra que a solidariedade não morreu no nosso povo. Terá uma nova humanidade após o coronavírus?

Para falar sobre esta rede de solidariedade que tem ajudado a salvar tantas vidas em tempos normais e em tempos de pandemia, nossa “Live com Especialistas” trará, no dia 05 de maio, o Padre Renato Chiera – Fundador e Presidente da Casa do Menor São Miguel Arcanjo – e o Padre Evandro Torlai – Vice-Presidente da Aliança de Misericórdia.

Esperamos por você, no Instagram do Freemind – 05/05, a partir das 19h00: www.instagram.com/espiritofreemind

 

* A Aliança de Misericórdia é um Movimento Eclesial nascido na cidade de São Paulo no ano 2000, cuja identidade se encontra em sua Palavra de Vida "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu, enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres..." (Lc 4,18-19). Atualmente, está presente em 58 cidades do Brasil e outros 7 países (Portugal, Itália, Polônia, Bélgica, Venezuela, República Dominicana e Moçambique). O Padre Evandro Torlai é o vice-presidente da Aliança de Misericórdia.

Conheça melhor a Aliança de Misericórdia: https://misericordia.com.br/

** A Casa do Menor São Miguel Arcanjo foi criada para entrar na tragédia dos filhos não amados do Brasil e, desde 1986, tenta mudar o destino deles sendo presença de amor e de oportunidade, com o objetivo de que eles possam rescrever as suas histórias com novos valores humanos inspirados ao Evangelho. Em 30 anos de presença no território brasileiro, já ajudou mais de 100 mil crianças, adolescentes e jovens. Padre Renato Chiera, nativo de Villanova Mondovi, na região do Piemonte, é o fundador e presidente da Casa do Menor.

Conheça melhor a Casa do Menor: http://casadomenor.org/

Live com Padre Renato Chiera e Padre Evandro - 05/05

Isolamento Social e o Aumento do Consumo de Álcool e Tabaco diante dos Filhos – Live 30/04

A pandemia de coronavírus trouxe muitos medos e incertezas, medidas de isolamento social, mudança abrupta da rotina das pessoas em todo o mundo. Além disso, muitas pessoas passaram a trazer para dentro de casa hábitos que tinham na rua, como o de beber, por exemplo.

Nesse momento, o aumento no consumo de álcool e tabaco é mais problemático do que o normal, uma vez que o acesso ao tratamento de dependências químicas está mais difícil devido ao isolamento social.

Pessoas com uma vulnerabilidade biológica e uma predisposição genética para o alcoolismo, junto com uma capacidade emocional mais frágil, estão mais suscetíveis a seguirem bebendo após a quarentena e se transformarem em dependentes de álcool.

O consumo de bebida alcoólica fora do controle gera enfraquecimento na defesa do corpo, no sistema imunológico e favorece, assim, a contaminação por doenças como a COVID-19.

E é preciso lembrar que é dentro de nossas casas que se encontram nossos filhos e, muitas vezes, nossos pais que fazem parte do grupo de risco para a doença. Nossos exemplos podem fazer com que nossos filhos acreditem que esse comportamento é normal, o que é muito nocivo para eles que ainda não sabem reconhecer seus limites.

No atual contexto de pandemia de coronavírus, os efeitos nocivos relacionados ao cigarro podem representar uma ameaça mais palpável ao presente. Já é sabido que fumantes compõem o grupo de risco para a COVID-19, podendo desenvolver sintomas mais graves da doença. Isso se dá porque fumar enfraquece o sistema imunológico, tornando-o menos capaz de responder a infecções. Além disso, esse grupo tende a ter um comprometimento da capacidade pulmonar.

O estresse e a ansiedade gerados por tantas dificuldades a que toda a população tem se deparado durante o isolamento social têm sido usados para justificar um aumento do consumo de tabaco. A nicotina, presente no cigarro, é altamente viciante e a maioria dos fumantes são viciados nessa substância. Quando o nível de nicotina no sangue do fumante começa a baixar, ele se sente irritável, tenso e nervoso. Então, ele fuma um cigarro, o que aumenta de novo o nível de nicotina e o acalma. O que ocorre, de fato, é que o fumante se livra da síndrome da abstinência, usando a droga de novo.

E como se esse risco não fosse suficiente, a fumaça que sai do produto contém os mesmos compostos tóxicos e cancerígenos que a fumaça tragada pelo fumante, porém em níveis bem mais elevados: 3 vezes mais nicotina, 3 vezes mais monóxido de carbono e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas, o que causa prejuízo também a nossos filhos e pais idosos, chamados de fumantes passivos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo passivo é a terceira maior causa de morte evitável no mundo, perdendo apenas para o tabagismo ativo e o consumo excessivo de álcool.

Precisamos estar atentos a tudo isso. Muitas perguntas surgem sobre como deve ser a postura dos pais, referentes a seus hábitos e/ou vícios, frente a seus filhos durante este período de isolamento social.

Para responder a essas perguntas, o Dr. João Paulo Becker Lotufo*, parceiro do Freemind e diretor da ISSUP Brasil é o convidado da Live com Especialistas do dia 30/04, a partir das 18h30, no Instagram do Freemind.

Participe conosco! Esperamos por você no Instagram do Freemind: www.instagram.com/espiritofreemind

* Dr. João Paulo B. Lotufo é Doutor em Pediatria pela Universidade de São Paulo, Representante da Sociedade Brasileira de Pediatria nas ações de combate ao álcool, tabaco e drogas, Coordenador/Presidente do grupo de trabalho no Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes na Sociedade de Pediatria de São Paulo e Diretor da ISSUP Brasil. Também é Membro da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB), Responsável pelo Projeto Antitábagico do Hospital Universitário da USP e Responsável pelo Projeto Dr Bartô e os Doutores da Saúde - Projeto de Prevenção de Drogas no Ensino Fundamental e Médio.

Live com Dr. Lotufo - 30/04/2020

Live com Especialistas – Dependência Digital em tempos de isolamento social – 27/04

Se por um lado as redes sociais e a internet em geral proporcionam maior liberdade de comunicação, por outro lado acabam afastando as pessoas do convívio mais íntimo. Pais e filhos, muitas vezes, vinham se comunicando por mensagens, estando os dois na mesma casa e separados por alguns poucos metros...

As redes sociais promovem constantes mudanças no comportamento da sociedade. Estamos todos conectados e buscando sempre atualizações de conteúdo a toda hora.

O problema não é a rede social em si: em muitos casos, é a utilização que se faz a partir dela. As redes sociais são como vitrines de exposições: tudo que é exibido costuma ser belo e bem pensado, para impressionar. As postagens, em sua quase totalidade, costuma mostrar apenas vitórias, viagens espetaculares e experiências profissionais que deram certo, fotos que ficaram boas nas festas e podemos observar que ninguém posta o que não deu certo, como as demissões, as dores de cabeça, os fracassos, as crises de depressão.

Isso tudo para não falarmos da quantidade de notícias falsas, que visam enganar, difamar e ludibriar pessoas pouco atentas.

Apesar de tudo o que foi dito antes, em tempos de quarentena e distanciamento social para conter o avanço do novo coronavírus, a tecnologia tem sido fundamental para unir amigos e familiares, para promover ações sociais, para compras, para trabalho remoto e para a educação à distância, entre outras atividades.

Quem poderia imaginar que a tecnologia iria preencher o vazio deixado pelo distanciamento social? Quem diria que ficaríamos ainda mais dependentes das tecnologias? Quais os cuidados que precisamos ter, agora que estamos todos mais do que nunca conectados? Como será o futuro a partir de agora e com o fim do distanciamento social? Conseguiremos voltar ao “normal” ou isso é um passado que não tem mais volta?

Nossas cabeças estão cheias de dúvidas, de incertezas, de angústias...

Dr. Hermano Tavares, psiquiatra e especialista em Dependência Digital – que já nos alertava sobre o perigo da Dependência Digital durante o 4º Congresso Freemind, em 2016, esclarecerá nossas dúvidas sobre isso numa live imperdível no dia 27/04/2020, a partir das 19h30 no Instagram do Freemind.

Venha participar conosco. Esperamos por você!

www.instagram.com/espiritofreemind

Live com Dr. Hermano Tavares - 27/04/2020

Social Distancing? Maintain a Positive Attitude

It's hard to feel positive when our kids and teens are driving us crazy. Generally, we end up saying "stop it!", but children are much more to do what we ask if we give them positive instructions and thousands of congratulations for what they did right.

Speak the behavior you want to see

Use positive words when telling your child what to do, such as, "Get your clothes out of here, please?!" (instead of 'Don't make a mess!')

It's all in the way you talk

Yelling at your kids will just make you and them more stressed and upset. So, to get your children's attention, call them by their names. Do it with a calm tone of voice.

Praise your kids when they do something good

Try to praise your child or teenager for something they've done well. They may not reveal it, but you'll see them repeating that good deed again. This will also reaffirm that you care for and care for them.

Seriously

Can your child really do what you're asking? It's very difficult for a child to be quiet for a whole day, but maybe they can keep quiet for 15 minutes while you're on a call.

Connected Teens: Help is necessary!

For teenagers, being connected with friends is key. So help them connect through social media and other safe forms of distancing. That's something you can also do together!

COVID-19 - Cuidados Parentais - Mantenha uma Atitude Positiva

This material was developed by Parenting for Lifelong Health (PLH) and is available in 46 languages and 32 languages in the translation process.

Parenting for Lifelong Health (PLH) is a set of free programs for parents who use the principles of social learning and parent management training to improve parent-child relationships. The programs equip parents with skills to generate them in a positive way and develop healthy relationships with their children.

Source: https://www.covid19parenting.com/

Parental Monitoring and Supervision

Adolescence is characterized by the passage from childhood to adulthood. At this stage, it is totally normal and common for children to be likely to live new experiences outside the family environment. They want to build their own identity. They want to join a group, they want to socialize.

And it's totally natural for them to leave their homes to see this new world that lies ahead of them. But it is very important that parents can understand that although physically they are well grown, they are still developing the part of the brain that is responsible for decision-making, called the prefrontal cortex.

Therefore, your children still need parental supervision and monitoring, which are educational practices related to the skills of: knowing where the children are, with whom they are, what they are doing and what they spend their money with. In other words, we can say that they are educational practices that are linked to the ability that parents have to know about their children's lives.

For the good performance of this parental practice, it is essential that we understand two important concepts: positive monitoring and negative monitoring.

Positive monitoring can be defined as a set of educational practices that are linked to the attention and knowledge that parents have about where their children are, who they are with, what they are doing and what they spend their money with. In addition, in positive monitoring there are clear demonstrations of affection and emotional support, especially at times when children need it most. This opens a frank channel of communication and strengthens family ties, thus dispensing with the need for stressful supervision.

Negative monitoring,also called stressful supervision,is characterized by excessive supervision and repeated intrusions into the lives of children. This tends to generate a hostile, stressed and dialogueless family atmosphere, as children tend to develop a way, a way to protect their privacy. In this way, they do not share their feelings with their parents and avoid talking to them about their own lives.

Pay attention to the following parental supervision and monitoring tips:

1st tip: Establish limits and rules of family life - At this time is when you stipulate the rights and duties of your children. If possible, involve your children in the process of building these rules. This helps them understand the logic behind them and helps them fulfill them.

2nd tip: Be consistent in your attitudes – Parents need to work so that the rules are maintained consistently and consistently.

3rd tip: Get involved in your children's activities – This is the time when you facilitate the favoring of family ties. It's the moment when your child realizes how much you care about him and at the same time you monitor him.

4th tip: Meet your children's friends - If possible, live with them. Bring them into your house. Notice how your kids relate to your friends, what their friends think, what they think, and what their opinions are. Talk to your children's friends. This will help you have a greater dimension of the relationships your children have with others and understand how these friends can influence them.

Movie Tip: Coach Carter (2005)Training for Life. The film, based on real events, is the story of Ken Carter, a basketball coach at a school in the suburb of Richmond, Virginia, USA. This film shows how a coach can positively influence the life trajectory of several adolescents who lived in a vulnerable situation and who had several risk factors associated with drug use. It's worth watching.